VENDA DE SENTENÇA 08.06.2026 | 07h08

redacao@gazetadigital.com.br
João Vieira
Atualizada às 8h08 - A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (8) mais uma operação para investigar as suspeitas de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Entre os alvos estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL). A determinação partiu do Superior Tribunal de Justiça e é um dos desdobramentos da Operacão Sisamnes.
Segundo a PF, a Operação Gemini tem como objetivo aprofundar a investigação já em andamento sobre venda de sentença e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. São cumpridas busca e apreensão na casa de Faissal, há ainda afastamento de sigilo bancário, fiscal e telemático.
Os investigados poderão responder, na medida de suas participações, pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
Dirceu dos Santos está afastado desde março por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por suspeitas de obtenção de vantagens e troca de decisões judiciais. O seu patrimônio é avaliado em mais de R$ 16 milhões, o que seria incompatível com o que ganha na magistratura.
O desembargador também é dono de um apartamento de R$ 1 milhão no bairro Duque de Caxias, região nobre de Cuiabá. Na descrição da relação de bens, o apartamento no edifício Vila Real foi adquirido “por permuta” em conjunto com o deputado estadual Faissal Calil.
Faissal trabalhou no gabinete de Dirceu entre 2017 e 2018. Em 2018, foi eleito deputado estadual e tomou posse no ano seguinte. Em sua declaração de renda entregue à Justiça Eleitoral, não consta o apartamento citado no processo de divórcio.
Afastamento do magistrado
Na segunda-feira (2), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento do desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos, por suspeitas de venda de sentença. Foram determinados ainda mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal no gabinete do magistrado na sede do Tribunal.
Com a quebra dos sigilos bancário e fiscal, foi constatado que o magistrado apresentou variação patrimonial em patamar incompatível com seus rendimentos licitamente auferidos, movimentando mais de R$ 14.618.546,99 em bens nos últimos 5 anos.
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