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após intercâmbio 11.08.2019 | 14h16

Na Austrália, turismóloga constrói carreira em hotelaria

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Gazeta Digital

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Perth – Western Australia, maior cidade do estado localizado no Oeste do país, se tornou o lar da carioca/cuiabana Mariana Marques Leite de Queiroz, 35 anos, e do advogado Daniel Queiroz, 36 anos, meio que por acaso. 

 

O casal chegou à metrópole australiana, que possui mais de 1,5 milhão de habitantes e já foi eleita umas das 10 melhores cidades do mundo para se viver, em fevereiro de 2011. Formada em Turismo, Lazer e Eventos pelo Centro Universitário de Várzea Grande, ela tinha decidido, aos 27 anos, se arriscar e concretizar um sonho antigo – já um pouco esquecido – fazer um intercâmbio para estudar inglês. E o marido, que era advogado, embarcou no sonho e na aventura. Levaram também a filha Maria Luiza, com 4 anos.

 

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“Na verdade, eu viria fazer o curso e voltar antes da Copa do Mundo (de 2014). No entanto, o destino nos preparou surpresas melhores por aqui e não voltamos mais”, explica a turismóloga, que chegou à Cuiabá ainda criança juntamente com a família e só deixou a capital mato-grossense para alçar voos internacionais.   

 

Reprodução

Cuiabanos pelo mundo - casal na austrália

Perth possui praias excelentes para o surf e está localizada próxima de ilhas deslumbrantes

Aos 17 anos, ela ingressou na faculdade no curso Bacharelado em Turismo, período em que teve experiências de estágio em agência de viagens em Cuiabá e passou uma temporada atuando em um grande hotel em Angra dos Reis (RJ).

 

De volta à capital mato-grossense, trabalhou em recepção de hotel, sendo promovida para área de eventos, e tempo depois, voltou a atuar em agência de viagens.    

 

Mariana e Daniel se casaram jovens, ela aos 21 anos, e ele, aos 22 anos - que à época terminava o curso de Direito. “Logo tivemos nossa primeira filha, e como eu trabalhava em uma agência dentro de shopping, acabei me rendendo a novos desafios e fui trabalhar novamente no ramo de hotelaria, em um hotel de luxo, como gerente de contas. O horário seria mais adequado ao meu novo estilo de vida com marido e filha”.  

 

A decisão de sair do Brasil   

Tudo começou quando a madrinha de Daniel foi fazer o pós-doutorado em Perth. Em mensagens enviadas à família em Cuiabá sobre como a cidade era legal, sobre as oportunidades e os brasileiros que vivem por lá instigaram a vontade de Mariana de tentar novamente realizar o desejo de estudar fora.

 

“Mas, de fato, achei que seria impossível largar tudo e tentar me aventurar em outro país com uma criança. Comecei a sonhar, pesquisar e resolvi dividir com meu marido sobre minha vontade e que para minha surpresa ele achou interessante a ideia”.  

 

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Cuiabanos pelo mundo - casal na austrália

 

A conversa foi por volta de julho e em agosto do mesmo ano o casal adquiria as passagens e curso de inglês. “Em setembro, vendemos o pouco que tínhamos (um carro velho e alguns móveis) para ajudar com as prestações que faltavam e a viagem em si, e entregando nosso apartamento alugado. Em janeiro de 2011, estávamos embarcando para o outro lado do mundo, para um lugar completamente desconhecido na maior loucura da minha vida”.

 

Os desafios no novo país

Segura de que seria uma ‘aventura’ rápida, um curso de 6 meses e, com certeza, teria o inglês fluente que tanto sonhava. Daniel e a filha teriam uma grande oportunidade de vivenciar um país de primeiro mundo e voltariam ao Brasil para suas vidas que conheciam.  

 

No primeiro dia de aula, seu segundo dia na Austrália, Mariana percebeu que não seria fácil, como havia pensado. “Fiquei andando mais de 1 hora procurando o ponto de ônibus, porque não conseguia me localizar, não entendia o mapa e nem as pessoas. Foi desesperador! Até aparecer uma boa alma e me levar ate o ponto”, recorda.   

 

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Cuiabanos pelo mundo - casal na austrália

 

Outro susto foi ao procurar uma escola para a filha. “A agência havia dito que em escolas do governo se pagava apenas uma taxa simbólica, por volta dos $100 dólares australianos. Por conta do meu visto, esse valor era de quase $6 mil dólares e nós não tínhamos nem metade disso. Para nossa sorte, a escola nos ofereceu diversas opções de pagamento e foi o que nos ajudou porque, na minha cabeça, logo eu arrumaria um emprego e arcaria com essa despesa”.  

 

O marido não falava nada de inglês, mesmo assim, com ajuda de outros brasileiros, começou a trabalhar em uma empresa que cuidava da frota de caminhões delivery.

 

“Realmente parecia uma missão impossível tudo o que ele precisava fazer no trabalho. Com o inglês que eu tinha precisava ser mais forte e o ajudava com o idioma, afinal precisava colocar os 7 anos de estudo de inglês que fiz no Brasil em ação. Logo, Daniel  já estava arrendando seu próprio caminhãoo e trabalhando como terceirizado para a empresa que ele tinha começado”.  

 

A pequena Maria Luiza sem falar nada de inglês e sem nenhum amigo por perto também deixava o casal apreensivo. “Mas sempre digo que se conseguimos chegar onde estamos hoje ela foi a maior colaboradora pra isso. Ela nunca reclamou, estava sempre disposta, entendeu a situação, sem cobranças. Muito independente e madura, ela foi realmente meu maior prêmio da loteria”.  

