Memorial day 11.09.2026 | 15h27
Reprodução
Os Estados Unidos realizaram nesta sexta-feira, 11, cerimônias para marcar os 25 anos dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, que deixaram quase três mil mortos e centenas de feridos.
Os ex-presidentes americanos George W. Bush, que estava no cargo no dia dos atentados, Bill Clinton, Barack Obama e Joe Biden participaram de uma cerimônia no Memorial Nacional do 11 de Setembro, em Nova York. O atual vice-presidente dos EUA, JD Vance, também esteve no evento.
No local, a leitura dos nomes de todas as vítimas, que durou horas, começou com o toque de um sino, seguido por um minuto de silêncio.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, optou por não ir a Nova York e participou da cerimônia realizada no Pentágono, ao lado do secretário de Defesa, Pete Hegseth. No dia dos atentados, o republicano estava em Nova York, sua cidade natal.
‘Naqueles dias angustiantes após os ataques, vimos o verdadeiro espírito da nossa nação‘, disse Trump em seu discurso. ‘Naquele dia, éramos todos nova-iorquinos. Cada um de nós. Éramos todos nova-iorquinos. Éramos todos uma família.‘
Trump e Hegseth aproveitaram o discurso para fazer críticas ao Irã e agradecer aos militares que atuam no conflito no Oriente Médio.
‘Saudamos os militares que trabalham neste momento para garantir que o maior patrocinador do terrorismo no mundo, a República Islâmica do Irã, jamais tenha uma arma nuclear‘, disse o presidente.
Outros integrantes do governo americano foram para o Memorial Nacional do Voo 93, na Pensilvânia.
Em 11 de setembro de 2001, extremistas da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais e os lançaram contra o World Trade Center, em Nova York, o Pentágono e um campo próximo a Shanksville, na Pensilvânia.
Os impactos derrubaram as Torres Gêmeas do World Trade Center - símbolos do poder econômico dos EUA e que estavam entre os edifícios mais altos do mundo - e abriram um enorme buraco no Pentágono, sede do Departamento de Defesa, semelhante a uma fortaleza, nos arredores de Washington.
O quarto avião também seguia em direção à capital americana, segundo concluíram as autoridades, mas caiu na Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes invadiram a cabine e enfrentaram os sequestradores.
No Marco Zero, uma nova homenagem aos que adoeceram
Tradicionalmente, não há discursos políticos na cerimônia de homenagem realizada em Nova York, onde familiares das vítimas dos atentados leem em voz alta a longa lista de nomes, intercalada por momentos de silêncio em pontos-chave da cronologia dos ataques. Uma multidão de familiares acompanhou a cerimônia, muitos deles segurando fotos de pessoas que morreram.
Pela primeira vez, a cerimônia deste ano teve um momento de silêncio para homenagear as pessoas que foram expostas às nuvens de poeira tóxica liberadas pelo desabamento em chamas das Torres Gêmeas e que morreram posteriormente de câncer e outras doenças. Ainda há dúvidas sobre quantas pessoas desenvolveram problemas de saúde relacionados à poeira.
Impacto do 11 de Setembro permanece
A guerra global contra o terrorismo liderada pelos EUA incluiu as invasões do Iraque e do Afeganistão - esta última, a guerra mais longa de Washington -, além da detenção e de interrogatórios severos de suspeitos de terrorismo em uma rede internacional de prisões secretas da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês).
Os EUA localizaram e mataram o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, no Paquistão, em 2011, mas o acusado de ser o mentor dos ataques de 11 de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed, ainda aguarda julgamento, 23 anos após sua captura.
Os ataques transformaram as viagens aéreas nos EUA, levaram à criação de novos poderes federais de vigilância e coleta de informações de inteligência e de regulamentações bancárias, além de alimentarem um debate contínuo sobre o equilíbrio entre segurança e liberdade.
O Departamento de Segurança Interna, muitas leis estaduais de combate ao terrorismo e bilhões de dólares em recursos estaduais e locais para o contraterrorismo também foram criados após o 11 de Setembro.
O mesmo vale para a cultura de vigilância individual resumida pelo slogan ‘se vir alguma coisa, avise‘. O 11 de setembro gerou uma onda de patriotismo que levou alguns americanos a ingressarem nas Forças Armadas, nos bombeiros, na polícia ou em outras agências públicas.
Prefeito de Nova York é alvo de críticas
Em meio aos apelos por serviço e unidade nacional dos quais muitos se lembram, os ataques também alimentaram a desconfiança, o preconceito e os crimes de ódio contra muçulmanos.
Nos últimos 25 anos, os muçulmanos americanos passaram a desempenhar um papel cada vez maior na vida pública, de governos estaduais ao Congresso e à Prefeitura de Nova York, onde o democrata Zohran Mamdani é o primeiro prefeito muçulmano da cidade. Ainda assim, ele foi alvo de críticas por participar da cerimônia do aniversário dos ataques no Marco Zero, algo que seus antecessores fazem há anos.
Algumas das reclamações partiram do ex-governador republicano George Pataki e de familiares de vítimas, que citaram, entre outras coisas, declarações feitas no passado por alguns aliados políticos de Mamdani sobre os ataques.
O ex-prefeito republicano Rudy Giuliani também criticou a participação de Mamdani, embora os dois tenham apertado as mãos nesta sexta-feira enquanto aguardavam, junto com outras autoridades, o início da cerimônia.
Mamdani disse no início desta semana que ama a cidade e o país e que quer que a data seja dedicada às famílias das vítimas, aos socorristas e aos nova-iorquinos que ajudaram uns aos outros após os ataques, que classificou como um ‘ato horrível de terrorismo‘. O prefeito era aluno do ensino fundamental em Nova York em 11 de Setembro.
Painéis de Times Square interrompem anúncios
As homenagens se estenderam muito além dos locais dos ataques, incluindo feixes de luz projetados a partir do Monte Washington, em New Hampshire, uma subida de escadas no estádio de futebol americano da Universidade Estadual do Mississippi e uma cerimônia no memorial do 11 de Setembro em Honolulu.
O 11 de Setembro não é um feriado federal, mas o Congresso designou a data tanto como Dia do Patriota quanto como Dia Nacional de Serviço e Memória.
A organização voluntária 9/11 Day, fundada por familiares das vítimas, ajuda pessoas a encontrar oportunidades de voluntariado e, neste ano, providenciou para que dezenas de painéis publicitários da Times Square interrompessem seus anúncios às 9h11 desta sexta-feira. Em vez disso, os painéis simplesmente exibiram o horário.
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