TRÁFICO DE DROGAS 16.04.2026 | 09h46

redacao@gazetadigital.com.br
Reprodução
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a Operação Supremo Engano, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso suspeito de tráfico de drogas na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande. O principal investigado utilizava uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e documentos falsos para simular doença e tentar obter autorização judicial para cultivar e transportar entorpecentes.
Durante a operação, foram cumpridos 3 mandados de prisão preventiva e 4 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça com base em investigação da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc). As ordens judiciais foram executadas em endereços localizados em Cuiabá e Várzea Grande.
Nas buscas, os policiais apreenderam documentos e materiais que devem auxiliar no aprofundamento das investigações.
As investigações foram conduzidas ao longo de vários meses e apontaram a existência de uma estrutura criminosa voltada ao cultivo, distribuição e intermediação de drogas, com foco em cannabis de alta concentração de THC. A apuração contou com apreensões, depoimentos de testemunhas, análises periciais e outras diligências.
Segundo a Polícia Civil, um dos principais investigados já havia sido preso anteriormente. Na ocasião, foram encontradas em sua residência uma quantidade significativa de drogas, insumos para cultivo e estufas montadas para o plantio indoor de cannabis, indicando a profissionalização do esquema e possível reincidência criminosa.
Uso de decisão do STF
As investigações apontaram ainda que o suspeito utilizava a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o porte de até 40 gramas de maconha para uso pessoal como justificativa para suas ações. Em redes sociais, ele chegou a afirmar que fumaria maconha em frente à sede da Denarc, citando a decisão judicial.
No entanto, conforme a polícia, a atuação do investigado ultrapassava o uso pessoal, caracterizando, em tese, os crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Ainda segundo a investigação, o suspeito buscava obter documentação falsa para simular uma doença e, assim, conseguir na Justiça um habeas corpus preventivo que permitiria o cultivo e transporte de drogas sem fiscalização policial.
Esquema sofisticado
De acordo com o delegado Eduardo Ribeiro, responsável pelas investigações, o grupo utilizava uma estratégia sofisticada, que envolvia o uso de decisões judiciais legítimas e a produção de documentos fraudulentos para encobrir a atividade criminosa.
Entre as táticas identificadas, estava a compra de produtos de cannabis legalizados, mantendo a embalagem original e substituindo o conteúdo por drogas cultivadas ilegalmente, para tentar enganar fiscalizações policiais.
As investigações também apontaram a participação de outros envolvidos, responsáveis pela comercialização dos entorpecentes e pelo recebimento dos valores provenientes do tráfico, evidenciando a existência de uma associação estruturada para a prática criminosa.
A operação segue em andamento e as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos.
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