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Deu em A Gazeta 31.05.2020 | 07h25

Taques, Silval e Blairo são investigados por 'caixa 2'

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Lázaro Thor Borges e Pablo Rodrigo

redacao@gazetadigital.com.br

OTMAR DE OLIVEIRA

OTMAR DE OLIVEIRA

As eleições de 2018, da qual saiu vitorioso o governador Mauro Mendes (DEM) e como principal derrotado o ex-governador Pedro Taques (PSDB), estão sendo investigadas em um inquérito aberto pelo Departamento da Polícia Federal em Mato Grosso (DPF-MT), que tramitou de forma sigilosa desde outubro de 2019.

 

A reportagem do jornal A Gazeta teve acesso integral ao inquérito, que aponta atuação de um poderoso grupo criminoso que, segundo as acusações, teria como integrante três ex-governadores: Pedro Taques, ex-PSDB e hoje no Solidariedade, Silval Barbosa (PMDB) e Blairo Maggi (PP).

 

Apesar das disputas políticas em público, a PF trabalha com a hipótese de que, quando as cortinas do teatro desciam, todos atuavam em conjunto. As principais informações que levaram os investigadores a acreditar nisso são as articulações criminosas reveladas pelas delações de Silval Barbosa e do ex-secretário de Estado Pedro Jamil Nadaf.

 

O curioso é que, apesar da delação de Silval ter sido concluída em 2017, -oportunidade em que ele saiu do Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), onde esteve preso por quase dois anos -nenhum inquérito foi aberto para investigar as denúncias.

 

Na delação, Silval diz que Taques recebeu recursos de propina da JBS para que não ‘olhasse no retrovisor’ quando assumisse o governo. Silval narra que encaminhou propina de R$ 4 milhões que tinha como crédito na JBS para a campanha de Taques. Joesley Batista, um dos donos da JBS, teria vindo a Cuiabá para se encontrar pessoalmente com Taques e fechar um acordo sobre a doação, de modo que os recursos evitariam investigações contra a empresa e contra o governo de Silval.

 

O relato de Silval, que é público desde 2017, mostra que Blairo também interferiu na campanha de 2014. Na ocasião, o então senador pediu para que Silval não investisse na campanha de Lúdio Cabral (PT), a quem Barbosa apoiava oficialmente. O pedido mais tarde foi repetido pelo próprio Taques.

 

Denúncia de advogada
A notícia crime que deu origem ao inquérito foi feita pela advogada Juliana Gadomski Chaves. O documento, que cita a delação de Silval, foi protocolado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) no dia 18 de abril. Gadomski cita o caixa 2 da JBS e outros fatos narrados na delação que não foram investigados a mando da Procuradoria Geral da República (PGR), que conduziu a delação de Silval.

 

‘Para absoluta surpresa de todos, os fatos, apesar do conhecimento das autoridades que conduziram a colaboração e do dever absoluto de agir insito à função pública, ainda não foram investigados’, diz a advogada. ‘As razões são ainda desconhecidas’, afirma a denunciante.

 

Neste trecho, Gadomski faz referência indireta à Rodrigo Janot, chefe da PGR na época da delação de Silval, que não abriu nenhum inquérito para investigar diretamente as denúncias contra Pedro Taques, de quem o procurador-geral foi colega no Ministério Público Federal (MPF).

 

A notícia-crime de Gadomski foi aceita no mês seguinte, em maio. A princípio, a investigação poderia focar apenas nas eleições de 2014, mas as investigações da PF solicitaram cópia de documentos eleitorais ao TRE-MT referentes ao pleito de 2018, quando Pedro Taques também disputou.

 

No dia 22 de maio, o promotor eleitoral Sérgio Silva da Costa solicitou a abertura de inquérito policial com base na denúncia da advogada, o que foi deferido pela juíza Gabriela Knaul de Albuquerque e Silva no dia 28 de maio do mesmo ano de 2019. Em seguida, em julho, a Superintendência da PF no estado pediu ao TRE o compartilhamento das contas eleitorais dos três ex-governadores.

 

Em agosto a PF também determinou que, por se tratar de muitos fatos, as investigações deveriam seguir dois eixos: o primeiro refere-se a 2018, para apurar doações ilegais da JBS feitas para a campanha de Pedro Taques. O segundo eixo seria de 2010, também para verificar doações ilegais da JBS, mas para as candidaturas de Silval Barbosa ao governo e de Blairo Maggi ao senado.

 

Depois disso, em outubro, o inquérito é devidamente instaurado pela PF. Em despacho o delegado da Polícia Federal, Tomas Wlassak, pede informações sobre Silval Barbosa, José Riva, Valdir Piran, Eder de Moraes, Júnior Mendonça, o BicBanco, Blairo Maggi e Joesley Batista. Informações que, conforme o delegado, devem ‘relacionar histórico político ou empresarial dos mesmos, dados constantes dos bancos de dados da Polícia Federal’.

 

No dia 11 de março deste ano, após receber a delação de Nadaf e ouvir o ex-secretário em depoimento, a PF solicitou dilação do prazo pra continuar com as investigações.

 

Outro lado
O ex-governador Pedro Taques (SD) disse à reportagem que ainda não tem conhecimento do inquérito, mas defende a investigação e afirma que ninguém está acima da lei.

 

‘São sempre as mesmas conversas fiadas de delatores que não passam de vagabundos que roubaram, e agora querem acusar outras pessoas, depois de ficarem ricos com o dinheiro público’, afirmou.

 

Ele lembra que em 2010 foi candidato ao Senado na mesma chapa de Mauro Mendes (DEM), que na época disputava o governo do Estado. ‘Ele [Mauro] perdeu para o Silval Barbosa, que era apoiado pelo Blairo Maggi’.

 

‘Nem meus inimigos me acusam de ser corrupto, pois não sou, aí falam em caixa 2, grampos; sempre com base nas mesmas delações mentirosas, de quem ficou rico roubando e agora virou Santo’, completa.

 

Já o ex-governador Blairo Maggi (PP) também afirmou que não foi notificado, e que se chamado a depor, irá esclarecer ‘qualquer dúvida’.

 

‘Tenho a consciência tranquila sobre meus atos, sempre pautados na transparência, honestidade e integridade’.

 

Já o ex-governador Silval Barbosa afirma que tem o compromisso de continuar colaborando com a justiça por conta do seu acordo de colaboração premiada e irá esclarecer qualquer questionamento.

 

‘Eu já relatei e vou continuar relatando o que sei de todas as campanhas que participei e o que ouvi de outras campanhas. 70% dos gastos com campanhas eleitorais são via caixa 2. Isso é no Brasil inteiro’, afirmou.

 

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