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Cuiabá, Segunda-feira 28/09/2020

Política de MT - A | + A

deu na gazeta 26.04.2020 | 07h22

Nas ruas de Cuiabá, eleitores rejeitam Jair Bolsonaro

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Lázaro Thor Borges

lazaro@gazetadigital.com.br

Dida Sampaio/AE

Dida Sampaio/AE

Um silêncio quase sepulcral parecia se abater sobre a Praça Alencastro, em Cuiabá, às 18 horas da tarde desta sexta-feira (24), pouco depois do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) terminar seu pronunciamento transmitido em rede nacional para se defender das acusações do ex-ministro Sérgio Moro, segundo o qual o presidente tentou intervir pela substituição do
diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo.


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As ruas vazias da cidade ainda em quarentena por conta da pandemia de covid-19 contrastavam com o cenário caótico
com que se deparava qualquer cidadão que se arriscasse em abrir as redes sociais, o jornal, ligar a televisão ou o rádio.
Fogo cruzado seria talvez a melhor expressão para definir o depoimento de Bolsonaro que, ao ser exposto pelo ex-ministro, reagiu acusando Moro de ter condicionado a troca de Valeixo à indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que Moro negou logo em seguida.


Na praça Alencastro algumas poucas pessoas distante uma das outras zapeavam seus celulares cabisbaixas, como que
esperando qual seria a próxima novidade. E as luzes dos aparelhos, azuis e mais fortes que as lâmpadas da praça,
ofereciam um certo ar melancólico à cena.


O mais apressado ali era o office boy William Tofoli, que foi abordado pela reportagem em frente ao Palácio Alencastro, onde costumeiramente os táxis ficam estacionados. Com a mochila nas costas e máscara no rosto, William considerava que o presidente é exagerado. “A minha opinião de tudo isso?” disse ele mostrando surpresa. “Eu assisti pouco o depoimento porque estou trabalhando, mas acho que o presidente exagera, acaba sendo exagerado nas palavras, acho que ele poderia melhorar o jeito dele falar”, afirmou o trabalhador de 35 anos.


“Eu não sei te dizer se o Moro foi acertado em sair, mas eu acredito que ele tenha seus motivos”. William admitiu ter
votado em Bolsonaro, mas também diz que sempre acompanhou a política como espectador. “A eleição dele foi uma esperança, mas é aquele ditado, se você quer conhecer uma pessoa dê poder a ela”, disse. Ele acredita que o momento “difícil para todo mundo” será superado, mas não sabe se votaria em Bolsonaro novamente. Uma das causas são
as últimas ações do presidente. “Acho que meu voto ele não tem mais”, concluiu.


A incerteza e a confusão sobre o que ocorre em Brasília parece ser só mais um sintoma da tristeza que acomete a muitos trabalhadores cuiabanos e mato-grossenses. E os motivos dessa doença de espírito, menos voraz que o vírus, mas tão desestimulante quanto ele, começam na política e terminam na falta de perspectiva de futuro.


“Eu estou decepcionado com o presidente, eu votei nele”, disse Victor Nardoni, um técnico de enfermagem de 26 anos,
que acabara de terminar o expediente no hospital onde trabalha quando foi entrevistado. “Ele deu carta branca para o
ministro Moro, mas na hora do ‘vamos ver’ ele quis trocar o diretor da PF, sem causa nenhuma”, desabafou Victor.


“Eu pensaria duas vezes em votar no presidente de novo porque na verdade nenhum político é totalmente honesto ou
aparente ser; eu votei nele, eu sabia que ia ter uma coisa ou outra, mas só que uma coisa como essa [a retirada do diretor
da PF] é uma coisa um pouco forte’, concluiu. Victor, em contrapartida, disse (depois de refletir alguns segundos) que
poderia votar em Sérgio Moro em 2020.


Geifferson Carmem da Silva também disse que votaria no ex-juiz. Ele é o único na praça que não tem celular para
acompanhar as notícias. Parte do que lê vem das capas de jornais em bancas e do que escuta em suas andanças.


Geifferson é um morador de rua de 42 anos que se autodeclara alcoólatra e admite ter votado em Bolsonaro. Ao ser
interpelado pela reportagem para ser entrevistado questionou: “Mas eu posso falar? Eu sou morador de rua”. Com a resposta positiva de que poderia sim comentar os acontecimentos políticos recentes, Geifferson deixou a sacola que carrega consigo sobre o canteiro de tijolos ao redor do ipê da praça, retirou dela um maço de cigarros e pergunta “Eu posso fumar?”. O pedinte diz que Moro fez o certo porque antes da pandemia já existiam acusações contra Flávio Bolsonaro, filho do presidente investigado por corrupção.


“Antes do coronavírus já vinha com muito rolo”, diz. “Quando aconteceu esse negócio da epidemia eu esperava
mais dele, ele abriu as pernas para o Trump, desculpa a expressão”, disse. “Ele está colocando como se ele fosse o
cara, ele tem que entender que nós colocamos e nós tiramos, votei nele e estou decepcionado, eu apoiaria o impeachment
com maior prazer”, conclui.

 

Leia matéria completa na edição do jornal A Gazeta



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Comentários

NIVALDO M BRUNCA - 27/04/2020

A Gazeta virou sucursal do Data Folha, fazem pesquisas nas ruas se a imensa maioria estão em casa. Não acham que tem informação errada ou manipulada. Respeitem seus leitores por favor.

Elizeu de Lara Hurtado Filho - 27/04/2020

Lazaro Thor, veja esta matéria da Uol, como sua pesquisa é fraudulenta, principalmente por se tratar de Mato Grosso onde o indice de Bolsonaro é muito gigante...................................... https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/04/moro-sobe-em-popularidade-nas-redes-e-se-aproxima-do-ainda-lider-bolsonaro.shtml

MARCELO CRUZ - 26/04/2020

É Maurício Valeixo. E não Marcelo Valeixo comigo citado na reportagem.

Nelson - 26/04/2020

Esse presidente não me representa mais .

OSIAS PEREIRA DA SILVA - 26/04/2020

Muito bem sábio, oportuno os comentários dos entrevistados, compartilho com os fatos, o Sr. Bolsonaro seus dias estão se abreviando na PRESIDÊNCIA!

Heitor Oliveira - 26/04/2020

o engraçado da midia é que ela reporta "pesquisas" que só podem existir em uma realidade alternativa. eu sou povo, eu vivo nesta cidade, aliás, trabalho viajando e praticamente a cada dia estou em um lugar diferente e não vejo isso que a imprensa reporta. tentem logo derrubar o Bolsonaro e aí a gente vai ter o resultado verdadeiro.

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