DEU EM A GAZETA 12.10.2026 | 07h27

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A eleição de 2026 encerrou o ciclo político de cinco parlamentares de Mato Grosso que não conseguiram a manutenção de suas permanências no Congresso Nacional ou ficaram fora da disputa eleitoral. Entre os fatores que explicam as derrotas estão o desgaste político, a perda de influência de grupos tradicionais e as mudanças de posicionamento ideológico. Fora da próxima legislatura, os parlamentares definem prioridades para os últimos meses de mandato, antes de deixarem Brasília em fevereiro de 2027.
CARLOS FÁVARO
Homem de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Mato Grosso, o senador Carlos Fávaro (PSD) não sobreviveu ao reposicionamento da própria carreira política e à perda de alianças. Eleito no pleito suplementar de 2020 com um discurso mais ligado à centro-direita, o parlamentar perdeu espaço nesse campo e mudou de lado em 2022, aproximando-se do governo federal. À frente do Ministério da Agricultura e Pecuária por cerca de três anos e meio, articulou a abertura de mais de 550 mercados internacionais para produtos brasileiros, mas os resultados da gestão não foram suficientes para assegurar sua permanência no Senado.
Na reta final do mandato, Fávaro apontou o fim da escala 6x1 e os investimentos em infraestrutura como prioridades para os próximos três meses. Como integrante da Comissão Mista de Orçamento, pretende garantir recursos para obras estruturantes em Mato Grosso, incluindo a pavimentação da BR-158 e a continuidade das atividades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na Baixada Cuiabana.
“A prioridade neste momento é a aprovação da PEC com o fim da escala 6x1. Todos estão engajados nisso. O segundo ponto importante é garantir recursos para as obras estruturantes de Mato Grosso, para que não haja interrupção. São obras que a gente não pode deixar parar”.
EMANUELZINHO
A derrota do deputado federal Emanuelzinho (PSD) expõe a perda de força política do grupo liderado pelo pai, Emanuel Pinheiro, após a saída da Prefeitura de Cuiabá. Reeleito em 2022 com 74.720 votos, o parlamentar recebeu 50.951 em 2026. Em uma eleição marcada pela polarização, Emanuelzinho, identificado com a centro-esquerda, também foi superado dentro da própria chapa pelo ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura, Irajá Lacerda (PSD), que igualmente ficou de fora da Câmara dos Deputados.
Na reta final em Brasília, Emanuelzinho pretende concentrar esforços em propostas relacionadas à proteção das mulheres e ao bem-estar animal. Entre elas estão o projeto que permite o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de agressores para indenizar vítimas de violência e o PL 1.319/2026, que institui a Política Nacional de Bem -Estar e Proteção Animal e afasta a equiparação de animais a coisas. Sobre o futuro político, o deputado admite a possibilidade de se afastar para estudar e se dedicar à família.
“Minha energia agora está 100% em terminar o mandato com entregas e projetos que vão causar transformações na vida dos mato-grossenses”.
NELSON BARBUDO
Eleito em 2018 como o deputado federal mais votado de Mato Grosso, com 126.249 votos, Nelson Barbudo (Pode) chega ao fim do ciclo em Brasília após um acentuado declínio eleitoral. Em 2022, obteve 53.285 votos, ficou na primeira suplência do PL e só assumiu o mandato após a morte da deputada Amália Barros (1985-2024). Neste ano, a votação caiu para 14.545 votos, resultado que lhe garantiu apenas a sexta suplência do Podemos, partido ao qual se filiou durante a janela partidária. A trajetória evidencia a dificuldade de recuperar o capital eleitoral que o levou ao topo da disputa em 2018.
Para os últimos meses de mandato, Barbudo pretende trabalhar pelo avanço do projeto que chama de ‘Código da Fauna’, voltado à regulamentação da criação, do manejo e da comercialização de animais silvestres, domésticos e exóticos. A proposta prevê critérios técnico-científicos para conservação e bem-estar animal, incentivo à criação legal e mecanismos para diferenciar criadores responsáveis de atividades clandestinas.
“Tenho orgulho da minha trajetória em Brasília. Entrei limpo e vou sair limpo. Nos últimos meses, minha atuação continuará tendo como norte a defesa da família, do agronegócio e do cristianismo, pautas que sempre orientaram meu trabalho”.
RODRIGO DA ZAELI
Na contramão de Barbudo, o deputado federal Rodrigo da Zaeli (PL) encerra sua passagem pelo Congresso com uma votação expressivamente maior, apesar de não ter conquistado a reeleição. Em 2022, recebeu 6.965 votos e ficou na segunda suplência. Assumiu o mandato em definitivo em 2025, após Abilio Brunini ser eleito prefeito de Cuiabá. Neste ano, saltou para 35.845 votos e terminou como primeiro suplente do PL.
A partir desta semana, Zaeli pretende se dedicar à votação do orçamento do próximo exercício e à relatoria de projetos voltados ao acesso à moradia para profissionais da segurança pública, como policiais, bombeiros e agentes penitenciários. O deputado avalia positivamente o período na Câmara, especialmente pela atuação em segurança pública e na defesa do agronegócio.
“Faço um balanço positivo do trabalho realizado, buscando melhorias para a segurança pública e defendendo o agronegócio, sobretudo a segurança jurídica para os empresários do setor. Quero aproveitar os últimos meses para avançar nessas pautas”.
JAYME CAMPOS
Diferentemente dos parlamentares que foram às urnas e perderam a disputa, o senador Jayme Campos (União Brasil) não concorreu nas eleições de 2026 e ficará fora do Congresso para a próxima legislatura. Aos 75 anos, teve o projeto de disputar o governo de Mato Grosso inviabilizado na convenção partidária e agora enfrenta um futuro político incerto. Nos últimos meses de mandato, Jayme pretende concentrar esforços na discussão sobre o fim do modelo vigente de escala de trabalho.
“É uma discussão importante para os trabalhadores brasileiros e quero contribuir para que possamos avançar nessa pauta antes de encerrar meu mandato”, afirmou.
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