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R$ 110 MIL em cheques 27.11.2019 | 14h19

17 ex-deputados são citados por receber suposta propina de 13º do 'mensalinho'

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Dezessete ex-deputados estaduais serão investigados em inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Estadual(MPE) por envolvimento no “13º mensalinho”, esquema supostamente chefiado pelo conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ex-deputado estadual, Sérgio Ricardo.

 

Conforme a ação, a propina tem origem em um empréstimo que o empresário Ricardo Padilla de Borbon Neves fez ao então deputado, Sérgio Ricardo. Chamado de “13º do mensalinho”, o pagamento servia como uma condição de aprovação das matérias de interesse do governo na Assembleia Legislativa e das contas do Poder Executivo.

 

Leia também - MP denuncia Sérigo Ricardo por pagamento de mensalinho a deputados

 

Além do “mensalinho normal”, os parlamentares teriam também exigido o 13º no final do ano, no valor de R$ 110 mil para os 17 deputados listados. Para conseguir aprovação de matérias e das contas, o ex-governador Silval Barbosa pediu a propina emprestada ao empresário Wanderley Facheti Torres, proprietário da Trimec e Faculdades Cathedral, conforme denúnica do MPE.

 

O valor foi repartido em 17 cheques, que foram entregues a Sérgio Ricardo para repassar aos demais deputados. Consta nos autos que os cheques foram passados no nome dos ex-deputados Mauro Savi e Wallace Guimarães. Entretanto, os cheques depositados foram devolvidos por falta de fundos, que após depoimento de Wanderley Facheti Torres na 9ª Promotoria de Justiça Cível, foram sustados.

 

Ainda de acordo com delação de Silval na ação, o ex-governador narra que em dezembro de 2010 recebeu a visita dos então deputados José Domingos, Wagner Ramos e Baiano Filho, que cobraram o pagamento do 13º.

 

“Conforme se observa de cópias dos cheques juntadas aos autos, ou seja, um “13º do mensalinho”, para cada deputado, destinado a “aprovação das contas do final de ano e outras matérias de interesse do governo”, e que é a origem do empréstimo de mais de dois milhões de reais de Ricardo Padilla a Sérgio Ricardo, garantido pelo ex-governador e pago por Ciro Zanquet Miotto”, diz trecho da ação.

 

O inquérito decorre de uma ação civil pública que apura a concessão de incentivo fiscal fraudulento ao frigorífico Superfrigo – empresa de Ciro Zanquet Miotto - sob a condição de pagar R$ 2,5 milhões em propina, para quitar uma dívida entre o ex-governador Silval Barbosa e Ricardo Padilla.

 

Após o valor de R$ 2,5 milhões ser quitado em empréstimo ao ex-deputado Sérgio Ricardo, a Superfrigo deixou de recolher aos cofres públicos o valor de R$ 37 milhões.

 

Outro lado
A reportagem entrou em contato com Zé Domingos, Mauro Savi, Wagner Ramos, Baiano Filho e Wallace Guimarães.

 

Zé Domingos e Wallace Guimarães responderam que, apesar de citados, ainda não foram intimados e nem ouvidos pelo Ministério Público. “Não tenho como me manifestar, não estou acompanhando, fica ruim se manifestar. Vou ficar a parte e conversar com meu advogado”, disse Zé Domingos. Wallace ainda cita que o cheque foi devolvido.

 

Mauro Savi relata, também, que foi citado e não intimado. Ele não deu maiores detalhes.

 

O conselheiro afastado diz que estas acusações seriam "mais uma história mirabolante" contada por Silval e Nadaf. Sérgio ainda diz que prestou esclarecimentos ao Ministério Público espontaneamente e que não existe nenhuma prova contra ele.

 

"Mesmo sem ser intimado eu prestei esclarecimentos ao Ministério Público e estou à disposição das autoridades. Mesmo sem conhecer o inquérito, não existe nenhuma prova contra mim. Eu nunca realizei empréstimo e muito menos pagava mensalinho para parlamentares", disse.

 

Procurados pelo , Wagner Ramos e Baiano Filho não responderam até o fechamento dessa matéria.

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