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sem solução 27.06.2020 | 14h00

Perri absolve e revoga prisão de réus na Chacina de Colniza

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João Vieira

João Vieira

O desembargador Orlando Perri, da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, votou pela absolvição sumária de dois réus acusados da Chacina de Colniza (1.065 km a Nordeste de Cuiabá). A decisão ainda prevê a revogação da prisão preventiva da dupla.


Pedro Ramos Nogueira, conhecido como “Doca” e Valdeir João de Souza, o “Polaco”, foram apontados como os réus do crime. Polaco, por sua vez, foi considerado o mandante da chacina. O crime ocorreu em abril de 2017.


Conforme a decisão, a defesa se baseou na presunção de que Pedro faria parte do grupo criminoso, pois foi visto na companhia de pessoas que integravam o grupo chamado de “Os Encapuzados”, segundo depoimento de Osmar Antunes.

 

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“Porém não existe um único depoimento em juízo que comprove que o acusado estava presente no local do crime, muito menos que tenha ceifado a vida de quem quer que seja”, defende.


A defesa de Valdeir, por outro lado, também afirmou que não existe no processo indícios suficientes de sua autoria ou participação no crime. “Valdelir João de Souza, por sua vez, sustenta que não foi autor nem partícipe dos fatos apurados, e que o magistrado de origem respaldou a pronúncia apenas e tão somente no combalido princípio do in dubio pro societate, mesmo tendo reconhecido e admitido a existência de questões pendentes de elucidação”, alegou.


Na conclusão, o desembargador afirma que o Ministério Público Estadual não se “desincumbiu” a contento do ônus probatório, e não conseguiu, por fim, trazer provas da participação de “Doca” e “Polaco” na chacina.


Ele ainda aponta que o depoimento de Osmar Antunes – uma das testemunhas do crime – é “altamente questionável”.
“É, para dizer o mínimo, altamente questionável quanto à autenticidade e credibilidade do relatado. Mas ainda que se pudesse considerar as informações trazidas por essa e por outras testemunhas, elas não conseguiram formar um acervo sólido e seguro que permita afirmar a participação dos recorrentes nos crimes que se lhes imputa a denúncia”.


Contudo, o julgamento da 1ª Câmara Criminal ainda não foi encerrado e aguarda decisão do desembargador Marcos Machado, que pediu vista.


Em 2019, Valdelir concedeu entrevista ao # GD, na qual afirmou que era inocente e que fugiu por medo de ser assassinado.


O caso
Segundo informações do Ministério Público Estadual (MPE), o pecuarista Valdelir João de Souza, conhecido como “Polaco Marceneiro” teria sido o mandante do crime. Ele estaria irritado com as vítimas que ocupavam terras.


No dia do crime, os acusados Pedro Ramos Nogueira, o “Doca”, Ronaldo Dalmoneck, o “Sula”, Paulo Neves Nogueira e Moisés Ferreira de Souza, o “Sargento Moisés” foram ao local, na GlebaTaquaruçu, e mataram as vítimas Francisco Chaves da Silva, Edson Alves Antunes, Izaul Brito dos Santos, Alto Aparecido Carlini, Sebastião Ferreira de Souza, Fábio Rodrigues dos Santos, Samuel Antonio da Cunha, Ezequias Satos de Oliveira e Valmir Rangel do Nascimento com vários tiros.


As vítimas estavam em suas casas e foram surpreendidas pelo grupo. Segundo a denúncia, os acusados atiraram em todos que encontraram nos 9 quilômetros percorridos. Todos fugiram em seguida, mas foram apontados por pessoas que moravam na região. Apenas Ronaldo Dalmoneck foi preso. Ele foi parado em uma blitz em São Paulo, no início de 2019.

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