DEU EM A GAZETA 10.09.2026 | 06h58

redacao@gazetadigital.com.br
Chico Ferreira
Quatorze anos após as primeiras desapropriações no Largo do Rosário, conhecido popularmente como Ilha da Banana, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) deu ordem de serviço para demolição dos imóveis restantes. A previsão é de que a ação seja executada em 60 dias, mas três moradores ainda residem no local. Em um dos casos, ainda não houve indenização.
Com um contrato de R$ 731 mil, a empresa Habit Construções e Serviços Eireli iniciou a execução dos serviços na última terça-feira (08). Conforme divulgado no Diário Oficial, o contrato prevê a demolição dos imóveis restantes, limpeza completa e regularização do terreno. Após a retirada dos entulhos, a área vai ser aterrada para seguir o declive do Morro da Luz até a avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha).
Originalmente, a área da Ilha da Banana estava inclusa no projeto de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e, posteriormente, dentro do lote do BRT (Bus Rapid Transit) do Coxipó. Ao longo dos anos, várias disputas judiciais definiram a desocupação e demolição da maioria dos imóveis. A área de 5.900 metros quadrados ficou em completo abandono e se tornou símbolo de medo. Enquanto esteve cercada por tapumes, usuários de drogas e pessoas em situação de rua ocuparam o local. Ainda há resquícios de dejetos, lixo e acúmulo de roupas, restos de móveis, portas e janelas jogadas.
De acordo com as informações fornecidas pela Sinfra, a área deixou de fazer parte do projeto do BRT. Agora, está em fase de elaboração o projeto de revitalização do Largo do Rosário.
Com o anúncio do início da limpeza definitiva da área, havia a expectativa de derrubada de todos os imóveis restantes na região, porém com a presença de moradores, ainda não foi definida a limpeza completa do terreno.
De acordo com a Sinfra, a moradora de uma propriedade em frente à Igreja Nossa Senhora de Rosário possui um acordo de desapropriação e deve desocupar o espaço em breve. Porém, na parte de cima da Ilha da Banana há um imóvel de 570 metros quadrados e a família estaria aguardando a liberação de valores judiciais para concluir o processo de desapropriação. O imóvel não deve ser alvo de demolição neste momento.
A família de José Demerval, de 72 anos, é proprietária do terreno há 68 anos. Dois de seus irmãos ainda vivem na propriedade, que abriga um comércio e dois salões. Eles afirmam que até o momento não houve acordo e que não há determinação para que deixem o espaço.
Segundo a família, eles enfrentam batalhas judiciais desde 2012 e, inicialmente, o governo do Estado ofertou cerca de R$ 280 mil pela propriedade, mas não aceitaram, pois a avaliação indicava valores superiores. Nos últimos anos a família perdeu parte da renda, pois deixou de alugar os salões e se tornou refém do medo com o aumento da criminalidade na região.
Se eles acertarem direitinho com a gente, vamos sair sem problema algum. Nós queremos sair, é melhor do que ficar, mas só queremos que paguem um valor justo, desabafa José Demerval.
Leia mais sobre cidades na edição de A Gazeta
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.