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Onda de protestos 13.11.2019 | 08h47

Mortos vão a 7 na Bolívia e EUA retiram funcionários do país

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Lapaz / Getty Image

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O número de mortos durante os protestos na Bolívia aumentou para sete nesta terça-feira (12), após 23 dias de manifestações a favor e contra Evo Morales, que renunciou à presidência no domingo passado.

 

Leia também - Bloqueio na fronteira com a Bolívia completam 15 dias e prefeito contabiliza prejuízos

 

Estados Unidos emitiu um alerta elevando ao nível máximo (4) o risco de viajar à Bolívia. Em uma escala que vai de 1 a 4, o país permitiu também a saída de seus funcionários. Segundo o informativo, Estados Unidos afirmou que não pode prestar serviços de emergância aos cidadãos.

 
 

Segundo o Instituto de Investigações Forenses, 'nos 23 dias de conflito social no país, registrou-se duas pessoas mortas em La Paz, duas em Santa Cruz e três em Cochabamba', disse o procurador-geral, Juan Lanchipa Ponce.

 

De acordo com o procurador-geral, é necessário que "a população recupere a calma e a tranquilidade" para que esses fatos "não se repitam mais".

 

A maioria das vítimas morreu devido ao impacto de projéteis de armas de fogo, outras após serem golpeadas com objetos cortantes.

 

O balanço da Procuradoria-Geral não inclui a morte do comandante da Unidade Tática de Operação Policial de La Paz, que sofreu um acidente de trânsito enquanto trabalhava na contenção de protestos.

 

O coronel Herbert Antelo se acidentou ao tentar desviar de um cartucho de dinamite na estrada. De acordo com a polícia, ele acabou se chocando com um miniônibus.

 

O uso da dinamite por parte dos manifestantes tem sido habitual durante os distúrbios ocorridos na Bolívia desde 20 de outubro, quando a oposição denunciou uma suposta fraude nas eleições presidenciais.

 
Autoproclamação 

Evo Morales denunciou que o país presenciou "o golpe mais ardiloso e nefasto da história", declaração feita logo após a proclamação da senadora opositora Jeanine Áñez como presidente interina.

 

"Foi consumado o golpe mais ardiloso e nefasto da história. Uma senadora de direita golpista se autoproclama presidente do Senado e depois presidente interina da Bolívia sem quórum legislativo, rodeada de um grupo de cúmplices e protegida pelas Forças Armadas e pela polícia, que reprimem o povo", escreveu Morales no Twitter.

 

 

O ex-presidente denunciou à comunidade internacional que "a autoproclamação de uma senadora como presidente" viola a Constituição boliviana e as normas internas da Assembleia Legislativa.

 

Segundo Morales, a proclamação "ocorre sobre o sangue de irmãos assassinados por forças policiais e militares usadas para o golpe".

 

Áñez assumiu nesta terça-feira a presidência interina da Bolívia - vacante desde a renúncia de Evo Morales - em sessão no Parlamento que não contou com a presença dos representantes do MAS (Movimento ao Socialismo), partido do agora ex-governante.

 

"Assumo de imediato a Presidência do Estado", proclamou a senadora da União Democrata, que ativou a linha de sucessão após as saídas de Morales e de todos os cargos que estavam acima dela.

 

Antes de assumir a presidência interinamente, Áñez foi nomeada presidente do Senado, do qual era uma das vice-presidentes.

 

A Constituição boliviana estabelece que, na ausência do chefe de Estado, assumirão a presidência, na ordem, o vice-presidente do país, o presidente do Senado e o do Congresso. As pessoas que ocupavam todos esses cargos renunciaram após a saída do mandatário.

 

Morales, que aceitou asilo político do México, renunciou à presidência no último domingo, após ser pressionado pelas Forças Armadas e depois de uma auditoria da OEA (Organização dos Estados Americanos) apontar graves irregularidades na apuração dos votos das eleições presidenciais de 20 de outubro, nas quais ele foi reeleito em primeiro turno para o quarto mandato consecutivo.

 
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