ESPERANÇA EM CUIABÁ 11.02.2021 | 19h04

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Otmar de Oliveira
A vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades, e os idosos acima de 85 anos, que entraram na fase de vacinação contra a covid-19 nesta quinta-feira (11), são a prova viva disso. Com diversas histórias, os 2460 idosos deste grupo de vacinação tiveram a chance de presenciar um momento histórico no fim da passagem pela vida.
Uma das histórias é do casal Eni Rondon de Lima e Ananias Martins de Lima, ambos de 88 anos, que ainda vivem o “amor nos tempos da covid-19”. Casados há 61 anos, eles não só celebram a imunização contra o novo coronavírus, como também o aniversário de casamento e do próprio seo Ananias.
“Esse foi um presentão, né? Essa vacina hoje, por ser meu aniversário, coincidiu muito, porque não foi nada programado. Meu filho é médico e agendou pra mim e a gente não tem conhecimento dessas coisas, eles tem mais facilidade”, disse, ao lado da esposa.
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O casal se resguardou por um ano dentro de casa, para evitar a contaminação. No entanto, a filha mais velha, de quase 60 anos, acabou diagnosticada com a doença. “Vai ficando uma situação estressante, cansativa. Você não pode sair praticamente pra nada, porque a doença é muito grave e estamos vendo os resultados, é aquela preocupação. Graças a deus a vacina chegou”, comemora.
No aguardo da segunda dose, Ananias, que já foi fazendeiro, diz que não vê a hora de poder ficar junto dos entes queridos. O filho que acompanha os acompanha, João Marcos Lima, também celebra a imunização dos pais.
Médico, ele foi vacinado na primeira fase de prioridade, mas afirma que, se pudesse, sacrificaria a sua dose para eles. “Mas tem que respeitar as regras. Tem um ano que não dou um abraço deles”, conta.
Idosa política
No alto dos seus 91 anos e meio – como fez questão de corrigir -, Nadir Pinto de Arruda estava lúcida e eufórica após vacinar. Ainda que tenha problemas auditivos, a senhora de voz baixa, falava bastante, enquanto aguardava os 20 minutos durante observação pós imunização.
Nadir, que mora sozinha, foi levada até o Centro de Eventos do Pantanal por uma amiga, Gislene Gomes Castro, 56 anos. Ela, que dirige até hoje, atua ativamente em diversos grupos políticos. “Do jeito que ela está, queria chegar assim com 90 anos”, diz Gislane.
“Sai do serviço pra trazer ela. Somos amigas, trabalhamos no Sine então praticamente somos nós que cuidamos dela, porque não tem quem trazer ela”, explica a amiga.
Também ansiosa pela vacinação, a idosa é independente e saia de casa apenas para serviços essenciais. “Eu saio! sabe por quê? Mas com cuidado, logicamente. Eu tenho que buscar minha comida todo dia, então vou ao restaurante, pego minha comida e volto pra casa, e vou dirigindo”, diz orgulhosa.
Ao contrário do que dizem, sobre “idosos gostarem de bater perna”, Nadir também quer ficar sossegada em casa, mesmo quando a pandemia acabar. “Eu vivo continuamente. Não vou ao cinema porque tenho Netflix, assisto em casa”.
Ela vive seus melhores momentos na internet, onde participa de diversos grupos nas redes sociais. Até mesmo já teve a experiência de ser notada por uma política famosa. “Eu escrevo muito. Outro dia um conhecido me falou, sabe quantas vezes seu post foi curtido? 250 mil vezes. Qual foi minha surpresa, uma vez a Dilma respondeu meu post e disse que lê tudo o que eu escrevo. ‘Muito obrigada por seu apoio em Mato Grosso’, ela disse. Eu sou muito política”, confidencia.
Neta vacina avó
A enfermeira Kaline Mendonça Brasil teve um momento marcante em sua carreira nesta tarde de quinta-feira. Ela foi a responsável por vacinar a própria avó, Esmeraldina Mendonça Brasil, de 85 anos. “Eu estava ansiosa para vacinar. Não, tenho medo de agulha não! Eu tive 9 filhos de parto normal, até que fiz uma cesárea, pra não ter mais filho!”, afirma Esmeraldina.
“Quero ir na casa da minha família todinha, beijar e abraçar todo mundo, levantar a mão pro céu e agradecer pela graça recebida. Obrigada por estar junto da minha família”, agradece a senhora.
Por sua vez, Kaline não consegue esconder as lágrimas, que tem os olhos da mesma cor que o nome da avó. Também vacinada primeiro do que os mais velhos, por fazer parte da prioridade do grupo de risco dos profissionais da saúde, ela não via a hora de ver os parentes imunizados.
“Agora fico mais tranquila, que o medo é esse, levar pras pessoas queridas que estão próximas de você, ainda mais nós que somos profissionais da saúde, é um risco disso acontecer”, alerta.
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