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para excluir do júri 23.10.2026 | 16h57

Médico é denunciado por plano de atentado a promotora que iria 'fo*** com a vida dele'

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Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, médico indiciado pela morte da namorada, Ketlhyn Vitória de Souza, de 15 anos, em Guarantã do Norte (715 km de Cuiabá), foi denunciado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por planejar um atentado contra a promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo. Segundo a acusação, ele teria perguntado a outro detento se conhecia alguém disposto a cometer o crime e afirmado que pagaria uma quantia elevada pela execução. A Justiça recebeu a denúncia nesta sexta-feira (23).

 

O episódio teria ocorrido em 30 de junho deste ano, no Centro de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo, onde Bruno está preso preventivamente por outro processo. Conforme o Ministério Público, ele estava inconformado com a atuação da promotora em uma ação judicial de seu interesse e não queria que ela participasse de uma sessão do Tribunal do Júri.

 

Durante o banho de sol, Bruno teria perguntado a outro detento se conhecia alguém que pudesse praticar um atentado contra a promotora. Na ocasião, segundo a denúncia, afirmou que não queria a participação dela no Tribunal do Júri porque ela “iria foder com a vida dele”. Ele também teria dito que estava disposto a pagar uma quantia elevada pelo atentado, utilizando recursos provenientes de uma futura herança.

 

Leia também - Homem é condenado a 64 anos de prisão por matar ex-companheira e atual namorado dela em MT

 

O Ministério Público sustenta que as declarações tinham o objetivo de intimidar a promotora e impedir ou dificultar o exercício de suas funções. Dessa forma, denunciou Bruno pelo crime de coação no curso do processo, previsto no artigo 344 do Código Penal, que trata do uso de violência ou grave ameaça para favorecer interesse próprio ou de terceiros em processo judicial, policial ou administrativo, entre outras hipóteses previstas na lei.

 

Ao receber a denúncia, o juiz João Zibordi Lara, da 2ª Vara de Peixoto de Azevedo, considerou que a acusação atende aos requisitos legais e que existem elementos iniciais para dar andamento à ação penal. O magistrado, porém, destacou que o relatório policial registra que outros entrevistados não confirmaram a ameaça.

 

“Embora o relatório policial registre a ausência de confirmação da ameaça por outros entrevistados, a imputação encontra suporte inicial nas declarações atribuídas à testemunha, que noticiou os fatos, cuja credibilidade e suficiência deverão ser examinadas sob contraditório judicial. Nesta fase, não se exige prova conclusiva da autoria e da materialidade, mas a presença de elementos informativos mínimos que justifiquem a instauração da ação penal, os quais se mostram presentes, sem prejuízo de posterior reavaliação após a instrução.”, diz trecho da decisão.

 

Bruno deverá ser citado para apresentar resposta à acusação por escrito no prazo de dez dias. O recebimento da denúncia não significa condenação.

 

Morte da adolescente 

Ketlhyn Vitória de Souza, de 15 anos, morreu em 3 de maio de 2025, após ser atingida por um disparo na cabeça dentro de um carro em Guarantã do Norte. Na ocasião, ela e Bruno voltavam de uma festa sob efeito de álcool. Segundo as informações divulgadas durante a investigação, a adolescente dirigia o veículo enquanto estava sentada no colo do namorado, que manuseava a arma.

 

Bruno foi indiciado por sete crimes, entre eles feminicídio com dolo eventual, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, disparo de arma de fogo e dano ao patrimônio público, por supostamente danificar estruturas do hospital após saber da morte da adolescente. Também foi indiciado por servir bebida alcoólica a menor de idade, entregar veículo automotor a pessoa não habilitada e dirigir sob influência de álcool.

 

Na época, o médico alegou que o disparo havia sido acidental, afirmando que fazia uma “brincadeira” com a arma e não sabia que ela estava municiada. Ele se apresentou à polícia em 5 de maio de 2025, quando teve o mandado de prisão cumprido. No dia seguinte, a Justiça converteu a prisão em preventiva.

Bruno permanece preso na unidade prisional de Peixoto de Azevedo.

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