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'famílias desajustadas' 24.09.2020 | 15h11

Parlamentares pedem que o ministro da Educação seja investigado por homofobia

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Reprodução/Instagram

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Parlamentares e especialistas reagiram nesta quinta-feira, 24, à entrevista do ministro da Educação, Milton Ribeiro, ao Estadão, em que ele exime a pasta de responsabilidades sobre a volta às aulas no País e atribui a homossexualidade de jovens a ‘famílias desajustadas‘. O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) disse que irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ministro seja investigado por homofobia. O deputado David Miranda (PSOL-RJ) pretende acionar o Ministério Público Federal pelo mesmo motivo.

 

Na entrevista, o ministro afirmou que deve revisitar o currículo do ensino básico e promover mudanças em relação à educação sexual. Segundo ele, a disciplina é usada muitas vezes para incentivar discussões de gênero. ‘E não é normal. A opção que você tem como adulto de ser um homossexual, eu respeito, mas não concordo‘, afirmou ele, que também disse ter ‘certas reservas‘ sobre a presença de professores transgêneros nas salas de aula.

 

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‘Meu repúdio absoluto a esse ataque preconceituoso, medieval e sórdido, que exige reação imediata das instituições democráticas!‘, afirmou Contarato. ‘Homossexualidade não é castigo nem crime. É uma forma de amar e se relacionar como qualquer outra! É requisito nesse governo de ’desajustados’ ser um criminoso homofóbico!‘, postou Miranda em seu Twitter.

 

Presidente da Comissão de Educação da Câmara em 2019, o deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) considerou que as declarações mostram ‘preconceito inconcebível‘. ‘Mentalidade atrasada e triste de se ver em uma posição tão relevante.‘ Ele também reforça que o MEC deve atuar em cooperação com Estados e municípios para encontrar soluções sobre a pandemia. ‘Um problema do Brasil na educação, necessariamente, é um problema do MEC também.‘

 

Para o coordenador da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha do MEC, Felipe Rigoni (PSB-ES), a pasta tem responsabilidade de orientar o retorno às aulas e viabilizar o acesso ao internet para atividades remotas, ainda que caiba a gestores locais decidirem um calendário. ‘A função do MEC é coordenar esforços. A educação acontece no Estado e município, mas o ministério é o grande maestro‘, disse o deputado.

 

Rigoni avalia que o ministro, na entrevista, manteve o tom já observado no MEC de usar ‘alguma coisa ideológica, sem evidência‘ como ‘cortina de fumaça‘ para esconder falhas em execuções de políticas públicas. ‘É irrelevante se o aluno ou professor é homossexual. MEC não tem de se meter nisso.‘

 

Presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz afirma que Ribeiro erra ‘no campo jurídico e ético‘ ao retirar do MEC responsabilidades sobre organizar o retorno das aulas presenciais. ‘Não dá para dizer que não é problema dele. A coordenação nacional é ainda mais importante num ano pandêmico. Mesmo que não estivesse tão claro na legislação, onde está a preocupação que a gente espera das lideranças públicas?‘, afirmou.

 

Cruz também aponta ‘desvio grave de função‘ quando o ministro usa o cargo para defender pontos de vista pessoais. Para ela, este tipo de manifestação pode estimular a cultura de intolerância. ‘Autoriza o aluno a questionar se quer ter professor transgênero ou não, como se não fosse algo legítimo‘, exemplificou.

 

Vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e chefe da pasta no Espírito Santo, Vitor de Angelo afirma que o MEC pode ampliar o protagonismo na crise. ‘Assumindo papel importante no enfrentamento das desigualdades sociais‘, afirmou. Para ele, o ministro também ‘desvia o foco‘ ao tratar sobre orientação sexual de alunos e professores.

 

A ex-ministra e candidata nas últimas eleições a presidente Marina Silva (Rede) disse que o governo é ‘um verdadeiro condomínio de negligência, omissão e irresponsabilidade‘, ao compartilhar nas redes sociais a entrevista do ministro ao Estadão.

 

Para a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), falta ‘responsabilidade‘ a Ribeiro ao dizer que a redução na educação da desigualdade e acesso à internet não são pautas do MEC. Ela também afirmou que o chefe do MEC carece de ‘gana‘ para lutar pelo orçamento da pasta e ‘empatia‘ ao ‘propagar preconceito à comunidade LGBTQIA+.‘

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