 

O mercado de trabalho

Com o visto de estudante, que apenas permite carga horária de 20 horas semanais, fora os horários que teria disponível por conta aulas dela e da filha, as possibilidades de emprego eram limitadas. A turismóloga se despiu de ‘pré-conceitos’ e partiu para a luta.  

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Cuiabanos pelo mundo - casal na austrália

 

Seu primeiro trabalho em hotelaria foi como camareira. “Minhas colegas eram engenheiras, arquitetas, enfermeira, todas juntas no mesmo propósito: melhorar o inglês e, talvez, conseguir um visto permanente aqui - o que pra mim na época não era prioridade ficar na Austrália. Depois de um tempo, isso passou a entrar na minha lista de desejos, mas em silêncio”.

 

O curso de inglês foi estendido para mais 6 meses e, depois de 1 ano completo na Austrália, Mariana conseguiu uma de bolsa de estudos em Diploma de Gerenciamento – seriam mais 15 meses.  

 

Foi então que surgiu uma oportunidade de emprego para Daniel no açougue de um amigo e ele poderia dar o visto de trabalho - o que já era um grande passo - e resolveu arriscar. “Nos mudamos pra cidade de Bunbury, uma cidade do interior a quase duas horas de viagem de carro de Perth. Foi uma experiência incrível e foi o primeiro lugar que me deu uma oportunidade maior também. Foi onde consegui uma vaga na recepção de um  hotel da cidade e fizemos grandes amigos”.  

 

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Cuiabanos pelo mundo - casal na austrália

Empresa teve início na garagem da casa e se baseava na oferta de cortes de picanha anunciadas no Facebook para brasileiros.

Algum tempo depois, em uma das visitas de volta a Perth, que normalmente o casal fazia aos finais de semana, Daniel teve uma conversa com um amigo sobre abrir uma loja pra vender cortes brasileiros de carne. “Como ele estava trabalhando no açougue, entendia um pouco sobre o negócio e decidiram atuar no ramo”.   

 

A empresa começou na garagem da casa e se baseava na oferta de cortes de picanha anunciadas no Facebook para os brasileiros que moram em Perth, sob encomenda. Após vários acontecimentos, o Churras caiu no gosto dos conterrâneos. De picanha passaram a vender fraldinha, maminha, rabada, produtos brasileiros em geral, como guaraná, pão de queijo, farofa, churrasqueira e entre tantos outros produtos.   

 

Então, veio a segunda filha, Sophia, e a família voltou a morar em Perth. Mariana passou ajudar Daniel no negócio, já que além de vender todos os produtos, os sócios estavam participando de eventos pela cidade, ofertando churrasco brasileiro. “A parir daí, não tinham chances, por vontade minha e dele, de voltarmos para o Brasil”.   

 

Com o negócio prosperando, o casal conseguiu visto permanente. Daniel deixou de vez o emprego e passou a se dedicar exclusivamente ao seu empreendimento que já dava sinais de sucesso. “Hoje o Churras, além de ser um açougue com loja própria com cortes de carne e produtos sul-americanos em geral, temos o food truck com o famoso churrasco brasileiro. E mais surpresas vêm vindo por ai!, avisa a esposa. “Meu maior orgulho, aquele cara que não falava nada, hoje lidera seu próprio negocio”.   

 

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Cuiabanos pelo mundo - casal na austrália

Com a chegada da segunda filha, Sophia, a família voltou a morar em Perth.

No início da empresa, Mariana ajudava o marido como podia, principalmente nos eventos, tendo que dividir tempo entre as crianças e o trabalho de auditora noturna em um hotel. Mas no final do ano passado, ela recebeu uma proposta tentadora e passou a atuar como gerente de uma acomodação universitária.  

 

“A rotina ainda é pesada, pois sem muita ajuda, temos que nos organizar na correria entre levar e buscar as crianças na escola e todas as atividades extracurriculares, além de sermos pais, donos de casa, marido e mulher, trabalhar fora e tudo em tempo integral”, declara a cuiabana, ressaltando que foram 8 anos para conquistar um cargo de gerente e considera que ainda falta um bocado ainda para crescer na carreira.   

 

Naturalmente, algumas vezes, a culpa bate e surge o desejo de poder fazer mais, ou ter mais tempo em família, porém, o casal sabe que estão busca do melhor para as meninas.

 

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Cuiabanos pelo mundo - casal na austrália

 

“Estamos construindo o futuro delas e para elas. Posso dizer que mesmo com toda essa correria, a qualidade de vida que temos aqui é compensadora. A segurança, o livre acesso, as oportunidades de já terem conhecido tantos países ao redor e a própria Austrália”.   

 

A família já viajou para Bali, Tailândia, Vietnam, Singapura, Malasia, Dubai, Melbourne / Mount Buller. O tanto de planos que podemos fazer sabendo que aqui pode ser mais que ficar apenas na imaginação, é incrível!”.      

 

O futuro   

Para aplacar a saudade, os planos para o futuro é colocar o Brasil mais na lista de férias. “Em quase 9 anos de Austrália, voltamos uma vez apenas”, lamentam.

 

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Cuiabano pelo mundo - Mariana

 

O casal enfatizam que, apesar dos familiares os visitarem constantemente para matar a saudade, querem reconectar as filhas às origens dos pais.

 

“Quero também rever lugares e pessoas que vão ficando distante do pensamento”, comenta Mariana.  

 

Ao que parece, o futuro será mesmo em terras estrangeiras. “Nossas filhas são mais australianas do que brasileiras. Daniel espera poder expandir o negócio. Além disso, acabamos de construir nossa casa, adotar um cachorro e ainda temos muito pra fazer por essa Austrália”, finaliza.

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