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receitas são desaconselhadas 29.03.2020 | 18h15

Saiba mais sobre cada tipo de álcool para higienizar as mãos

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Eduarda Fernandes

eduarda@gazetadigital.com.br

Arquivo Pessoal

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A pandemia de coronavírus causou uma corrida pelo álcool gel nos supermercados e farmácias. Tão logo os primeiros casos foram confirmados no Brasil, o produto já estava em falta nas prateleiras de todo o país e em Cuiabá não foi diferente. O conversou então com a farmacêutica generalista, especialista em farmácia clínica, Hellida da Costa Alves, para saber quais alternativas são realmente eficientes para higienizar as mãos e também a nossa casa.

 

Hellida explica que sim, o álcool 70% líquido é tão eficiente quanto o álcool em gel, mas é preciso garantir que o produto tenha contato com todos os cantos das mãos. “O álcool em gel adere mais facilmente, ele tem textura semelhante à de um hidratante. Já o líquido pode escorrer e não atingir algum local da mão. A ação é a mesma, se ambos forem 70%, não tem problema. Não precisa colocar muito, mas sim deixar em contato por tempo suficiente, fazer movimento de concha e espalhar bem sobre as mãos por 20 a 30 segundos. Garanta que não apenas toque as mãos e escorra”, ensina.

 

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Quanto ao álcool 46%, Hellida diz que não é eficiente para eliminar o coronavírus. Ela explica que esse percentual representa o quanto de álcool existe na fórmula e o quanto é água ou outro componente. “Ser 46% significa que em 100 ml 46% vão ser álcool e o restante água ou outros produtos. O vírus é coberto por uma camada de gordura, que é o envelope viral, e nessa estrutura tem proteínas que auxiliam o vírus a se fixar nas nossas células. Quando a gente passa o álcool de 60% a 80%, ele dissolve essa camada e o vírus perde a capacidade de ligação. Com o álcool 46% isso não acontece”, ressalta.

 

O que acontece nesses casos é uma falsa ilusão de higienização, alerta a especialista, pois ao utilizar o álcool 46% o vírus ainda tem capacidade de se ligar às células do corpo humano. Já com relação ao álcool 96%, Hellida diz que a evaporação ocorre tão rápido que o produto não tem tempo para eliminar o vírus. “Dá a sensação de gelado e essa evaporação muito rápida não proporciona o tempo ideal de destruição do vírus. O álcool muito concentrado irrita as mãos e não faz a assepsia esperada”, salienta.

 

Receitas caseiras

Água oxigenada e álcool de posto de combustível também não são efetivos contra o coronavírus. “A água oxigenada não é recomendada. O melhor é substituir por sabão mesmo ou álcool de 60% a 80%. O álcool de posto não funciona porque a estrutura é diferente e ele não é eficaz”, pontua.

 

Quanto às famosas receitas caseiras que tomaram conta da internet, Hellida Alves também desaconselha a prática. “A orientação é não tentar inventar, não seguir receitas caseiras. Não tem como garantir a segurança e a eficiência do produto final. Os produtos vendidos nas farmácias passaram por testes laboratoriais e em casa não tem quem garanta a eficiência”, reforça.

 

O mesmo vale para quem compra o álcool 96% e acredita que se misturar água, conseguirá chegar aos 70%. Sem os equipamentos e estudos específicos, não há garantia de que o corpo estará realmente livre do coronavírus.

 

Sobre os produtos desengordurantes, são indicados apenas para limpezas de superfícies, explica Hellida, pois a maioria desses produtos contém cloro em sua fórmula, o que agride a pele.

 

Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou comercialização do álcool líquido 70% em embalagens de até 1 litro para facilitar o acesso da população ao produto. A comercialização do produto havia sido proibida por conta do grande número de acidentes. A liberação só ocorreu neste momento devido à pandemia de coronavírus. Contudo, reitera as orientações para que o álcool líquido 70% seja manipulado e utilizado com cuidado e que fique fora do alcance de crianças, tanto pelo risco de queimaduras quanto pelo risco de ingestão. A dica é fracionar o produto em frascos que contenham saída do tipo spray.

 

Quanto aos produtos de limpeza de superfícies e desinfecção de ambientes, a Anvisa recomenda dar preferência aos saneantes classificados nas categorias “Água Sanitária” e “Desinfetante para Uso Geral”. Entre eles estão o álcool gel (produzidos à base de etanol, na forma gel e em concentração de 70%), além de hipoclorito de sódio, ácido peracético, quaternários de amônia e fenólicos. É fundamental seguir a orientação de uso nos rótulos.

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