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Cuiabá, Sexta-feira 28/02/2020

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refugiado 19.01.2020 | 17h00

‘Trabalhava 6 dias para comer um’, relata venezuelano em Cuiabá

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

Manuel Ramiro Barrientos Delgado - Venezuelano

Na esquina com a avenida do CPA, o venezuelano Manoel Ramiro, 57, é uma figura recorrente para motoristas e pedestres. Entre um emprego e outro, o simpático pintor cumprimenta todo mundo e senta embaixo de uma árvore, com uma placa verde-amarelo anunciando os seus serviços.

 

Natural da capital Caracas, ele morava em Barquisimento, quase do lado do Mar do Caribe, quando estourou a crise política e socioeconômica na Venezuela. Trabalhando como auxiliar de mecânico e notando que a fome se aproximava, ele não viu alternativa a não ser refugiar-se no Brasil.

 

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“Não supria as necessidades. Trabalhava 6 dias para conseguir comer um dia. Era [falta de] água, luz, energia... Tudo”, relembra Manoel.

 

Em 2018, ele chegou ao Brasil e ficou por um mês em Boa Vista (RR), até que a Organização das Nações Unidas (ONU) conseguiu trazê-lo para Cuiabá, em setembro. Quando foi recebido pela Pastoral do Imigrante, já partiu em busca de trabalho.


 Venezuelano

Manuel Ramiro Barrientos Delgado - Venezuelano

“Fiquei 4 meses e perguntaram no que poderia trabalhar, disse que poderia trabalhar com pintura. E em esse tempo todo aqui, os hermanos me ajudaram bastante, a Pastoral também. Me prestaram muito apoio, conseguiram um trabalho de pintura. Me ajudaram bem”, diz, agradecendo a Deus.

 

Há quase dois anos morando na capital mato-grossense, o trabalho como pintor proporcionou que Manoel conseguisse trazer seus três filhos e nove netos para morar com ele no bairro CPA 4 . O aluguel das “casas de fila”, como ele descreve as kitnets, custa R$ 350.

 

Além disso, ele ainda envia uma quantia para a família que ficou na Venezuela. Entretanto, às vezes passa por meses de “vacas magras”, quando não consegue trabalho. “Há meses que não pego trabalho, há meses que sim. Faz um mês que peguei o último”.

 

Ele relembra também que quando chegou, teve dificuldade para arrumar emprego. O pintor tem uma lesão na perna direita e usa muletas.“As coisas estão melhores. Mas trabalho é difícil. Quando cheguei a Cuiabá, eu tinha uma entrevista, mas negaram por causa da minha condição, porque sei que tem que ter muita responsabilidade. Uma empresa assumir minhas responsabilidades não é fácil, então decidi por minha conta pegar um trabalho como pintor e tem sido muito bom”.

 

Manoel avalia, no entanto, que sua condição mudou para melhor. Ele relata também os venezuelanos que vieram para a capital mato-grossense, conseguiram se estabilizar, por mais que não consigam empregos fixos.

 

“Conheci pessoas muito boas, humanitárias, muito agradáveis e respeitosas. Aprendi muito com eles. Muito respeito, amor, união e apoio, coisa que não tem na Venezuelana. Lá não tem nada disso e minha situação econômica não era boa, trabalhava e não dava. Aqui cumpriu toda as minhas necessidades e ajudou minha família”.

 

Sem pretensão de voltar, suas expectativas são conseguir um emprego fixo, como segurança em uma escola ou de estacionamento e trocar sua carteira de motorista venezuelana para uma brasileira, ao custo de R$ 800.

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