DEU EM A GAZETA 15.10.2026 | 07h00

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Fred Moraes/GD
A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Souza e Silva, vai pedir providências à Procuradoria-Geral Federal junto à universidade contra o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), após o gestor associar estudantes e professores da instituição e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) a dependentes químicos e classificá-los como usuários de drogas durante um discurso político nesta semana. As declarações foram feitas em um evento de apoio à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Procurada pela reportagem, Marluce enfatizou que a UFMT é um espaço de educação, mas também de construção do pensamento crítico, seja de esquerda ou direita. Temos estudantes do campo conservador e do campo revolucionário, e assim é em todas as instituições. Os jovens universitários não são usuários de drogas, e aqueles que são, chegaram na universidade usando. Não é aqui que eles aprendem. Conheço muitos jovens nas igrejas que são usuários de drogas e de bebidas alcoólicas que nunca vieram à UFMT. Combater as drogas não é sinônimo de combater os jovens.
Durante a inauguração da Casa 22, comitê eleitoral do Republicanos que serve de apoio à campanha de Flávio Bolsonaro, Abilio criticou estudantes e professores que participam de atos em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em discurso, o prefeito sugeriu que integrantes da comunidade acadêmica fossem a igrejas pedir votos para Lula usando camisetas de Che Guevara e portando drogas.
Quero pedir aos estudantes da universidade pública do Estado de Mato Grosso, seja Unemat ou UFMT, estudantes e professores. Que saiam às ruas, peçam voto para o Lula, com seu baseado, com suas drogas, com a maconha, com a cocaína, e camisa do Che Guevara, afirmou.
Abilio também classificou estudantes e professores militantes como os melhores cabos eleitorais de Flávio Bolsonaro e defendeu que Mato Grosso contribua para ampliar a votação do senador na disputa presidencial. Segundo o prefeito, o Estado poderia acrescentar 200 mil votos ao candidato liberal, volume que, em sua avaliação, ajudaria a garantir a vitória no segundo turno.
Esta não é a primeira polêmica entre o chefe do Palácio Alencastro e a universidade. Em agosto de 2025, Abilio criticou a qualidade do ensino da UFMT como bosta ao comentar as dificuldades de alunos da rede pública em responder a uma operação matemática básica. Dias depois, o gestor recuou e pediu desculpas publicamente pelo comentário ofensivo e relembrou dos repasses de emendas para a instituição na época em que atuou como deputado federal.
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