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'VERGONHOSO E OBSCENO' 17.05.2020 | 13h15

Pioneiro em Cuiabá, sex shop sofreu ameaça de fechamento

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No início dos anos 1990, o economista Edson Lopes tinha acabado de sair de um emprego e com dinheiro guardado para abrir um negócio em Cuiabá. O critério de escolha era inaugurar algo inédito na capital e foi assim que entre uma loja de cosméticos e um sex-shop, o empresário e a esposa, Cicera Maria de oliveira, inauguraram, em 1992, o Erótika Cuiabá sex shop, que até hoje oferece "brinquedos" adultos na rua Pedro Celestino.


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João Vieira

 / Edson Lopes e Cicera Maria de Oliveira / Matéria /

 Casal abriu o comércio quando não havia nada do segmento em Cauibá

 

Ele já tinha morado em São Paulo, onde as tendências chegam primeiro, e identificado o sucesso que os estabelecimentos do segmento faziam na época, quando o tabu relacionado ao sexo era muito maior do que hoje. Sim, em pleno século 21, falar de sexualidade, brinquedos e novidades ainda é território delicado.


A reportagem do esteve no estabelecimento, na manhã de uma quinta-feira, logo após a autorização para reabertura do comércio na capital. Uma jovem atende a equipe e chama o proprietário. Com cabelos já embranquecidos e camisa social, o economista conta como foi a trajetória até os dias de hoje, quando o comércio se aproxima de completar 30 anos.

 

Luiz Leite

Sex shop

 

“Na época foi um escândalo. Fomos hostilizados porque as pessoas achavam muito obsceno. Diziam que era vergonhoso. Teve até juiz que veio aqui falando que iria fechar. Mas estamos abertos até hoje”, conta o empresário.


Por 20 anos, o Erotika funcionou em outra sala comercial no centro histórico de Cuiabá. Porém, há 5 anos se mudou para o atual endereço, ao lado da escadaria que dá acesso à rua debaixo. A fachada é pequena, com espaço para dois manequins femininos que expõem lingeries sensuais e fantasias. O letreiro luminoso vermelho anuncia o segmento da loja. Para entrar, o cliente toca a campainha e é prontamente atendido.


Menores são proibidos de entrar no local. Durante anos, a vergonha dos clientes era tanta de ser visto entrando na loja, que o dono precisava ficar “de vigia” na porta para que o cliente não fosse flagrado frequentando a loja de “sex toys”.


“No começo sofremos grande pressão para fechar. Foram anos muito difíceis. Chegamos ao ponto de ficar do lado de fora da loja cuidando para que ninguém visse o cliente saindo do sex shop. O conceito, na época, era de que quem entrava em sex shop é homossexual. Que vem para comprar pênis, por incrível que pareça, o menor público que eu tenho é o homossexual”, lembra.

 

Luiz Leite

Sex shop

 Vibrador discreto

Edson Lopes releva que o perfil do consumidor do Erotika são casais. Geralmente o marido vai primeiro e compra itens para ambos. Se ele gosta, volta e leva a esposa para escolher novos produtos.


“As mulheres ainda têm vergonha de vir. Ai explico que ela pode escolher um horário e vir, que pode ser atendida por uma mulher. Tem a atendente e também minha esposa para explicar sobre os produtos. Eu só atendo aqui na frente quando me chamam”, esclarece.


Nos primeiros anos, o campeão de vendas era cosmético. Gel de massagem, bolinhas, óleo para sexo oral. As próteses (pênis) eram pouco procuradas. Hoje elas são mais buscadas, mas ainda não são os produtos mais vendidos.


“Naquela época as pessoas tinham vergonha até de comprar (as próteses). Apesar do discurso de liberação dos anos 80, na prática a realidade era outra. Nos primeiros 10 anos eu praticamente paguei para manter a loja. O preconceito barrava as vendas”, conta.


Houve épocas em que a hostilidade era tanta e espantava clientes, que o empresário precisou fazer uma entrada alternativa para a loja. Havia uma sinalização para entrada ao lado e um corredor que dava acesso à porta traseira no local.


Por cerca de 15 anos, o Erotika foi o único sex shop de Cuiabá. Até que uma rede abriu unidade na avenida Tenente Coronel Duarte, uma das principais da capital, mas fechou em 3 anos. Na época havia grande propaganda que donos de lojas adultas se tornariam milionários, mas a realidade não era essa.


“Eles queriam que fossem em avenida movimentada, não sei se tinha movimento, mas durou pouco”, relata.


A concorrente vendia muitos produtos importados, tudo era novidade. Os itens vinham principalmente dos Estados Unidos e eram muito caros. Hoje a importação é chinesa e além da variedade de produtos, há extensa diversificação de preços. O mesmo produto pode custar de R$ 650 a R$ 3 mil dependendo dos acessórios como controle por aplicativo, bluetooth, quantidade de velocidades, textura o material e outros detalhes.


Lopes conta que demorou para o público entender que o sex shop era uma loja. As pessoas confundiam com prostíbulo e procuravam por serviços de entretenimento adulto. “Tinha gente que perguntava se tinha sala para masturbação. Não, isso aqui é uma loja. Ahh, mas tem garota de programa? Não, isso aqui é uma loja. Isso não foi uma ou duas vezes. O sex shop (ponto G) tinha cabine de masturbação. A pessoa assistia a um filme e se masturbava. Já vieram me oferecer isso. Não, não quero. Eu tenho uma loja”, lembra.


Em tantos anos de críticas e pressão por fechar, Lopes conta que nunca pensou em abandonar o negócio. “A pressão é só incentivo para continuar. Se a gente tivesse problema com isso, não tinha aberto há mais de 25 anos”.


Lopes conta que até hoje atende clientes que frequentam a loja desde sua abertura. O público é fiel e consome com regularidade.


Produtos
Além de continuar com os tradicionais cosméticos que fizeram a fama do local, a loja tem próteses masculinas, partes intimas femininas em material que imita pele humana, vibradores para uso sozinho ou acompanhado. Um item muito procurado é um vibrador em forma de “U” que pode ser usado pelo casal simultaneamente. Ele estimula o clitóris e também o pênis na penetração.


Outro item oferecido na loja é destinado aos homens que têm dificuldade na ereção. Feito de material plástico, o item consiste em duas argolas ligadas por uma base plástica, que propõe uma espécie de “suporte” para que o membro fique rígido.


Vendas na pandemia
Tradicional, a loja teve problemas com o site e se concentrou nas encomendas por aplicativo, enquanto o comércio estava proibido de fechar por força do decreto.


Encomendas podem ser feitas pelo telefone (65) 9 8475 0312 (65) 3321 6921 ou pelo site http://erotikacuiaba.com.br/. Com o slogan “Pioneira do Estado”, a loja oferece discrição e sigilo absoluto. 

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