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a guerra não acabou 12.02.2020 | 15h09

Combates em Idlib acirram crise humanitária na Síria

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Divulgação

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Há mais de um ano, o exército regular da Síria luta para conquistar Idlib, considerado o último reduto dos rebeldes, comandados principalmente pela Frente de Libertação do Levante (ex-filial síria da Al-Qaeda).

 

E quando um ditador, como o sírio Bashar al-Assad, decreta a vitória militar em um conflito, mas os combates prosseguem, mantendo o país em uma crise humanitária, a conclusão óbvia é a de que a guerra não acabou.

 

A situação tem caminhado para um impasse, que traz à tona os interesses estratégicos de potências regionais. A Turquia continua apoiando os rebeldes dentro desta Guerra da Síria, iniciada em março de 2011 e que já deixou mais de 380 mil mortos.

 

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O governo turco prossegue interessado na queda do presidente Assad, que tem o apoio da Rússia, e no combate a forças curdas dispostas a criar o Curdistão dentro do território turco.

 

Por outro lado, tem mantido atritos com o governo russo, numa situação paradoxal, já que Turquia e Rússia têm sido aliadas estratégicas contra os Estados Unidos, com acordos para a venda de sistemas antiaéreos russos e construção de gasoduto em região turca.

 

Nesta terça-feira (11), uma importante rodovia na província de Idlib, que liga Damasco às principais cidades do país, foi retomada pelo governo sírio, fazendo recrudescer o conflito com a Turquia, que mantém tropas na região. Há ainda a influência dos Estados Unidos, que permanecem envolvidos no conflito.

 

"A grande questão é o interesse de vários países na região. Os Estados Unidos retiraram tropas da guerra, mas mantêm forças em território sírio, temendo que a Rússia, que domina portos locais, tenha um controle praticamente absoluto no país. Há também interesse no petróleo. Não vejo perspectivas para uma resolução rápida desta situação", diz o professor Ricardo Gennari, pós-graduado em Política Internacional e em Inteligência pela Universidade de São Paulo.

 

As forças leais a Assad tiveram um helicóptero abatido nas proximidades da cidade de Nerab, dentro de confrontos que vêm ganhando escala nas últimas semanas.

 

Para o Observatório Sírio de Direitos Humanos, os combates têm mesmo se intensificado nesta ofensiva que o governo sírio considera crucial.

 

Mas que pode ficar travada, já que uma retomada dos territórios pode provocar um conflito para além das fronteiras, com o envolvimento da Rússia e da Turquia.

 

Nesta operação militar de larga escala, lançada em 24 de janeiro de 2020, com apoio e supervisão russos, o regime sírio alcançou o principal objetivo da operação, controlando completamente a rodovia internacional Aleppo - Damasco. Mais de 162 áreas em Idlib e Aleppo foram reconquistadas.

 

No entanto, segundo ativistas do Observatório, muitas mortes têm ocorrido nos conflitos, em ambos os lados, por causa dos bombardeios aéreos e terrestres.

 

Pelo menos 405 jihadistas, entre 545 combatentes da oposição, foram mortos até agora, além de 499 soldados do regime e partidários dos quais existem dez milicianos estrangeiros leais ao Irã. Milhares de moradores se tornaram refugiados.

 

Pobreza e tortura

Segundo relatório confidencial do Ministério do Exterior sírio, obtido pelo jornal berlinense Der Tagesspiegel, a crise humanitária assola a Síria. A economia está entrando em colapso e o abastecimento de alimentos é precário.

 

De acordo com o documento, 69% da população (mais de dois terços) vive com menos de dois dólares por dia, em estado de extrema pobreza. Além disso, opositores estão sendo submetidos a práticas de tortura autorizadas pelo governo de Assad.

 

E enquanto o país empobrece, o território sírio acaba sendo um laboratório, um palco para que as potências lutem por seus interesses de forma sangrenta e indireta. Os grupos regionais e o próprio governo sírio acabam se tornando marionetes, em uma situação que evita a guerra entre nações, mas perpetua o banho de sangue.

 

"Boa parte dos armamentos desta guerra é americana ou russa. Os Estados Unidos deixam de guerrear na Síria, mas retomam ações no Afeganistão e no Iraque, mostrando que mantêm olhar atento para toda a região. Há um permanente realinhamento de estratégias, que evita a guerra direta entre os países, mas dá continuidade à guerra entre grupos. O interesse mútuo, de russos e americanos, portanto, parece ser o de manter esses combates", conclui Gennari.

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