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Compras Internacionais 29.07.2026 | 10h16

Em meio ao tarifaço, indústria pressiona contra fim da taxa das blusinhas

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CNI/José Paulo Lacerda

CNI/José Paulo Lacerda

Com o tarifaço em vigência, a indústria pressiona o governo após a revogação da taxa das blusinhas, que, somada à sanção norte-americana, é vista como uma “punição” em dose dupla. Um dos principais argumentos é que setores específicos já perdem com as tarifas para exportação aos Estados Unidos e ainda precisam lidar com a concorrência dos produtos importados vendidos por plataformas online.

 

Entidades como a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Abiv (Associação Brasileira da Indústria do Vestuário) e Abicalçados, que representam setores incluídos na lista do tarifaço, manifestaram repúdio após o anúncio do governo de zerar o imposto de importação sobre compras de até US$ 50. A medida provisória ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até setembro.

 

O diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel, diz que o setor enfrenta um momento difícil por três motivos: estagnação do mercado interno, aumento das importações e o tarifaço.

 

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“Isso é um tarifaço também, porque você tira o imposto do importado e continua com os impostos para o nacional. Então, isso é um tarifaço”, diz sobre a MP.

 

Entre as estratégias para mitigar os impactos negativos, estão a busca por novos mercados e a defesa comercial, com uso de instrumentos como preços de referência, licenciamentos não automáticos e cotas temporárias para conter o excesso de produção internacional.

 

“A indústria [têxtil] está entre as cinco maiores do mundo, tem uma capacidade de resistência muito grande, mas ela não pode enfrentar tantos fatores contrários ao mesmo tempo, como está enfrentando nesse momento”, avalia Pimentel.

 

Em nota, a Abiv afirma que, ao beneficiar tributariamente as plataformas estrangeiras no acesso ao mercado nacional, o governo sacrifica empresas brasileiras.

 

“[A medida afeta] sobretudo as micro e pequenas, que produzem, empregam, investem, convivem diariamente com custos tributários elevados, juros altos, despesas logísticas e um ambiente regulatório complexo e sustentam a arrecadação do país”, diz.

 

O economista-chefe da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), João Gabriel Pio, vê com preocupação os últimos movimentos na economia.

 

“No atual cenário, sem o imposto de importação e com as taxas dos EUA, existe um grande potencial de agravar a situação”, analisa.

 

Ele estima que o impacto, somadas as duas medidas, pode chegar à casa dos R$ 30 bilhões no segundo semestre.


Competitividade

O especialista em direito tributário Marcelo Costa Censoni Filho reforça que, embora não haja relação direta entre o tarifaço e o fim da taxa de importação, ambas convergem para o mesmo efeito: a redução da competitividade da indústria nacional.

 

Segundo ele, os setores que mais são atingidos, além da confecção, são os de cosméticos, itens para o lar e eletrônicos.

 

“O governo, ao mesmo tempo em que defende a indústria nacional e a preservação de empregos, revogou uma barreira tributária que protegia justamente esses setores”, comenta.

 

Ele explica que a revogação da taxa é, por um lado, positiva, porque os benefícios ao consumidor são imediatos e tangíveis, mas, a longo prazo, pode ser um problema também para a população.

 

“O impacto econômico negativo, por sua vez, é de natureza estrutural e se manifesta no médio e longo prazo: perda de competitividade e arrecadação, além de dependência externa”, observa.

 

O advogado Luís Garcia, especialista em governança e compliance e sócio do Tax Group, também critica o momento da revogação da medida provisória.

 

“O erro é dar isenção total para o produto importado sem promover nenhuma medida de redução da carga tributária às empresas nacionais, mantendo o ambiente de negócios doméstico sufocado por juros altos”, avalia.

 

No entanto, a combinação entre expectativa favorável do consumidor e elevado índice de rejeição à taxa ainda tende a manter a demanda aquecida no curto prazo.

 

Só em junho, primeiro mês completo sem a cobrança do tributo, o Brasil registrou 28 milhões de encomendas internacionais, uma alta de 118% em relação a junho de 2025 e de 72% frente a abril deste ano.

 

Nesta semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo monitora os números e pode rever o fim do imposto de 20%, caso seja necessário. Em dois anos da vigência da taxa das blusinhas, o governo federal arrecadou R$ 8,2 bilhões com a cobrança adicional.

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