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declarações polêmicas 01.11.2019 | 08h21

Eduardo diz que 'talvez tenha sido infeliz' e que 'não há qualquer possibilidade' de volta do AI-5

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Abner Rengel/Wikimedia Commons

Abner Rengel/Wikimedia Commons

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pediu desculpas após repercussão ao sugerir um novo AI-5 "se a esquerda radicalizar", em entrevista à jornalista Leda Nagle, divulgada nesta quinta-feira (31). À tarde, ele negou a defesa do ato e afirmou que foi mal interpretado e que não existe a possibilidade de o governo recorrer à medida como foi na ditadura militar.

 

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“Eu peço desculpas a quem por ventura tenha entendido que eu estou estudando o retorno do AI-5 ou a quem achou que o governo estudava alguma medida nesse sentido. Essa possibilidade é uma interpretação deturpada do que eu falei. Eu apenas citei o AI-5, não falei que ele estaria retornando. Eu fico bem confortável e bem tranquilo para deixar isso daí claro. Não existe retorno do AI-5”, disse Eduardo, em entrevista ao programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes.

 

Eduardo disse estava comentando os protestos que ocorrem no Chile quando citou o ato, em meio a ações para conter manifestações de rua. “A esquerda, em que pese o presidente chileno ter cedido ao que eles pediam, continua travando o país”, afirmou. “E quando isso aí ocorre, eu talvez tenha sido infeliz em falar no AI-5, porque não existe qualquer possibilidade de retorno ao AI-5, mas, nesse cenário, o governo tem de tomar as rédeas da situação. Não pode ficar refém de grupos organizados para promover o terror. Foi tão simplesmente isso”, disse.

 

Eduardo disse ainda que “a gente vive sob a Constituição de (19)88. Eu fui eleito democraticamente. Não é interessante para mim a radicalização”, disse.

 

Repercussão

A declaração provocou repercussão entre políticos, partidos e instituições. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a manifestação é "repugnante, do ponto de vista democrático, e tem de ser repelida". "Apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras", disse Maia.

 

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), classificou a fala do filho do presidente Jair Bolsonaro como um "absurdo" e uma "inadmissível afronta à Constituição".

 

O Ato Institucional número 5, editado pelo presidente Artur da Costa e Silva em 1968, fechou o Congresso Nacional, permitiu a cassação de mandatos de políticos e o afastamento de juízes e autorizou que prisões fossem feitas sem direito a habeas corpus.

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