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13 delações da Operação Ararath seguem sob sigilo

João Vieira

João Vieira

Prestes a completar 6 anos de investigação em novembro deste ano, a operação Ararath, da Polícia Federal, mantém a maioria das delações sob sigilo na Justiça Federal. Dos 18 acordos de colaboração premiada até o momento, apenas a do ex-governador Silval Barbosa e seus familiares tiveram o sigilo ‘levantado’ (retirado) pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Em agosto de 2017, após pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e com aval da Procuradoria Geral da República (PGR), o ministro Luiz Fux determinou a publicidade da delação do ex-governador, da sua esposa, Roseli Barbosa, Rodrigo Barbosa (filho), Antônio Barbosa (irmão) e de Silvio Corrêa, ex-chefe de seu gabinete.

 

Vinte dias depois do levantamento do sigilo, em 14 de setembro de 2017, foi deflagrada a 12ª fase da Ararath, denominada ‘Malebolge’.

 

Na ocasião, foi revelado que vários deputados estaduais receberam dinheiro em forma de “mesada” para apoiar o governo na Assembleia. A denúncia conta com vídeos da distribuição dos valores.

 

No entanto, apesar dessas 5 colaborações terem se tornadas públicas, outras 13 permanecem sigilosas, apesar de trechos de algumas terem sido vazadas.

 

É o exemplo do primeiro colaborador, que firmou acordo no início de 2014: o empresário Gércio Marcelino Mendonça Junior, o Júnior Mendonça, que devolveu cerca de R$ 12 milhões aos cofres públicos. Por meio das empresas Globo Fomento Mercantil Ltda e Comercial Amazônia Petróleo, ele realizava operações financeiras clandestinas para políticos.

 

A delação de Júnior Mendonça é que permitiu a Ararath chegar a nomes como o do então governador da época Silval Barbosa e do ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), além do ex-presidente da Assembleia Legislativa José Riva, todos alvos da quinta fase da operação, deflagrada em maio de 2014.

 

Júnior Mendonça revelou o esquema de empréstimo para financiamento de campanha, e como eram pagos, por meio de empresários que tinham contratos superfaturados com o estado.

 

A sua delação abriu caminho para que outros empresários envolvidos no esquema também procurassem o Ministério Público Federal (MPF) para colaborarem.

 

A primeira delação ainda permitiu compartilhamento de provas com o MP de Mato Grosso, que gerou outras importantes operações locais, que revelaram esquemas de corrupção engedrada no Palácio Paiaguás e Assembleia Legislativa (ALMT).

 

Outros empresários também firmaram acordo de delação: Marilena Aparecida Ribeiro, do ramo de construção e combustíveis, e José Geraldo de Sabóia Campos, da Sabóia Campos Construções Ltda. A delação de ambos também se encontra em sigilo.

 

Márcio Luiz Barbosa, proprietário da Transporte Panorama, também firmou colaboração e devolveu R$ 9,1 milhões aos cofres públicos. O empresário revelou à Justiça que ele e Genir Martelli, proprietário da Martelli Transportes, teriam quitado uma dívida de R$ 20 milhões do ex-secretário de Estado, Éder Moraes, em troca de benefícios fiscais.

 

Martelli também firmou acordo de delação premiada em maio de 2017, relevando pagamento de propina para obter benefícios fiscais.

 

Outro empresário que também colaborou na Ararath é Marcos Tolentino, que revelou um esquema de venda de TV para o conselheiro afastado Sérgio Ricardo. Ele devolverá R$ 3 milhões aos cofres públicos até 2021.

 

Quem também firmaram acordo de delação foram os irmãos Kleber e Alex Tocantins Matos. No acordo firmado no final de 2017, devolveram menos de um terço do que receberam no esquema de propina para que o governo pagasse o precatório de R$ 19 milhões devidos à empresa Hidrapar.

 

Dos R$ 1,95 milhão que cada um dos delatores recebeu na transação, só devolveram R$ 500 mil, conforme consta no termo de delação premiada assinada pelos dois e homologada pelo juiz Jeferson Schneider, da 5ª Vara Federal em Cuiabá.

 

O ex-secretário de Estado Pedro Nadaf também firmou acordo de delação premiada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e devolveu R$ 17, 5 milhões aos cofres públicos. O valor seria apenas 14% do total de prejuízo que causou aos cofres públicos quando era gestor.

 

A sua delação é uma dos que ajudaram o afastamento dos 5 conselheiros do TCE. Apesar de parte de sua delação ter sido vazada, ela ainda está em sigilo.

 

O advogado Michael Herbert Mateus também fechou acordo de colaboração com a justiça. Sua participação na Ararath seria a venda e compra do terreno do bairro Renascer.

 

A delação mais recente da Ararath é a do ex-superintendente do Bic Banco, Luis Carlos Cuzziol, sendo firmada em abril deste ano no Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1).

 

Sob sigilo e ainda recente, a delação de Cuzziol fecharia todas as lacunas que a força tarefa da Ararath não decifrava.
A expectativa é que ela desencadeie a 16ª fase da Ararath. Das 18 colaborações, duas ainda não vieram à tona e os nomes dos colaboradores são desconhecidos. Além dessas 18, uma delação foi rejeitada pelo STF. A do ex-deputado José Riva. Ela chegou a ser aceita pela PGR ainda em 2017, porém, sob acusação de ter cometido crimes durante a negociação, o ministro Luiz Fux negou o acordo.

 

Diante disso Riva chegou a ser alvo da 15ª fase É última da Ararath em dezembro de 2017. Atualmente Riva está em negociação com MP de Mato Grosso para tentar firmar um novo acordo de delação.

 

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Fonte: Gazeta Digital

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