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pandemia 25.04.2020 | 13h15

'Se pegar, sabe que morre’, diz morador de rua abrigado em hotel

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

Morador de Rua / Albergue / Aluguel / Hotel / Coronavirus / Covid-19

A vida na rua durante a pandemia do coronavírus também teve o cotidiano alterado. Os detalhes são passados pelos amigos Ney Muller, 37, e Jeferson Viana, 35, que estão entre as 120 pessoas abrigadas no Hotel Mato Grosso, no centro de Cuiabá, por iniciativa da prefeitura, para evitar o contágio entre pessoas em situação de rua. Com futuro incerto, os amigos comemoram a medida, pois o medo de quem não tem residência é grande. “Se pegar também, já sabe que vai morrer. Ainda mais nós aqui”, lamenta Jeferson.


Na manhã de quinta-feira (23), Ney acordou cedo próximo ao 4º Batalhão da Polícia Militar de Várzea Grande. Na rua há 3 anos, depois que a mãe se casou e se mudou para outra cidade, ele costuma ficar em Várzea Grande, mas também anda pelo Morro da Luz e Porto.


Foi em uma igreja da região do Cristo Rei que ele decidiu passar a noite. No entanto, quando se levantou, encontrou uma edição do Jornal A Gazeta e leu a notícia do abrigo aos moradores de rua oferecido pela pasta.

 

Leia também - Prefeitura vai pagar R$ 80 para abrigar cada morador em situação de rua em hotel


“Eu sou usuário também. Estava usando ali, daí quando fui deitar, por coincidência tinha um Jornal A Gazeta. Quando abri, não é que tinha essa notícia ali, hoje cedo? Peguei e falei ‘o quê? Partiu Cuiabá!”, relembra.


Quando chegou a Cuiabá, encontrou o amigo Jeferson na fila do Restaurante Popular, que está oferecendo almoço de graça para a população de vulnerabilidade social. “Falei: ‘olha só você, sortudo!’. Eu estou indo pegar o acolhimento, vamos comigo’”, convidou.


Os companheiros dividem um quarto no Hotel Mato Grosso. Assistindo ao canal pago Telecine, que exibia o filme Infiltrado na Klan, Jeferson relembra que de manhã estava na Praça Ipiranga, sem muita opção de onde se abrigar.


“Estava bebendo lá de manhã, pensando em ficar por lá um bom tempo. Até que polícia chegou, numa pressão mesmo, mandando a gente sair dali. E eu falei ‘estou aqui porque não tenho pra onde ir, sou de Rondônia. Meu lugar é ficar aqui mesmo’. Mas eu estava mais limpo que os outros, eles me mandaram ir para outro lado, então decidi almoçar”, conta.


Natural de Porto Velho (RO), ele conta que está nas ruas há 5 anos, após se separar da ex-mulher. Jeferson já andou por Rondônia, Acre e Manaus, e chegou em Cuiabá há um ano. Seu último emprego foi em um açougue.

 

O comércio fechado também prejudica os moradores de rua, segundo Jeferson, pois limita ainda mais a busca por emprego.
“As portas fecharam. Por um lado ficou assim, muita gente dando alimentação na rua e comércio fechado. E nós ganhamos dinheiro trabalhando né, se não trabalhar não tem condições. Não tem gente, não tem comercio... pra mim mesmo ficou ruim”, lamenta.


Ele ainda relata que entre a população de rua que há um medo de contrair a covid-19, porque sabem que “é morte na certa”. “Se pegar também, já sabe que vai morrer... Ainda mais nós aqui”, e ri pra descontrair. “Minha intenção é até mesmo voltar [para Rondônia], mais fácil lá. Se der entrada no hospital, o cara morador de rua, sabe que não vai ficar muito bom”.


Após o acolhimento, os amigos comentam que pretendem usar o tempo de isolamento no hotel para cuidar da saúde e pensar no futuro. A Secretaria vai ofertar 120 vagas do estabelecimento. Além da higienização, os novos hóspedes também foram vacinados contra a influenza.


“Pretendemos aproveitar esse tempo aqui, né, pra se cuidar mais, cuidar da saúde”, diz Ney. “Até porque não pode ficar na rua não!”, interrompe Jeferson, relembrando da medida da Organização Mundial da Saúde (OMS) de se manter em casa.


A iniciativa
O Hotel Mato Grosso, no Centro de Cuiabá, com capacidade para 120 pessoas, começou a receber na quinta-feira (23) moradores em situação de rua para a quarentena. O local foi preparado com todos os procedimentos de higienização e os protocolos de segurança para a chegada dos hóspedes, colaboradores do hotel, assistentes sociais e demais profissionais da Prefeitura de Cuiabá que estiverem envolvidos no abrigamento. Todos terão a disponibilização de álcool gel e máscaras, assim como serão adotados os critérios de limite de pessoas em cada ambiente, separação de mesas e cadeiras no restaurante, entre outras ações.


Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência, Wilton Coelho, uma equipe de abordagem irá percorrer a partir desta quinta-feira os principais pontos com maior concentração de moradores em situação de rua de Cuiabá para fazer o trabalho de sensibilização e orientação sobre a importância do isolamento social nesse momento de enfrentamento ao coronavírus.

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