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Setor produtivo minimiza efeito das queimadas na região amazônica sobre a economia

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Representantes do setor produtivo de Mato Grosso minimizam a repercussão internacional das queimadas na região amazônica sobre a economia. Para eles, as críticas são uma tentativa de pressionar os preços ou barrar a entrada de produtos brasileiros em mercados potenciais. Em 2019, Mato Grosso já exportou US$ 10 bilhões em mercadorias, enquanto o Brasil embarcou US$ 130 bilhões. O agronegócio representa a maior parcela desse montante, liderado por commoditties como soja, carnes e minérios.

 

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os focos de queimadas cresceram 80% este ano, com o total de 82,2 mil pontos detectados até agora no país. Em Mato Grosso a alta é de 95%, com registro de 15,4 mil focos. O assunto dominou as manchetes de veículos nacionais e internacionais e levaram o Brasil ao início de uma crise de imagem internacional. Críticas de países como França e Finlândia colocam o tema em discussão, até mesmo com ameaças de sanções internacionais.

 

O presidente francês Emmanuel Macron teceu críticas e chegou a ameaçar a soberania brasileira sobre a Amazônia. A Finlândia foi o 1º país a propor o fechamento do mercado europeu à carne brasileira como forma de punição às queimadas na região. A União Europeia está entre os principais compradores de carne bovina, por exemplo, tendo injetado US$ 192 milhões em Mato Grosso este ano com a importação do produto. Países da Europa também consomem grãos como soja e milho.

 

Os representantes do agronegócio dizem não estar preocupados com a repercussão das notícias e ressaltam que continuam primando pela sustentabilidade da atividade, que leva em consideração a manutenção ambiental. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja/MT), Antonio Galvan, destaca que até momento as notícias ainda não geraram impacto na comercialização e a demanda continua normal pelos grãos.

 

“Não temos receio de sanções por várias razões e uma delas é a oferta de soja existente em nosso país. Até há os casos criminosos de queimadas, mas há o outro lado também que o mundo inteiro conhece, que é o período de seca e todo ano acontece esse tipo de fogo involuntário na região. E o fogo é o inimigo número um da produção, porque coloca em risco as propriedades e a produção e gera um prejuízo incalculável ao produtor”, afirma.

 

Francisco Manzi, diretor técnico da Associação dos Criadores (Acrimat), também diz que as queimadas são resultado do longo período de estiagem deste ano. “Acreditamos que a maioria das tentativas de embargo é especulação com o objetivo de jogar o preço para baixo e não preocupação com o meio ambiente. E temos demonstrado para a comunidade que o produtor é tão vítima quanto o consumidor. As pastagens nessa época estão extremamente secas, e os incêndios além de destruir as pastagens, que é alimento, queima as instalações das propriedades”.

 

Paulo Bellincanta, presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas (Sindifrigo/ MT), não tem dúvidas de que as pressões são políticas, travestidas de argumento ambiental. “Qualquer região que tem 6 meses de seca por ano, aqui ou em qualquer parte do mundo, terá fogo. Estamos preocupados, mas dentro das associações estamos trabalhando como sempre a prevenção ao fogo e a sustentabilidade do nosso negócio, que passa também pelo equilíbrio ambiental. Não somos ingênuos de acreditar que poderíamos atuar contra a própria natureza. A Europa é um grande consumidor e tem que ser respeitado, mas não cabe a eles nos bloquear por uma questão que não faz sentido, porque estamos trabalhando dentro de uma legislação”.

 

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Fonte: Gazeta Digital

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