15.02.2007 | 03h00
O traficante Sidinon Simão Lima, 52, foi recambiado para Cuiabá ontem, no início da tarde. Considerado um dos grandes traficantes de Mato Grosso, Sidinon foi preso na periferia de Goiânia (GO) na terça-feira. Ele era procurado pela Polícia Federal desde o início de novembro, quando, durante uma operação da PF na chácara dele, localizada em Chapada dos Guimarães (67 km de Cuiabá), Sidinon conseguiu fugir.
O traficante chegou em Cuiabá pouco depois das 13h, em vôo comercial. Ele não quis prestar depoimento à PF e foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), para realização de exame de corpo e delito e transferido, logo em seguida, para o presídio do Pascoal Ramos. No aeroporto Marechal Rondon, de cabeça baixa, Sidinon negou que tivesse fugido da PF e alegou que se tratava de uma "armação". Negou também ser traficante, apesar de já ter sido preso outras vezes, inclusive em flagrante.
Conhecido da Justiça, ao ser questionado como tinha conseguido, das outras vezes, deixar a prisão e ser absolvido, Sidinon ressaltou: "Eu não consigo absolvição. É o juiz que me absolve".
O novo inquérito da PF contra Sidinon já está com a Justiça Federal desde o dia 17 de janeiro. Ele é acusado de tráfico internacional de drogas. A mesma denúncia, contra a esposa de Sidinon, Joana Batista Moraes de Lima e César Salvador da Silva, que seria um dos transportadores das drogas traficadas por Sidinon, já foi acatada pelo juiz da 3ª Vara Federal, Murilo Mendes, no último dia 8. Os dois também estão presos.
O delegado Ciro Tadeu Moraes, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que recebeu Sidinon ontem no aeroporto, informou que a PF vai instaurar um novo inquérito contra o traficante, desta vez para apurar o crime de lavagem de dinheiro. Segundo o delegado, a PF decidiu concluir primeiro o inquérito de tráfico de drogas, o que ocorreu em janeiro, para depois apurar a lavagem de dinheiro. Neste novo inquérito, a PF acredita que poderá detectar novas pessoas envolvidas com Sidinon.
Segundo o delegado Ciro Tadeu, Sidinon estava utilizando nome falso em Goiânia e tentava tirar documentos falsos. Ele estaria sendo mantido pela família e amigos neste tempo que esteve foragido. As investigações da PF apontam ainda que, depois de ter fugido de Chapada dos Guimarães, Sidinon teria passado por outros lugares antes de ir para Goiás. O delegado disse ainda que Sidinon vinha sendo monitorado. A prisão foi realizada pela PF de Mato Grosso com o apoio da superintendência de Goiás.
O delegado Ciro Tadeu informou que Sidinon negociava drogas com bolivianos e colombianos e possui ligações com organizações criminosas, mas que estas não eram constantes. "A investigação, desde a fuga dele, foi muito consistente e a gente ia conseguir chegar até ele mais cedo ou mais tarde", enfatizou.
As investigações da PF apontam que a maior parte da droga que Sidinon traficava ia para o Nordeste do país. A última apreensão, em novembro do ano passado, foi de 58 kg de pasta base. O delegado afirma que Sidinon conseguiu fugir da fazenda por se tratar de um lugar afastado. Ele teria sido avisado que carros da polícia se aproximavam. O delegado ressalta que os agentes chegaram a ver Sidinon correndo para a mata, nu, mas que não conseguiram pegá-lo. A PF acredita que ele deve ter se escondido por um tempo, para depois deixar o local. "Poderíamos ter alvejado ele, mas não era nossa intenção".
Em 1999, foram apreendidos 153 Kg de cocaína na mesma fazenda de Sidinon e ele foi condenado a 17 anos de prisão por tráfico de drogas e ficou em liberdade condicional até maio do ano passado. No Tribunal de Justiça de Mato Grosso, ele conseguiu reduzir a pena para 12 anos e se beneficiou do tempo que esteve atrás das grades. Já a mulher dele, Joana Batista, condenada em primeira instância a 11 anos, também por tráfico, foi absolvida pelo TJ. Além de Mato Grosso, Sidinon também respondeu inquérito em São Paulo, onde foi encontrado com 100 quilos de cocaína, mas foi absolvido em julgamento.
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