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serra do expedito 25.12.2019 | 07h15

Quase 3 meses após fim do garimpo, grileiros continuam sem resposta

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Retrospectiva 2019

 

Quando os policiais chegaram a Aripuanã (1.005 km a noroeste de Cuiabá), na tarde de 6 outubro, um domingo, o pequeno município de 22 mil habitantes achou estranho a movimentação. Não havia hotel ou pousada na área urbana e o alto número de policiais precisou se abrigar em uma escola e no quartel da Polícia Militar. No dia seguinte a população soube o motivo para o movimento: o fechamento do garimpo ilegal na Serra do Expedido, a cerca de 15 quilômetros da cidade.

 

Juntos, representantes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) fizeram o cerco ao garimpo que foi chamado de “Nova Serra Pelada”. Na área de quase 3 hectares, homens, mulheres e crianças dividiam barracas improvisadas em meio à mata, na busca do tão sonhado ouro.

 

No morro já sem a vegetação nativa, buracos foram cavados – alguns com mais de 60 metros de profundidade – para que os grileiros entrassem em busca do minério. Para muitos os túneis mal iluminados eram o único cenário visto por vários dias, pois voltar à superfície era perder tempo para encontrar ouro.

 

Com a chegada dos policiais, as reações foram diversas. Alguns correram para o meio da mata, outros se esconderam nos barracos e, poucos garimpeiros ousaram enfrentar os homens armados. Um deles morreu a se negar a sair da barraca de lona improvisada. Deixou seus poucos pertences, mas nada de ouro. Foi mais um que se aventurou e no garimpo perdeu até a vida.

Divulgação

Garimpo Aripuanã

 

 

Para evitar que outros voltassem, a Polícia Federal queimou máquinas, casas improvisadas e os pertences deixados para trás. A ação não impediu que novas tentativas de invasão ocorressem, porque muita gente não tinha como voltar para a cidade de origem.

 

No ápice da exploração, no começo de 2019, garimpeiros retiravam quilos de ouro e vendiam sem nem precisar sair do garimpo. Homens com grandes maços de dinheiro ficavam no local à espera dos grileiros para comprar o minério.

Especulações entre os garimpeiros eram de que alguns sortudos chegavam a ganhar quase R$ 10 mil por dia, mas, para isso, precisavam gastar com equipamentos e perfurar a terra, já que as jazidas eram profundas.

 

Com o garimpo implodido, as pessoas lotaram a zona urbana de Aripuanã. Bares cheios, falta de emprego e pessoas nas ruas fizeram a Prefeitura decretar estado de calamidade social. No entanto, nenhuma ajuda chegou do governo federal e a tão esperada regularização do garimpo ainda não aconteceu.

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