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vazio sanitário 15.05.2020 | 17h39

'Embrapa age com dois pesos e duas medidas', avalia Aprosoja

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) declarou, nesta sexta-feira (15.05), que estranha a atuação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em relação à questão do vazio sanitário da soja, principalmente no Estado do Tocantins. Para a Associação, Empresa Brasileira está atuando com “dois pesos e duas medidas".

 

"Estaria a Embrapa, que conta com um orçamento público anual de quase R$ 3,5 bilhões advindos dos contribuintes, agindo desta forma? A resposta é “sim” para a Aprosoja, já que é assim que a Embrapa vem tratando essa questão”, pontuou a entidade.

 

Conforme release publicado no site da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura de Tocantins (Seagro), está autorizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) o plantio de soja para produção de sementes nas várzeas tropicais do Tocantins, durante o Vazio Sanitário, na região que compreende os municípios de Lagoa da Confusão, Pium, Formoso do Araguaia, Guaraí e Dueré. “A audiência que tivemos com a ministra do Mapa, Tereza Cristina, onde fizemos pessoalmente a defesa do Tocantins quanto à segurança técnica e sanitária e apresentamos um excelente relatório técnico da Comissão de Sementes e Mudas, foi fundamental. Ganhamos porque o Ministério decidiu baseado na ciência”, destacou na matéria o Secretário da Agricultura, Pecuária e Aquicultura de Tocantins, César Halum, que se reuniu com a ministra, em Brasília, no mês de fevereiro, juntamente com o vice-governador Wanderlei Barbosa, o diretor da Embrapa, Alexandre Freitas, e parlamentares. A mesma matéria ainda afirma que o relatório técnico que embasou essa liberação foi elaborado pela Seagro, Embrapa e Adapec. (https://seagro.to.gov.br/noticia/2020/4/27/plantio-de-soja-em-varzea-tropical-esta-autorizado-no-tocantins/)

 

Para esta safra, conforme informações da Agência de Defesa Agropecuária de Tocantins (Adapec), serão semeadas aproximadamente 62 mil hectares de soja dentro do vazio sanitário para produção de semente comercial, tudo, autorizado pelo Mapa, pela própria agência, e avalizado tecnicamente pela Embrapa (https://adapec.to.gov.br/noticia/2020/4/22/plantio-de-sementes-de-soja-nas-varzeas-tropicais-do-tocantins-ja-esta-autorizado-/)

 

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Plantação de soja

 

 

Conforme dispõe a Instrução Normativa nº 003/2020, da Adapec, em Tocantins está autorizado o plantio de soja na safra normal de 1º de outubro a 15 de janeiro, estendendo-se a colheita até o mês de abril. E estabelece, ainda, que o período de vazio sanitário neste estado vai de 1º de julho a 30 de setembro. Já a autorização para semeadura de semente de soja comercial que, excepcionalmente adentra referido período proibitivo, será determinada por janela de plantio, iniciando-se em 20 de abril e finalizando em 31 de maio de cada ano como data limite, sendo obrigatória a colheita da área plantada excepcionalmente no período do Vazio Sanitário até 30 de setembro.

 

Desta forma, para a Aprosoja, ocorre uma verdadeira “ponte verde” de semeadura de soja durante 365 dias do ano neste Estado, contrariando, embora avalizado tecnicamente pela Embrapa, o que a própria empresa autárquica dispõe em nota técnica ao afirmar que o “vazio sanitário é o período de no mínimo 60 dias sem a cultura e plantas voluntárias no campo, tendo como objetivo reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática durante a entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença na safra.” E prossegue dizendo que “o fungo que causa a ferrugem-asiática é biotrófico, o que significa que precisa de hospedeiro vivo para se desenvolver e multiplicar. Ao eliminarmos as plantas de soja na entressafra ‘quebramos’ o ciclo do fungo, reduzindo assim a quantidade de esporos presentes no ambiente". (https://www.embrapa.br/soja/ferrugem/vaziosanitariocalendarizacaosemeadura)

 

Em visita na data de 02 de setembro de 2019, no município de Lagoa da Confusão em Tocantins, com o objetivo de detectar e quantificar a presença da ferrugem asiática da soja dentro do Vazio Sanitário, o Instituto Agris, na pessoa do pesquisador, Ph. D. em fitopatologia, Erlei Melo Reis, constatou a presença da doença, com alta severidade do fungo nesta referida época.

 

O risco fitossanitário afeta não somente o Estado de Tocantins, como os estados vizinhos de Goiás, Pará e Mato Grosso, que iniciam seus plantios normais da safra de soja após a primeira quinzena de setembro, todavia, já com um alto índice de esporo do fungo da ferrugem asiática no ar, tendo em vista o plantio excepcional dentro do Vazio Sanitário em Tocantins, e mesmo, assim, repita-se, avalizado tecnicamente pela Embrapa.

 

A própria Embrapa reconhece esse risco, inclusive, propondo desde 2015, medidas preventivas contra a Ferrugem Asiática da soja em países vizinhos. Para o pesquisador da Embrapa Soja, Ricardo Abdelnoor, “o Brasil precisa tomar medidas preventivas contra a ferrugem asiática da soja em seus estados produtores. Mas a solução do problema passa por ações conjuntas com Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, uma vez que os esporos do fungo migram facilmente com o vento e, estando presentes em um país, podem infestar o outro". E prossegue, "se quisermos um controle efetivo, além do Brasil, temos de ter ações em outros países também. Há a necessidade da normatização efetiva e conscientização dos produtores e técnicos de todos os países. Temos de pensar em boas práticas agrícolas." (https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/3469192/paises-da-america-do-sul-devem-se-unir-no-combate-a-ferrugem-asiatica-da-soja)

 

“Se há ricos fitossanitários com esporos do fungo da Ferrugem Asiática, migrando com o vento de países vizinhos a centenas ou milhares de quilômetros de distância, como fica a situação sanitária das lavouras de soja dos estados vizinhos do Tocantins, que estão num raio de aproximadamente 150 quilômetros?”, questiona a Aprosoja.

