DISSE QUE NÃO QUERIA MAIS 09.06.2026 | 10h24

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Alexandre Ferreira/Cadeia Neles
Josivany Borges de Amorim Rodrigues, 45, foi assassinada e teve o corpo queimado, no dia 1º de junho, em Várzea Grande, após se negar a fazer sexo com Gabryel Junio de Almeida Dirceu, 20, preso nesta segunda-feira (8), pela Polícia Civil. Eles chegaram a combinar um programa sexual, e o pagamento seria em droga e dinheiro. Ela consumiu droga com ele, mas recusou o sexo. Gabryel não gostou e cometeu o crime sexual e contra a vida da vítima.
Segundo as informações da delegada Jéssica Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Josivany e Gabryel não se conheciam. “Eles tiveram um breve encontro, no dia 31 de maio, à noite, em que ele a avistou na praça, no Centro de Várzea Grande, e se interessou por ela”, conta.
Em seguida, ele a abordou, conversaram e combinaram um programa sexual em troca de dinheiro e drogas. Delegada cita que, em depoimento, Gabryel ressalta que eles tiveram uma discordância antes do ato sexual. “A vítima se arrependeu. Chegou a consumir a droga em uma residência abandonada e depois falou que não queria mais”.
Ao tentar ir embora, foi seguida pelo suspeito. Esse é o momento em que as câmeras de segurança filmam o suspeito e a vítima na rua do crime. É possível ver ainda o assassino empurrando a vítima e a levando para o matagal, onde ela foi estuprada e morta.
“Na versão dele, ele diz que a vítima o atacou com uma faca que estava dentro da bolsa dela. Admite que a empurrou para o mato diante da discordância dela em praticar o ato sexual. Disse ainda que ‘agora você vai, já consumiu a droga, eu te paguei’, lembra Assis.
Porém, ela ressalta que há uma contradição. No vídeo, é possível ver que ele estava carregando a bolsa da vítima. Além disso, as imagens apontam que a relação sexual não foi consentida, ou seja, ela não queria.
Delegada ressalta que há pontos interessantes no interrogatório, como o fato de o suspeito contar que ateou fogo na vítima enquanto ela estava viva. “A princípio, a gente estava tratando, também, de uma ocultação de cadáver, mas, se ela estava viva, junto com a perícia, vamos descobrir se é apenas um feminicídio ou, também, a ocultação de cadáver, tortura”.
Para a delegada, as contradições reforçam ainda mais a versão do feminicídio e jogam luz na atuação dele, classificada por ela como ‘grotesca’. “O quão foi premeditada a questão de tentar ocultar o corpo, porque as filmagens nos revelam também que esse agressor chega com essa vítima naquele terreno baldio com uma roupa e ele retorna cerca de uma hora depois com outra vestimenta”.
A investigação apontou que ele deixou a vítima no terreno, foi até uma casa abandonada e trocou de roupa para que ele não fosse identificado por meio das filmagens. “Quando ele sai da região do crime, ele descarta as roupas que ele estava usando”.
Crime
No dia 1º de junho, o Corpo de Bombeiros foi acionado para combater um incêndio em um terreno baldio, no bairro Centro-Sul, em Várzea Grande. Após controlar as chamas, os bombeiros encontraram um corpo do sexo feminino parcialmente carbonizado.
Assim que foi acionada sobre os fatos, a equipe da DHPP foi até o local, onde os policiais constataram que a vítima estava sem vestimentas, apresentava sinais de carbonização parcial e lesões na região da cabeça, além de haver indícios de tentativa de ocultação do cadáver, que estava coberto por um tanque de lavar roupas danificado.
A vítima foi posteriormente identificada pelo Instituto Médico Legal como Josivany Borges de Amorim Rodrigues, moradora do bairro Costa Verde, em Várzea Grande.
Desde a localização do corpo, a DHPP realizou diversas diligências para esclarecer a autoria do crime. Foram coletadas imagens de câmeras de segurança, identificados locais frequentados pelo suspeito e levantadas informações em pontos da região de Várzea Grande conhecidos pela presença de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Durante o deslocamento para a DHPP, o suspeito decidiu colaborar com as investigações, confessou a prática do feminicídio e indicou o local onde havia escondido as roupas utilizadas no dia do crime.
Contou a dinâmica
Após ser preso nesta segunda-feira (8), no Dom Aquino, durante o deslocamento para a DHPP, o suspeito decidiu colaborar com as investigações, confessou a prática do feminicídio e indicou o local onde havia escondido as roupas utilizadas no dia do crime.
Os objetos foram encontrados em uma residência abandonada localizada na avenida Filinto Müller, em Várzea Grande, e apreendidos para perícia.
O suspeito foi conduzido à DHPP, onde foi interrogado pela delegada Jéssica Cristina de Assis e autuado em flagrante por feminicídio consumado. No interrogatório, ele disse que manteve relações sexuais consentidas com a vítima, momento em que, durante o ato, ela tentou atacá-lo com uma faca, com o fim de roubar a sua droga.
Diante da gravidade dos fatos, a delegada representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, sendo posteriormente o preso colocado à disposição da Justiça.
As investigações prosseguem para conclusão do inquérito policial e esclarecimento completo das circunstâncias e motivação do crime.
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