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tradição 15.04.2020 | 15h25

Saiba o que houve com 'Chama Olímpica' dos Jogos de Tóquio

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Tokyo 2020

Tokyo 2020

Valem absolutamente nada os pronunciamentos de Masa Takaya, o inesgotável porta-voz do Comitê Organizador Local dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, aqueles programados para 2020 e que o furacão impiedoso da pandemia Covid-19 arremessou para 2021. Nesta terça-feira, dia 14 de Março, Takaya novamente afirmou que o COL trabalha sem “Plano B”, garantiu que permanecem imutáveis as intenções de os Olímpicos se desdobrarem entre 23 de Julho e 8 de Agosto do próximo ano, assim como de os Paralímpicos acontecerem de 24 de Agosto e 5 de Setembro: “Essas datas estão definidas”.

 

É além de óbvio que qualquer pessoa com um mínimo de sanidade mental deseja que o planeta suplante a crise com segurança e dignidade. Proliferam, todavia, as dúvidas e as incertezas em relação à integridade dos Jogos. Afinal, mesmo que o Japão se ateste prontíssimo para abrigá-los, nas tais “datas definidas”, ninguém sabe de que maneira a pandemia afetará a preparação dos atletas de cada um dos 206 afiliados ao COI, Comitê Olímpico Internacional. O alemão Thomas Bach, ex-esgrimista que preside o COI, mantém a fé, aplaude os futuros competidores que, hoje, em hospitais e congêneres através do mundo, “exercem o seu ofício de procurar uma cura”. Mas não deixa de pedir aos outros :“Stay healty at home”. Ou, fiquem em casa.

 

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Toshiro Muto, o mega-empresário que saiu do mercado financeiro para comandar o COL, permanece cauteloso: “Ninguém pode assegurar que toda a situação estará sob controle até Julho de 2021. Desde o adiamento dos Jogos ao menos sete das 47 prefeituras do Japão, as suas regiões administrativas, decretaram “Estado de Emergência”. Na noite de terça o número de infectados, por lá, beirava os 7.700, com mais de 110 mortos. Por causa da Covid-19 o governo postergou, inclusive, a coroação de Akishino, o herdeiro do império do Sol Nascente. Dentre as posturas de proteção, o primeiro-ministro Shinzo Abe determinou até a cessação de visitas à pré-Pira Olímpica, de “Chama” acesa na Grécia em 12 de Março e de lá transportada a Fukushima no dia 20. Um belo simbolismo a escolha de Fukushima, vitimada por um acidente nuclear em 2011.

 

Emblema icônico dos Jogos, a “Chama” evoca a lenda de Ptolomeu, que surrupiou o fogo de Zeus e o entregou aos mortais. Na Era Moderna, porém, apenas apareceu, pela primeira vez, em Amsterdam/1928, incidentalmente, em função de uma idéia do arquiteto Jan Wils, que agregou uma torre ao projeto do estádio e teve a inspiração de lá implantar uma chama. O belga Henri de Baillet-Latour, então o presidente do COI, adorou a idéia, e a tornou um item essencial nos Jogos. Cada evento, no Verão ou no Inverno, ostentaria a sua torre, ou a Pira Olímpica, e o seu acendimento seguiria um ritual de fato maravilhoso.

 

Em Amsterdam, coube a um empregado do departamento de energia elétrica da cidade inflamar a torre de Jan Wils. Em Los Angeles/32, também houve uma pira, iluminada por lá mesmo. Para Berlim/36, todavia, o regime nazista de Adolf Hitler, determinado a exteriorizar o seu poderio, abusou do ritual. No velho Templo de Hera, em Olímpia, na Grécia, uma sacerdotisa captou raios do sol e inflamou um archote. Então, num verdadeiro revezamento, mais de 3.000 jovens carregaram uma tocha, de mão a mão, até o estádio de Berlim. Depois, para os Jogos de Londres/48 e para Helsinque/52, se repetiu o mesmo esquema, com um revezamento por terra. Para Melbourne/56, na Austrália, claro, se tornou inevitável um traslado por avião. De todo modo, a “Chama” viaja viva, em diversos lampiões que a preservam, para o caso de uma das amostras se apagar.

 

No transcorrer do tempo, e uma Olimpíada representa um intervalo de quatro anos, o ritual se aprimorou, tanto pela criação de desenhos sofisticadíssimos em cada pira, como pela escolha de quem se encarrega do seu acendimento. E nesse processo, claro, houve acidentes incríveis e também houve emoções inolvidáveis. Em Barcelona/92, Antonio Rebollo, um antológico arqueiro paralímpico, atirou uma flecha incendiária na pira, alimentada a gás. A platéia de Atlanta/96 testemunhou, impactada, Muhammad Ali, já com um Mal de Parkinson bem adiantado, a tremelicar na busca do ponto justo do acendimento. Em Sydney/2000, a estrutura pantográfica da pira emperrou e durante três minutos assustou os espectadores através do mundo todo. Em Atenas/2004, porém, de forma emocionante, graças às artes e à engenhosidade da avançada tecnologia, a pira se curvou, literalmente, para receber o fogo de Olímpia.

 

Ex-atletas, ambos com três ouros nos Jogos, a lutadora Saori Yoshida e o judoca Tadahiro Nomura mereceram a honraria do acendimento da pré-pira de Fukushima, uma alegoria em cobre, no formato de flor de cerejeira, que deveria manter o fogo intacto até se encerrar o evento de Tóquio, com o apagamento do fogo e a transmissão da bandeira dos cinco anéis a representantes dos Jogos de Paris/26. A programação original previa o revezamento da tocha por todas as prefeituras do País, até desembarcar no Estádio Olímpico da capital. Agora, só restará ao fogo de Zeus esperar, pacientemente, em três lamparinas, elas sim em revezamento, por uma autorização da Covid-19. 

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