'SEM DIÁLOGO' 12.05.2026 | 11h52

yuri@gazetadigital.com.br
Lapada Lapada
Família de Valdivino Almeida Fidelis, servidor do Liceu Cuiabano, morto em uma ação da Polícia Militar, na noite de segunda-feira (11), no Goiabeiras, em Cuiabá, contesta a versão policial de que ele estava fazendo a ex-enteada refém e que teria apontado a arma para a cabeça da jovem. Para a família, a PM errou, mas isso não justifica a tentativa de ‘manchar a imagem’ do servidor.
Em entrevista ao programa Cadeia Neles, da TV Vila Real, a sobrinha de Valdivino – que não quis se identificar – contou que a família está sofrendo duas vezes, a primeira com a morte dele e a segunda com as informações que estão sendo divulgadas pelos veículos de imprensa e redes sociais.
“Ele não é isso que estão contando, ele não manteve uma pessoa em cárcere privado. Ele nunca faria isso, nunca apontaria uma arma”, disse. Segundo ela, o tio era uma pessoa alegre, contente, brincalhona e que amava a família e os amigos.
A jovem contou ainda que Valdivino estava em estado depressivo. “Como ela lá na casa, ele disse que iria se matar, mas não fez ameaças. Ele estava na casa dele, a ex-mulher saiu e a enteada foi lá voluntariamente, ele não invadiu a casa de ninguém”, disse.
O casamento de mais de 20 anos acabou há 3 meses por ciúmes. A família alega que, apesar do quadro depressivo, ele nunca fez nenhuma ameaça contra a mulher. “A enteada foi lá levar comida e ele pediu para falar com a ex-mulher, dizendo que ele iria se matar e depois era para chamar a polícia para tirar o corpo dele”.
A sobrinha ressalta ainda que, nas imagens, é possível ver que a enteada estava “livre”, “filmando e mandando mensagens para os familiares”. “Ele não é uma pessoa que teria coragem de matar alguém. Ele poderia se matar, ele estava em uma depressão muito forte, mas não mataria ninguém, muito menos ela, que a tratava como filha", disse ela ao repórter Alexandre Ferreira.
Ação equivocada
Para a jovem, a ação da Polícia Militar foi equivocada. “Ela não foi sequestrada, não foi feita de isca”. Apesar de não estar no local dos fatos, a sobrinha contou que uma prima estava e que viu a ação.
“Eles já chegaram atirando, não conversaram, não tentaram negociar. Ele não apontou arma, estava fechando a porta e o policial chegou atirando”, disse. Segundo ela, a casa está cheia de bala e sangue pelo chão.
“Ele não colocou arma na cabeça de ninguém. Tão manchando a imagem dele, falando coisas inverídicas. Eles erraram, tudo bem, mas não podem manchar a imagem dele para justificar o erro. Ele queria se matar, mas não matar ninguém. A gente espera Justiça”, finalizou.
O que diz a PM?
Segundo divulgado pela Polícia Militar e a versão que consta no Boletim de Ocorrência, os policiais militares da 24ª Companhia de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) foram acionados após denúncia de cárcere privado com uso de arma de fogo, em uma residência no bairro Goiabeiras.
Equipes do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), Batalhão de Operações Especiais (Bope) e Força Tática foram acionadas para prestar apoio.
Assim que os militares chegaram ao local da ocorrência, ouviram pedidos de socorro vindos do interior do imóvel. Após acessarem o quintal da residência, os policiais visualizaram o suspeito apontando a arma para a cabeça da vítima, enquanto fazia ameaças de morte, condicionando a libertação da mulher à retomada de um relacionamento amoroso com outra pessoa, por telefone.
Durante tentativa de abordagem, as equipes tentaram negociar a liberação da vítima, no entanto, o suspeito resistiu à ação, tentou fechar a porta da residência e apontou a arma em direção aos militares. Diante da situação, os militares efetuaram disparo contra o envolvido, que foi baleado.
Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou a morte do homem ainda no local.
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