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Deu em A Gazeta 08.10.2019 | 07h49

R$ 38 milhões foram gastos na compra de cargos na AL

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Lázaro Thor Borges

lazaro@gazetadigital.com.br

Chico Ferreira

Chico Ferreira

O ex-deputado estadual José Geraldo Riva afirmou que todas as eleições da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso foram ‘compradas’ desde 1997, ano em que ele ingressou no legislativo. O relato está na sua proposta de delação premiada, a qual A Gazeta teve acesso.

 

Riva contou à promotora Ana Cristina Bardusco, chefe do Grupo Especial de Atuação e Combate ao Crime Organizado, que o processo de compra das eleições, que atravessaram os governos Dante de Oliveira, Blairo Maggi e Silval Barbosa, custou R$ 38 milhões. Segundo o ex-deputado, qualquer parlamentar que quisesse ser presidente ou compor a Mesa deveria obrigatoriamente comprar os votos dos colegas. Estes pagamentos, segundo o delator, geraram ‘aumento significativo nos gastos’ do legislativo estadual, uma vez que o dinheiro usado era público.

 

A primeira eleição comprada na Assembleia foi a de 1997, na qual foram gastos aproximadamente R$ 2 milhões. Riva alega que esta foi a única compra de eleição que ele não atuou diretamente, mas ainda assim foi eleito primeiro secretário, um feito grandioso para um político que estava em seu primeiro mandato. Neste episódio, pelo menos 11 deputados receberam de R$ 150 mil a R$ 200 mil para escolherem a Mesa que restou vencedora.

 

Na eleição de 1999, Riva foi eleito presidente pela primeira vez. Ele contou ter gasto R$ 3 milhões, que também foram pagos a 11 parlamentares, cada qual recebeu entre R$ 200 mil e R$ 250 mil, valores que foram arrecadados junto às empresas de factoring, notadamente aquelas pertencentes ao bicheiro João Arcanjo Ribeiro, posteriormente pagos com recursos desviados da Assembleia.

 

Em 2001, em uma nova eleição, Riva voltou a ser primeiro secretário e foram gastos cerca de R$ 3 milhões em propina, dessa vez financiada diretamente com valores desviados da Assembleia. E, novamente, 11 deputados receberam as vantagens indevidas, desta feita em recursos maiores, que variaram de R$ 200 mil a R$ 250 mil.

 

Em 2003, mesmo quando havia um ‘consenso’ entre os políticos, Riva se viu prejudicado pela Operação Arca de Noé e alguns candidatos se desarticularam. Neste ano também foram gastos R$ 3 milhões, pagos em recursos de R$ 200 mil e R$ 250 mil a 13 deputados. O dinheiro foi arrecadado através de recursos emprestados de Valcir Piran (Kuki) e Valdir Piran, os quais foram pagos com recursos desviados da ALMT.

 

Dois anos depois, em 2005, as eleições foram novamente pagas com recursos de Piran, em um total de R$ 4 milhões. Cada deputado recebeu cerca de R$ 250 mil. E, outra vez, o dinheiro usado foi ressarcido por meio de recursos da ALMT. Valdir Piran também teria financiado as eleições de 2007, com os mesmos R$ 4 milhões.

 

Em 2009, Riva utilizou recursos de diversas factorings, de pessoas não identificadas na delação, para financiar sua eleição como presidente. Já em 2011 foram pagos R$ 5 milhões de propina para deputados que receberam, cada um, R$ 400 mil.
Os maiores pagamentos de propina foram registrados em 2015, já no final da vida pública de Riva. Ele narra que gastou R$ 10 milhões. Os parlamentares exigiam mais porque Riva corria risco de sofrer afastamento por decisão judicial e estava com sua imagem desgastada.

 

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