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Vão voltar pro campo 24.08.2019 | 11h10

Greve histórica do Figueirense acaba por medo de lista negra

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Reprodução/Facebook

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A greve dos jogadores do Figueirense acabou. Não haverá mais WO, tanto entre os profissionais quanto na sub-23. Os atletas irão a campo contra o CRB por 3 motivos.

 

O primeiro, por respeito à torcida. O segundo, por ter atingido o objetivo. O Brasil todo tomou conhecimento da péssima gestão no futebol do clube. O clube, em 2017, repassou a administração do futebol à empresa Elephant. Por 20 anos.

Assumiu o clube com R$ 22 milhões em dívidas. Fechou 2018 com prejuízo de R$ 30 milhões.

 

Ela não conseguiu manter os salários, os direitos de imagem e nem os depósitos do Fundo de Garantia dos atletas. E eles decidiram não entrar em campo contra o Cuiabá, pela Série B, na terça-feira. O time sub-23 optou por não jogar contra o Santos, ontem. Dois WO vergonhosos. Mas, históricos.

 

Leia também - Por não entrar em campo contra Cuiabá, multa do Figueirense é de até R$ 200 mil

 

A Elephant resolveu ao menos a situação dos meninos do sub-15 e do sub-17. Não pagou ainda os profissionais e os garotos da sub-23. Os atrasos variam entre três e dois meses de salários e direitos de imagem. E o tempo aumenta em relação ao Fundo de Garantia.

 

O ex-goleiro do São Paulo briga na justiça, alegando que seu Fundo de Garantia não era depositado desde abril de 2018. Chegou a conseguir a liberação na justiça. O clube recorreu e a decisão foi revogada. Mas a briga judicial continuará.

 

Atletas do clube estão com sérios problemas. Ameaçados de despejo por não pagarem aluguel. Outros por ameaçados de prisão por não pagarem pensão alimentícia.

 

O capitão do time principal, Zé Antônio, foi citado na nota oficial divulgada pelo clube onde foi divulgado o acerto do pagamento dos garotos. Ele não só desmentiu uma possível liderança, como resolveu escancarar mais detalhes das dívidas.

 

Base - dez salários atrasados (juntando 2018 e 2019), CLT de agosto a novembro de 2018, férias e julho de 2019;

Comissões técnicas base e profissional - atrasado de novembro e dezembro de 2017, julho, agosto, setembro, novembro de 2018, férias de 2018 e salário de julho de 2019;

Funcionários - outubro, novembro de 2018 e férias de 2018.

Funcionários - sem recolher FGTS há vários anos;

Ainda sem pagar empresa de ônibus, cozinha, hotel e lavanderia.

 

Porém, a terceira, e talvez a mais importante motivação do fim da greve, foi o medo geral dos atletas de "entrarem em uma lista negra".

 

Serem vistos como problemáticos e não serem contratados por outras equipes, já que o atraso nos salários é uma prática comum nos clubes de futebol do país.

 

A direção do Figueirense e representantes da empresa Elephant já se reuniram depois dos WO. E tentam se acertar. Há a pressão da CBF e da Globo para que o time dispute até o fim a Série B, para evitar processos de assinantes do pay-per-view. Assim como o de equipes que se sentissem prejudicadas por terem perdido pontos para o clube catarinense.

 

Abaixo a nota divulgada pelo advogado dos atletas, anunciando o final da greve, na noite de quinta-feira (22).

 

"Como é de conhecimento público e geral, desde a última quinta-feira, quando protocolamos a notificação junto ao Figueirense FC, há paralisação das atividades, em virtude dos reiterados atrasos salariais, dos Direitos de Imagem e depósitos do FGTS de todo elenco profissional, categorias de base e demais funcionários do clube, que culminou com o W.O. da última terça-feira.

 

Desde o início, além de receber o que nos é devido em virtude do nosso trabalho já efetuado, também esperávamos contato da Diretoria Executiva do Clube, o que até hoje, não aconteceu.

 

Nós, atletas, cedemos e em troca a Diretoria se comprometeria com as datas de pagamentos definidas em conjunto. Ontem, desde o início da tarde, discutíamos o retorno das atividades com o jurídico do Clube. Ficou-se pactuado que haveria uma NOTA OFICIAL CONJUNTA, elaborada pelo nosso advogado e pelo jurídico do Clube.

 

Infelizmente, além do Figueirense FC não publicar a NOTA OFICIAL CONJUNTA, publicou nota unilateral, com alguns fatos que não correspondem com a verdade e ainda expondo nome de apenas um atleta. Nos foi informado que a decisão partiu unilateralmente do Presidente.

 

Reforçamos que estamos todos unidos, e não há líderes no grupo, todas as decisões são tomadas conjuntamente.

Enfim, não há mais negociação, pois a Diretoria do Clube não tem a menor intenção de diálogo com o elenco. Tentamos de todas as formas, mas o Presidente não nos da a mínima atenção, mesmo neste momento tão delicado, dando a entender que para ele está tudo normal.

 

Assim, em respeito à instituição Figueirense FC e à nossa torcida, que tem nos apoiado tanto, decidimos, mesmo sem que a Diretoria tenha cumprido com NENHUMA das nossas exigências, não tenha efetuado os pagamentos salariais e Direitos de Imagem, não dialogue conosco, retornar aos treinos amanhã, confirmando que estaremos em busca da vitória na partida de sábado.

 

Reiteramos que até o momento não há diálogo com a Diretoria Executiva, que parece ignorar o momento que estamos vivendo, e, que voltaremos as atividades em respeito instituição Figueirense FC e à nossa torcida. Porém, não podemos aceitar que estas condições continuem e, caso o impasse não seja resolvido pela Diretoria, poderemos paralisar as atividades novamente."

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