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NICO BARACAT 2 E 3 02.07.2019 | 18h29

Sorteados moram de favor enquanto esperam entrega de casas

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Despejada da moradia no Altos da Serra, Maria de Fátima Ataíde,57, foi morar no ginásio Quilombo, com mais dezenas de famílias que não tinham para onde ir. Viúva e cadeirante, hoje a mulher vive de favor na casa de amigas, enquanto espera as chaves da tão sonhada casa no Residencial Nico Baracat 3.

 

Maria de Fátima acompanhou a filha no protesto que reuniu dezenas de sorteados dos residenciais Nico Baracat 2 e 3 na frente do Ministério Público Estadual (MPE), em Cuiabá, na tarde desta terça-feira (2).

 

“É um sentimento de frustração, tristeza, decepção. É uma coisa que a gente está esperando há tanto tempo. Estávamos em uma área de APP, tiraram a gente de lá e falaram que em 6 meses estaríamos em nossa casa, mas isso não aconteceu”, desabafou a mulher que depende da ajuda alheia para as necessidades mais básicas.

 

Ela e a filha, Marcia Fabiane Ataíde, estavam em uma área no Altos da Serra, quando a Prefeitura de Cuiabá mandou que todos saíssem e os encaminhou para o Ginásio do Quilombo, onde famílias com crianças, idosos e deficientes passaram meses de forma precária, sem alimentação adequada, água potável e condições mínimas de conforto.

 

“Depois que mandaram a gente sair, colocaram uma casa do aluguel social, que durou por 6 meses. Mandaram a gente fazer a inscrição para a casa popular que seria entregue em fevereiro e até agora nada”, conta Marcia Fabiane.

 

Em fevereiro, a família de 5 pessoas, além da cadeirante, foi despejada. Marcia, o marido e os 3 filhos se mudaram para área rural, onde conseguiram trabalho. Maria de Fátima foi para casa de uma amiga que lhe oferece pouso. Sem poder andar e com aposentadoria cortada, ela depende da ajuda de conhecidos para comer, beber e para os remédios. “Eu só tomei água hoje, por isso estou fraca assim”, disse a mulher de corpo frágil e semblante abatido.

 

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Enquanto mãe e filha contam sobre a longa espera para realizar o sonho da casa própria, os demais manifestantes gritam “queremos nossa casa” e carregam cartazes onde lê-se “Queremos nossa casa” e “Queremos a chave do Nico Baracat 2 e 3”.
Fernanda Tereza Satiku Nishimito vive em situação semelhante. Um parente se mudou de Cuiabá e deixou que ela e a família morassem na casa cuiabana. “Eu tenho o endereço da minha casa desde o ano passado, até agora não entregaram. Eles não explicam nada, só falam para esperar”, afirma a sorteada.

 

João Vieira

Residencial Nico Baracat / Casas Etapa 2 e 3 / Ministério Publico

 Maria de Fátima depende da ajuda de amigos

A mulher relata que fez a inscrição para receber uma das casas construídas com recurso do programa Minha Casa Minha Vida quando estava de resguardo da filha caçula. Hoje a menina está com 4 anos.

 

O líder comunitário Mário Benevides é um dos organizadores da manifestação e afirma que os moradores querem uma posição definitiva para entrega das casas.

 

“As famílias que estão aqui não aguentam mais. São anos de espera. Queremos uma data mais próxima, que não seja no fim do ano”, afirma o representante, que já protocolou denúncia do Ministério Público Federal e Estadual (MPF e MPE) para que se apure o atraso nas obras.


Ao fim do protesto, o promotor de Justiça Alexandre Guedes recebeu os manifestantes para tratar da pauta reivindicada.

 

Outro lado

 

Sobre a entrega dos Residenciais Nico Baracat II e III, a Prefeitura de Cuiabá informa que:

 

- A entrega das chaves das 443 casas do Residencial Nico Baracat II deve ser realizada em setembro de 2019, conforme cronograma definido com a Caixa Econômica Federal (CEF).

 

- Com relação ao Nico Baracat III, o processo encontra-se em fase final de análise dos cerca de 2 mil recursos, referentes aos não aprovados em lista de pré-selecionados.

 

- Esses processos estão sendo analisando em conjunto com a Caixa, seguindo as diretrizes das portarias que regem o programa habitacional do Governo Federal. Posteriormente será realizado o sorteio que definirá os beneficiários.

 

- Por conta da depredação ocorrida em 2018 pela invasão de mais de 400 famílias, o Residencial necessita de reparos na pintura e estrutura física, que serão feitos em todas as casas pela Caixa Econômica Federal. Estas obras ainda não começaram.

 

- Entretanto, a Prefeitura de Cuiabá vem trabalhando em conjunto com o Gabinete do Deputado Federal Emanuel Pinheiro Neto, Caixa Econômica Federal e Governo Federal para que o aporte para a finalização do residencial seja liberado e a entrega seja realizada.

 

- A Prefeitura reitera que todo o processo é realizado de acordo com as diretrizes do Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal. E acrescenta que, o que é de incumbência do Município - processo de inscrição, seleção e primeiras análises documentais, têm sido executados com transparência e celeridade, seguindo as normas do programa.

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