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ENTENDA 27.09.2026 | 09h30

Saiba como funcionará compra de dívidas pela União; haverão descontos de até 90%

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RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

Criada nessa sexta-feira (25) por medida provisória, a terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, chamada de Desenrola 3.0, traz mudança importante em relação às etapas anteriores.

 

A União poderá comprar em leilões, carteiras de dívidas inadimplidas e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação. Nas fases anteriores, os débitos eram negociados diretamente entre credores e devedores.

 

A expectativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis ao programa, com potencial para beneficiar até 15 milhões de pessoas.

 

Como funcionará?
A nova fase será voltada a dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original da dívida.

Para participar da operação, os débitos deverão estar em atraso de 720 dias a 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026.

 

Na prática, o processo será dividido em etapas:

 

1. A União realizará leilões para comprar as carteiras de dívidas.

 

2. Os credores apresentarão propostas de desconto.

 

3. As propostas serão classificadas pelo maior deságio oferecido.

 

4. O desconto obtido pela União será repassado integralmente ao devedor.

 

5. O consumidor poderá quitar o saldo à vista ou parcelá-lo.

 

6. No caso de parcelamento, as condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

 

Quem poderá participar?
A MP estabelece como critérios principais:

 

• Dívidas de até R$ 10 mil, pelo valor original;

 

• Inadimplência superior a 720 dias;

 

• Inadimplência inferior a 1.645 dias;

 

• Dívidas bancárias e não bancárias.

 

O Ministério da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais de renda e de priorização dos devedores.

 

Os leilões poderão ocorrer em lotes e separar as dívidas de acordo com sua natureza, entre bancárias e não bancárias.

 

Quanto será o desconto?
O deságio mínimo exigido nos leilões será de 90%, com o desconto obtido na compra sendo integralmente transferido ao devedor.

 

Assim, se uma dívida elegível de R$ 10 mil for adquirida pela União com o desconto mínimo previsto, o valor considerado para a renegociação será de R$ 1 mil.

 

O consumidor poderá:

 

• pagar o saldo de uma vez, mantendo o desconto;

 

• ou parcelar o valor restante, acrescido de juros, conforme as regras que ainda serão estabelecidas pelo CMN.

 

Quanto será investido?
A estimativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis à compra.

 

A previsão considera apenas uma parcela do estoque de R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito em agosto de 2026.

 

O governo estima:

 

• até R$ 75 bilhões em dívidas efetivamente renegociadas;

 

• até 15 milhões de pessoas beneficiadas;

 

• custo máximo de R$ 15 bilhões para a aquisição das carteiras pela União.

 

Os recursos deverão ser previstos nos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2027 e 2028.

 

Quando começa?
A implementação do programa seguirá cronograma previsto na MP:

 

• Setembro de 2026: publicação da medida provisória;

 

• Novembro de 2026: publicação do chamamento para apresentação das propostas;

 

• Dezembro de 2026: credores entregam as propostas;

 

• Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas;

 

• Fevereiro de 2027: assinatura dos contratos e início do repasse dos descontos aos devedores.

 

A partir de fevereiro de 2027 está previsto o início da quitação à vista ou do parcelamento dos valores pelos consumidores.

 

Tamanho da inadimplência
Dados do Tesouro Nacional citados pelo governo mostram a dimensão do problema.

 

Em agosto de 2026, havia R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso.

 

O levantamento aponta ainda:

 

• 83,9 milhões de pessoas negativadas;

 

• média de quatro dívidas por pessoa;

 

• valor médio de R$ 7 mil por pessoa;

 

• média de R$ 1,7 mil por dívida;

 

• 56% dos negativados eram mulheres;

 

• cerca de 55% do estoque correspondia a dívidas não bancárias.

 

Entre as dívidas não bancárias estão débitos com empresas de água, energia, telefonia e varejo.

 

O que mudou?
Nas duas primeiras fases do programa, a renegociação dependia da negociação entre consumidores e credores.

Na terceira etapa, a lógica muda: o governo passa a atuar diretamente na compra das carteiras de dívidas.

O desconto obtido nos leilões será transferido ao consumidor, que poderá escolher entre quitar o saldo de uma vez ou parcelar o valor restante.

 

Fases anteriores
Nas duas primeiras fases, o Desenrola alcançou cerca de 25 milhões de pessoas.

 

A primeira fase foi voltada a dívidas bancárias e não bancárias negativadas desde 2019:

 

• Mais de 8 milhões de operações de renegociação;

 

• R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas;

 

• 15 milhões de pessoas e famílias atendidas.

 

A segunda fase foi destinada a dívidas bancárias com inadimplência de 90 dias a dois anos:

 

• Mais de 5,5 milhões de operações;

 

• R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas;

 

• 10 milhões de pessoas e famílias atendidas.

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