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riscos 24.09.2020 | 09h40

Saúde dos adolescentes piorou na pandemia, mostra pesquisa

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Dados preliminares da pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostram que a pandemia impactou sobremaneira a saúde mental, sexual e física dos adolescentes. De acordo com o urologista Newton Tafuri, presidente da SBU em Mato Grosso, o levantamento tem por objetivo entender como o adolescente, entre 12 a 18 anos, vê a sua saúde e principalmente como a pandemia do novo coronavírus impactou sua vida.

A pesquisa, cuja divulgação ocorre na Semana do Adolescente, revela que para 67,65% dos pesquisados houve o aumento de ansiedade, mudanças de humor e irritabilidade. O sedentarismo também foi um dado importante levantado: 60,29% afirmam que reduziram suas atividades físicas. Somente 5% afirmaram que não houve nenhuma alteração que havia prejudicado de alguma forma a própria vida.

 

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Nesse período o tempo de exposição diária às telas (acesso à TV, computadores, tablets, smartphones e jogos) teve um aumento substancial. Antes da pandemia, 17,39% dos jovens afirmaram que faziam uso das tecnologias digitais por mais de seis horas diárias. Após a pandemia, o índice subiu para 59,4%.

No crescente acesso às telas, foi observado que a forma de exercer a sexualidade durante a pandemia também sofreu algumas mudanças, já que 16% dos adolescentes afirmaram ter aumentado a frequência de sexo virtual e/ou masturbação via conteúdos eróticos on-line.

O sedentarismo e ingestão de alimentos ultraprocessados também aumentaram. Antes da pandemia, 82,3% dos adolescentes declararam fazer algum tipo de atividade física ao menos duas vezes por semana. Após, 53,6% declarou não praticar nenhuma atividade física ou apenas uma vez por semana.

Outro dado é que 67,1% dos adolescentes bebem refrigerantes, com frequência de uma a duas vezes por semana e 54,2% aumentaram a ingestão de junk foods (comida rica em calorias e de baixa qualidade nutritiva, como batata frita, salgadinhos, biscoitos recheados etc.)

O estudo faz parte da terceira edição da Campanha #VemProUro, criada para incentivar a ida dos meninos ao médico para avaliação, orientação e esclarecimento de medidas preventivas de saúde.

De acordo com o coordenador da campanha e responsável pela pesquisa, o urologista Dr. Daniel Suslik Zylbersztejn, esses dados são importantes para a compreensão de como a pandemia impactou a saúde dos adolescentes. “Muitas vezes a sociedade deixa de olhar para o adolescente, mas é importante observarmos que a qualidade de vida piorou, e refletirmos sobre como isso pode levar a questões mais graves, como a incidência de suicídios nessa faixa etária que se encontra em ascensão”, avalia.

Poucos consultam

O presidente da SBU/MT, Newton Tafuri, aproveita a oportunidade para reforçar a importância dos adolescentes passarem por consulta médica. “Já há uma rotina de crianças ao médico, porém esta rotina é quebrada na fase da adolescência, quando o corpo passa por várias mudanças, o que torna imprescindível o acompanhamento de um profissional”, pondera o urologista.

Neste sentido, a pesquisa revelou que o profissional de saúde nesta faixa etária é buscado especialmente em casos de urgência e emergência. Cerca de 30% dos adolescentes não vão ao médico regularmente, sendo as especialidades mais procuradas: clínico geral e pediatra.

Como já revelado em outras pesquisas anteriores, os meninos raramente vão ao médico urologista, especializado na saúde do homem, enquanto as meninas procuram com maior frequência o ginecologista. De acordo com os dados obtidos, apenas 1% dos adolescentes do sexo masculino já foi ao urologista e 34% das meninas fazem consultas anuais ao ginecologista.

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