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DEU NA FOLHA 20.07.2020 | 11h58

Hotel de Arcanjo nos EUA avaliado em R$ 225 mi vai a leilão

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

João Arcanjo Ribeiro / José Riva

O Hotel Crowne Plaza, localizado na Universal Belvedere,  próximo ao complexo de parques da Disney, região nobre de Orlando, de propriedade do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, irá a leilão neste segundo semestre por determinação do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O imóvel é avaliado em mais de R$ 225 milhões (US$ 42 milhões).  

 

A informação é do jornal Folha de S.Paulo, que aponta uma série de bens que serão colocados em leilão. Os itens estão sob a responsabilidade da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e os recursos arrecadados irão para o Fundo Nacional Antidrogas (Funad), podendo ser usados antes do fim do processo judicial.  

 

O hotel de Arcanjo está na lista dos bens mais valiosos no leilão, avaliado em US$ 42 milhões. Ao todo foram liberados 3.427 ativos para serem leiloados. Ainda de acordo com a Folha, os itens confiscados vão desde joias até veículos de luxo, barcos, aeronaves e imóveis.  

 

Leia também - Justiça suspende CPI da Semob após pedido de secretário

 

Além e arcanjo, constam da lista joias do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que foi preso na Operação Lava Jato, e bens do traficantes, Fernandinho Beira-Mar, Antônio dos Santos Damaso e Luiz Carlos da Rocha, conhecido como "Cabeça Branca", que ficou conhecido como o ‘Pablo Escobar do Brasil’.  

 

O hotel em Orlando foi confiscado durante a Operação Arca de Noé, deflagrada em dezembro de 2002 pela Polícia Federal, que desarticulou o crime organizado em Mato Grosso comandado pelo ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Porém, ele foi preso só em abril de 2003 no Uruguai.  

 

Arcanjo voltou a ser preso  na Operação Mantus, em 2019, que investigou ações de grupos criminosos que lavavam dinheiro por meio do jogo, em Mato Grosso. Ribeiro recebeu alvará de soltura no dia 25 de setembro de 2019 e é monitorado por tornozeleira eletrônica.    

 

Polêmica do Hotel  

O governo brasileiro entrou em uma polêmica com a Justiça americana por conta do hotel. A relação de crimes denunciados envolve evasão de dívidas, suposta cooptação do juiz da 7ª Vara Federal do Mato Grosso, Paulo Sodré, por uma quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão temerária.    

 

A história completa foi divulgada pela revista Veja. O governo brasileiro tem participação de 65% do hotel desde 2005. Os 35% restantes pertencem ao empresário brasileiro Zilberto Zanchet.  O interventor  Francisco Bomfim, um fiscal de rendas aposentado, foi  nomeado pela Justiça de Mato Grosso em 26 de junho de 2015 como o encarregado de administrar o empreendimento.  

 

O juiz federal em auxílio à corregedoria do Tribunal Regional Federal (TRF) Newton Pereira Ramos Neto, em despacho, apontou que o administrador Bomfim extrapolou seu papel de administrador.  Conforme o magistrado, Bomfim consumiu R$ 3 milhões por ano, doou mais de R$ 2 milhões à Igreja Batista Americana e do Brasil e aplicou R$ 22 milhões na compra de uma fazenda em Mato Grosso.

 

As movimentações, consideradas temerárias, foram denunciadas à corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).   Em decisão de 28 de março de 2016, Paulo Sodré inocentou Bomfim no caso da compra da fazenda ao avalizar a operação. Sodré argumentou que os gastos do hotel são judicialmente controlados, mas reconheceu que parte dos investimentos foram realizados pelo administrador sem prévia autorização e com manifestação contrária do Ministério Público Federal e da União.

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