EMPRESA MOVIMENTO R$ 11, 6 BI 24.09.2026 | 07h28

redacao@gazetadigital.com.br
Reprodução
O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto. Uma das ordens de busca e apreensão é cumprida em Várzea Grande.
O Gaeco de Mato Grosso está dando apoio à ação. Conforme apurado pelo
, a equipe cumpre busca na sede da empresa Tobras Distribuidora de Combustíveis - a Terrana, localizada em um prédio comercial na avenida Júlio Domingos de Campos, em VG.
Não há, até o momento, informações sobre a participação da empresa no esquema.
A ação conta com a participação da Receita Federal, Secretaria da Fazenda, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil, além dos Gaecos do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.
Ao todo, os agentes cumprem 29 mandados de busca e apreensão, vinculados a 13 pessoas físicas e 24 empresas. A investigação mira uma estrutura apontada como responsável por utilizar mecanismos complexos de lavagem de dinheiro para viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Segundo o MPSP, a organização criminosa teria sobreposto diferentes estruturas empresariais e financeiras para ocultar os verdadeiros proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo e, posteriormente, utilizar o empreendimento na aquisição da distribuidora de combustíveis.
A primeira etapa do esquema teria sido identificada durante a Operação Carbono Oculto. Conforme as investigações, fundos de investimento e empresas aparentemente independentes passaram a figurar formalmente como proprietários da usina, enquanto os reais beneficiários econômicos permaneceriam ocultos.
Posteriormente, um operador financeiro, apontado como titular de fintechs e outras empresas, teria utilizado a estrutura societária e financeira de seu grupo para movimentar recursos da organização criminosa e criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade da usina.
Um dos principais pontos identificados pelos investigadores envolve uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Segundo o MPSP, uma empresa ligada a uma sociedade de investimentos adquiriu os créditos por meio da transferência de cotas de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
A análise financeira apontou que parte relevante dos recursos utilizados na operação teria origem em fundos de investimento controlados pelo mesmo grupo investigado. Para os investigadores, a estrutura criou um fluxo financeiro circular que dava aparência de legitimidade às transações e dificultava a identificação dos reais beneficiários.
Aquisição da distribuidora
De acordo com a investigação, a estrutura montada para ocultar a titularidade da usina teria sido utilizada posteriormente para viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
A operação teria envolvido banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada. A estrutura, segundo o MPSP, teria sido organizada para distanciar os recursos supostamente ilícitos dos verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos do negócio.
A usina teria recebido R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição. Os valores teriam passado, em poucos minutos, por contas de três empresas do grupo, ocultadas por meio de contas-bolsão em fintechs, utilizadas, segundo a investigação, como contas de passagem.
Posteriormente, a usina passou a integrar a carteira de um novo fundo de investimento criado especificamente para a operação. Os R$ 100 milhões teriam sido aportados nesse fundo.
Na sequência, conforme a investigação, foi utilizado um Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV). O fundo teria adquirido um CDB de um banco tradicional, que utilizou os recursos em uma operação casada com a emissão de duas cédulas de crédito bancário destinadas a empresas de fachada ligadas à organização criminosa.
Segundo os investigadores, essas empresas foram utilizadas para ocultar e dissimular os verdadeiros beneficiários da operação de aquisição da distribuidora de combustíveis.
Blindagem patrimonial
A investigação também identificou a utilização de recursos para a aquisição integral das cotas de um fundo imobiliário. Os imóveis que davam suporte econômico à operação teriam sido previamente transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos imobiliários.
Com isso, conforme o MPSP, os bens permaneceriam sob controle econômico do grupo investigado, mas deixariam de figurar diretamente no patrimônio pessoal dos envolvidos, dificultando a identificação dos reais proprietários.
Segundo os investigadores, fintechs, empresas sucroalcooleiras, fundos de investimento, holdings e empresas-veículo desempenhavam funções diferentes dentro da estrutura.
A fintech seria utilizada para circulação e fragmentação dos recursos; a usina, para receber e incorporar os valores à atividade econômica formal; os fundos, como financiadores de fato; as holdings, para realizar aquisições; e as empresas-veículo, como uma camada adicional de separação entre a origem dos recursos e os beneficiários dos ativos.
Os fundos imobiliários, por sua vez, teriam sido utilizados para concentrar imóveis vinculados aos investigados, oferecendo garantias e suporte econômico às operações e mantendo os bens em patrimônios segregados.
R$ 11,6 bilhões
Um dos dados que chamou a atenção dos investigadores é a movimentação financeira da empresa utilizada na aquisição simulada da usina sucroalcooleira. Segundo o MPSP, a companhia movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
Para os investigadores, o volume movimentado, associado às demais evidências reunidas, reforça os indícios de utilização de estruturas financeiras e de investimento para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais.
A apuração aponta ainda que diferentes operadores do mercado financeiro teriam atuado na construção e interligação das estruturas utilizadas no esquema. A investigação busca identificar a participação de cada envolvido e esclarecer a origem dos recursos empregados nas operações.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.