OTAN 22.10.2026 | 15h32
Reprodução/Instagram
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) permitirá que a Ucrânia compre armas, munições e equipamentos militares por meio da Agência de Apoio e Aquisições da aliança (NSPA, na sigla em inglês), segundo o jornal britânico Financial Times.
Com a parceria, Kiev poderá obter suprimentos de defesa de forma mais rápida e barata, além de aproximar sua indústria de defesa dos aliados ocidentais.
‘Isso permite que a Ucrânia conte com uma estrutura mais organizada para aproveitar uma ampla gama de recursos que oferecemos: experiência em aquisições, serviços de apoio e acesso a uma base industrial consolidada', disse a diretora de apoio a operações da NSPA, Jacqueline Borsboom, em entrevista ao Financial Times. ‘Haverá ganhos de escala', afirmou. Jacqueline afirmou ao jornal que a Ucrânia poderia, por exemplo, solicitar à agência a compra de 30 mil uniformes.
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A chefe da Missão da Ucrânia junto à Otan, Alyona Getmanchuk, disse esperar que a nova parceria ofereça à Ucrânia uma ‘importante porta de entrada para o ecossistema industrial de defesa da Otan‘, além de ‘ampliar o acesso‘ aos contratos administrados pela agência de compras.
Em abril, a Otan já havia autorizado a participação de empresas ucranianas do setor de defesa em licitações para fornecer produtos à NSPA, abrindo oportunidades de negócios potencialmente lucrativas para a indústria de defesa do país, em rápida expansão.
Segundo o Financial Times, a NSPA organizou um evento em Kiev, na semana passada, com a participação de 150 empresas ucranianas, para apresentar os procedimentos para que os fabricantes se cadastrem como fornecedores habilitados e concorram a contratos.
As empresas ucranianas ampliaram rapidamente a produção de drones e outras tecnologias militares desde o início da guerra, em 2022, atraindo o interesse de governos europeus interessados em modernizar suas próprias Forças Armadas.
‘A inovação deles está avançando tão rapidamente neste momento que temos muito a aprender com isso', disse Jacqueline. ‘É, sem dúvida, benéfico para ambos os lados.'
O anúncio ocorre em um momento de tensão nas relações entre Washington e Kiev, em meio à percepção ucraniana de que os Estados Unidos - um dos países fundadores da Otan - passaram a apoiar a Rússia.
Recentemente, o presidente americano, Donald Trump, defendeu a suspensão das sanções contra o diesel russo, acusou o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, de prejudicar o abastecimento mundial de diesel com ataques a refinarias russas, e afirmou que ‘é hora de outra pessoa' negociar em nome da Ucrânia.
Nos últimos dias, Zelenski acusou Washington de atrasar deliberadamente a entrega prevista de mísseis interceptadores Patriot, essenciais para neutralizar mísseis balísticos e drones russos. Ele também havia afirmado que os EUA suspenderam o compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia, mas disse na terça-feira, 20, que a troca de informações foi retomada.
O enviado especial americano Steve Witkoff se reuniu na quarta-feira, 21, com o presidente russo, Vladimir Putin, durante quase três horas em São Petersburgo. Segundo o assessor do Kremlin Yuri Ushakov, Moscou afirmou estar disposta a retomar as negociações trilaterais com a Ucrânia e os EUA.
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