HABITAÇÃO 07.04.2026 | 09h52

redacao@gazetadigital.com.br
Christiano Antonucci
Os jovens de Mato Grosso e do Brasil afora estão sonhando cada vez mais com a casa própria. E não só com a posse do imóvel, mas com a possibilidade de construir a moradia do zero, do seu jeito, “colocando a mão na massa”.
Metade dos jovens de 18 a 28 anos diz que pretende comprar um imóvel, conforme aponta a pesquisa “Retratos do morar”, realizada pela Ipsos-Ipec e encomendada pelo Grupo QuintoAndar. É uma evidência de que a geração Z, de nascidos entre 1995 e 2010, planeja sair do aluguel o mais rápido possível.
Uma das cidades mato-grossenses que mais se destacam hoje na construção civil, Várzea Grande também tem jovens decididos a construir seu patrimônio começando literalmente do alicerce. É um público que quer, primeiro, comprar o lote, e depois erguer a casa aos poucos.
Jayne Ferrari, gestora de Portfólio do Grupo Trinus.Co., vê esse comportamento na procura por lotes nos dois bairros planejados criados pela companhia em Várzea Grande. Ambos ficam nas proximidades do Jardim dos Estados, numa das regiões mais pujantes do município.
Segundo ela, já nas primeiras semanas de comercialização, a empresa vendeu 200 das 496 unidades disponibilizadas no Vila Mercedes (o mais novo desses bairros planejados). Mas o que chama atenção, observa Jayne, é o perfil dos propensos compradores de lotes em bairros planejados de Várzea Grande.
Pesquisas internas do Grupo Trinus.Co. mostram que esses consumidores têm, em média, 37 anos. E 60% deles querem comprar um lote para morar, sendo que o imóvel construído no terreno seria a primeira casa própria de 28% desse público.
“É uma questão de valor, e valor não só patrimonial. A geração Z considera bastante os momentos em família, está mais dentro de casa, presente, e tem pensado mais num projeto de vida perene, sólido, que prioriza a casa própria em detrimento de outros bens que podem ser substituídos por serviços, como o carro, por exemplo”, analisa Jayne Ferrari.
Alternativa a valores altos de aluguéis
Solteiro e sem filhos, o trabalhador autônomo Lucas Scheid, de 33 anos, mora de aluguel em Várzea Grande e pretende construir sua casa nos próximos anos. Ele justifica sua decisão questionando o alto valor dos aluguéis (que chegam a 4% do preço do imóvel, segundo ele).
Lucas acrescenta: "e mais por questão de tranquilidade; ter um local seu, onde você possa fazer qualquer tipo de alteração e investimento sem correr qualquer tipo de prejuízo ou desgaste com locador".
Mas as altas taxas de juros praticadas hoje na economia, norteadas por uma Selic de 14,75% ao ano, podem desestimular o financiamento de imóveis. Foi o que reconheceu o presidente do Secovi-MT (Sindicato da Habitação de Mato Grosso), Marco Pessoz, num balanço de vendas do mercado imobiliário divulgado recentemente pela instituição. "Encarece as parcelas e acaba inibindo a decisão de compra."
Nesse sentido, a construção gradual da própria casa tem sido cada vez mais considerada entre o público que pretende sair do aluguel, sobretudo os jovens.
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