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Política Nacional - A | + A

08.08.2014 | 20h26

Eder quer acareação com Júnior Mendonça delator de esquema

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Marcus Vaillant

Eder Moraes quer ficar cara a cara com Júnior Mendonça, delator do esquema investigado na Ararath

Sustentando a tese de que o empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, mentiu em seu depoimento que deu origem à 5ª fase da Operação Ararath, o ex-secretário de Fazenda Eder Moraes (PMDB) propôs uma acareação entre ele o delator do esquema que, por enquanto, não foi denunciado por qualquer crime relativo às investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF). Eder já foi ouvido por 12 horas durante 2 dias, tempo que não foi suficiente para esclarecer todos os detalhes das acusações que pesam contra ele. E, por tal motivo, será ouvido, mais uma vez, na próxima quinta-feira (14). Moraes é réu por lavagem de dinheiro e ocultação de bens no 1º processo originado da Operação Ararath. Na próxima semana também serão ouvidos outros 2 réus no processo.

As declarações de que Eder está disposto a ficar cara a cara com Júnior Mendonça foram feitas por seu advogado, Paulo Lessa, na noite desta sexta-feira (8), após o término do 2º dia de interrogatório. De acordo com o jurista, Eder está disposto ainda a fazer uma acareação com outras 3 pessoas, que não estão sendo acusadas de qualquer crime, mas que segundo o ex-secretário e sua defesa, poderão ajudar a esclarecer algumas questões e contradições envolvendo as acusações que pesam contra Moraes.

Apesar da disponibilidade de Eder em aceitar uma possível acareação, o pedido não foi formulado por seus advogados. O juiz da 5ª Vara Federal, Jeferson Scheneider, responsável pelo caso, também não viu até o momento a necessidade de solicitar tal medida. A defesa é favorável ao procedimento, pois sustenta que Eder não é culpado pór nenhum dos crimes a ele imputados pelo Ministério Público Federal. Lessa, assim como seu cliente, acredita que uma acareação seria positiva para Eder e ajudaria a provar sua “inocência”. “Foi sugerido pelo próprio Eder que houvesse essa acareação, mas não foi peticionado, nem deferido pelo juiz”, disse Paulo Lessa.

De acordo com a defesa, as outras 3 pessoas as quais que Eder aceita sentar frente a frente para sanar pontos controversos, não são autoridades constituídas no Estado e também não são funcionárias das pastas que Eder comandou. Mas ele destaca que o delator do esquema, Júnior Mendonça, é a principal pessoa que ele quer uma acareação. “Se o juiz entender que sim pode ajudar, não sei se o juiz vai deferir”, destaca Lessa.

Nos 2 dias de interrogatórios Eder respondeu 38 perguntas na tentativa de esclarecer todas as acusações que constam no processo. Mesmo assim, ficou decidido pelo juiz Jeferson Schneider que o ex-secretário continuará sendo ouvido na próxima quinta-feira (14). Lessa disse que o interrogatório desta sexta-feira foi bastante esclarecedor, mas ainda tem algumas questões que o juiz deseja esclarecimento e preferiu deixá-las para a próxima quinta-feira para encerrar a parte do interrogatório de Moraes.

Na sexta-feira dia 15 serão ouvidos os réus Laura Tereza da Costa Silva, que é esposa de Eder e o superintendente do Bic Banco MT, Luiz Carlos Cuzziol. O advogado de Cuzziol se recusou a falar com a imprensa ao deixar o prédio da Justiça Federal na noite desta sexta-feira. Quanto ao réu, Vivaldo Dias Lopes, ex-secretário adjunto de Fazenda, ainda não existe data marcada para ser interrogado, pois ele só poderá ser ouvido após o término de uma perícia contábil na sua empresa, a Brisa Assessoria e Consultoria.

Relaxamento da prisão

Eder Moraes está preso desde o dia 20 de maio quando a Polícia Federal deflagrou a 5ª etapa da Operação Ararath que também investiga o governador Silval Barbosa (PMDB), o senador Blairo Maggi (PR), o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Sérgio Ricardo de Almeida (PR), o deputado estadual José Riva (PSD), o promotor de Justiça do Ministério Público Estadual, Marcos Regenold Fernandes, membro do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Após ter pedidos de habeas corpus negados, a defesa de Eder voltou a pedir nesta sexta-feira o relaxamento de sua prisão.

Paulo Lessa disse que ao final do interrogatório ele protocolou o pedido de relaxamento da prisão preventiva e a adoção de medidas cautelares. O pedido será analisado pelo MPF que deverá emitir parecer favorável ou contra. “Olha, pedir, nós pedimos por escrito hoje, se encerrou toda a instrução, foi com vista para o MP, até semana que vem devemos ter uma resposta. Até terça-feira o MP deve se manifestar, em seguida o juiz se manifesta”, destacou Lessa.

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