 

A partir daí, diante de tanta contradição técnico-científica da Embrapa, a Aprosoja, ao contrário da inércia do poder público e órgãos legais fiscalizadores, questionou formalmente a Embrapa sobre os seguintes pontos: “qual o posicionamento técnico da Embrapa sobre a presença de plantas vivas de soja dentro do período proibitivo do “vazio sanitário”, e se isso representa riscos fitossanitários para os estados produtores de soja? A Embrapa tomou parte, contribuindo tecnicamente para a liberação dos plantios para semente de soja durante o período do “Vazio Sanitário” nas várzeas tropicais do Tocantins?”, perguntou.

 

E a Associação continua. “Se sim, a Aprosoja solicita a disponibilização dos relatórios técnicos e publicações científicas que embasaram essa liberação, e se houve análise assertiva sobre genética de populações do fungo da Ferrugem Asiática, com fins de avaliação sobre resistência ao uso de fungicidas na soja semeada dentro do período proibitivo, bem como os riscos fitossanitários que isso representa para os plantios de soja já semeados no Estado de Mato Grosso, com a disseminação/severidade/mutação do fungo da ferrugem asiática da soja”, pontua. Todavia, até o presente momento ainda não obteve respostas.

 

Alex Silva/AE

Colheitadeira de Soja

 

A Aprosoja destaca que esse plantio de soja dentro do vzio sanitário em Tocantins é somente para semente comercial, e não permitido para o produtor produzir sua própria semente. E nessa mesma região do Tocantins estão instaladas empresas multinacionais e nacionais produtoras de sementes, inclusive de Mato Grosso, associadas da Associação dos Produtores de Sementes (Aprosmat), as quais que usam esse período proibitivo para multiplicação.

 

“Estaria ocorrendo em Tocantins a supremacia do poder econômico, onde somente os grandes podem se aproveitar da excepcionalidade, e não o pequeno e o médio produtor para fazer sua própria semente? A Embrapa realmente estaria avalizando essa situação de opressão econômica, ainda que isso possa trazer riscos fitossanitários para todos os estados produtores de soja, já que Tocantins fica na região Central do país, se tornando um epicentro de disseminação da ferrugem asiática?”, pergunta a entidade.

 

Em Mato Grosso a briga, que para Aprosoja é do grande contra o pequeno, já ocorre em relação à pesquisa científica que vem sendo conduzida pela Fundação Rio Verde e Instituto Agris, para comparar o melhor período para produção de semente para uso próprio, se em dezembro ou fevereiro. Em Mato Grosso há uma limitação imposta para o plantio de soja em 31 de dezembro, e a Embrapa ratifica essa calendarização, afirmando que “qualquer plantio após essa data até o encerramento do vazio sanitário, pode causar uma ‘ponte verde’, e que o objetivo dessa calendarização é reduzir o número de aplicações de fungicidas ao longo da safra e com isso reduzir a pressão de seleção de resistência do fungo aos fungicidas".

 

Apesar disso, o que vem sendo demonstrado na pesquisa da Fundação Rio Verde e Instituto Agris, é que o plantio de soja para uso próprio em fevereiro ao invés de dezembro, é mais benéfico em termos fitossanitário e ambiental, e com o uso de 50% menos de fungicida, se comparado os dois períodos. E destaca, “esses plantios para fins de pesquisa em fevereiro sequer adentram o vazio sanitário, diferentemente do que ocorre nas produções de sementes comerciais em Tocantins que violam o período proibitivo".

 

Sobre esses plantios experimentais em fevereiro, a Embrapa chegou a mensurar um prejuízo para o estado de Mato Grosso de uma perda de 10% da produção, e R$ 3 bilhões com possíveis riscos que eles podem significar. “Ora, se referidos plantios que totalizam aproximadamente 750 hectares representam esse prejuízo, em quantos bilhões estimaria a Embrapa os prejuízos com quase 62 mil hectares de plantio dentro do vazio sanitário em Tocantins?”, questiona a Aprosoja.  

 

“Aqui em Mato Grosso, a opressão do poder econômico também insiste em permanecer, com setores sementeiros e a própria Embrapa, terminantemente contra essa pesquisa. Afinal, como a Embrapa explica essas contradições técnicas? A serviço de quem está a Embrapa, da ciência e da sociedade, ou de outros interesses ocultos econômicos? E o Ministério da Agricultura, responsável pela instituição do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja, ficará inerte nessa situação, ou chamará para si a responsabilidade para resolver essas incongruências técnicas da Embrapa?”, questiona a Associação.  

 

Para Aprosoja, “qualquer semelhança entre a luta do grande contra o pequeno em Tocantins e Mato Grosso é mera coincidência. Mas fica claro que a Embrapa adota ‘dois pesos e duas medidas’ para situações semelhantes”, finaliza.

 

Dois pesos e duas medidas - é uma expressão popular utilizada para indicar um ato injusto e desonesto, sem o uso de imparcialidade ou isenção de juízos pessoais, normalmente relacionada com situações similares que são tratadas de formas completamente diferentes, seguindo critérios aleatórios e a mercê da vontade das pessoas que as executam.

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