'vale-tudo' de campanha 22.10.2026 | 14h35

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Fred Moraes/ GD
O vereador por Cuiabá, Rafael Ranalli (PL), admitiu que compartilhou um vídeo com informação falsa, associando o Partido dos Trabalhadores (PT) a um suposto ritual satânico, sem confirmar a veracidade do conteúdo. O parlamentar disse que apagou a publicação e fez uma correção assim que descobriu que o material era inverídico. A postagem motivou denúncias à Polícia Civil e ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por possíveis ataques a religiões de matriz africana.
Ao comentar o caso, Ranalli negou ter sido formalmente comunicado sobre a denúncia e afirmou que ainda não foi indiciado. Segundo ele, a representação às autoridades não significa que tenha sido responsabilizado oficialmente.
“Pelo amor de Deus, eu não fui indiciado a nada e nem comunicado. Denúncia ao Ministério Público, das autoridades competentes, qualquer um pode fazer a qualquer momento. Eu vi por alto, em matéria jornalística”, explicou.
Ainda em entrevista, o vereador alegou que costuma compartilhar diversas publicações em função da campanha eleitoral, sendo boa parte delas, fake news. À imprensa, ele justificou que, "quando descobre, as apaga". O parlamentar alegou que, em meio ao período eleitoral, conteúdos circulam rapidamente nas redes sociais e podem ser publicados antes de uma checagem mais aprofundada.
“Eu mesmo costumo fazer, venho aqui e faço as desculpas quando eu posto um vídeo que, minutos depois, horas depois, vem a prova de que é fake. […] Aí você vai e apaga, pede desculpas e explica que é fake”, afirmou.
Questionado sobre a responsabilidade de verificar a origem das informações antes de publicá-las, Ranalli, que é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), explicou que a publicação parecia verdadeira inicialmente, mas pesquisas posteriores mostraram que o vídeo não correspondia ao ato político ao qual havia sido associado.
“Eu pesquisei, olhei e falei: ‘Cara, é real’. Aí, de repente, não é. Eu vou e tiro, sem problema nenhum. Porque às vezes você mesmo não tem todos os mecanismos”, disse. Apesar de o vereador dizer que "tira o vídeo, sem problema nenhum", depois que cai na rede social, o conteúdo é disseminado rapidamente e o dano a quem sofre ataques não é reparado.
Representeção
Como mostrou o
, a representação contra Ranalli questiona a divulgação de um vídeo que associa uma apresentação da Marcha para Exu, realizada em 16 de agosto, a uma suposta manifestação de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A publicação trazia a chamada “Campanha de Lula vira ritual de invocação” e afirmava que um ato pró-Lula havia se transformado em um ritual satânico na Avenida Paulista.
O material, porém, mostrava uma apresentação do cantor Joia de Couro durante o evento religioso, sem relação com o ato político realizado na avenida em 11 de outubro. Agências de checagem, como UOL Confere, Aos Fatos e AFP Checamos, classificaram a associação como falsa.
A denúncia sustenta que a publicação reforçou estigmas contra religiões de matriz africana e pede a apuração de possível discriminação religiosa, além de questionar eventual enquadramento por injúria racial.
Após a repercussão, Ranalli retirou o conteúdo original e publicou uma correção, informando que o vídeo não era da manifestação do PT.
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