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Crise na Bolívia não afeta fornecimento de gás em MT

Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

Após a renúncia de Evo Morales da presidência da Bolívia neste último domingo (9), os acordos voltados ao fornecimento de gás no Estado de Mato Grosso passaram a ser questionados. A queda do presidente e a crise no país vizinho, no entanto, estão sendo acompanhados e não prejudicam a economia do estado, segundo analisa o secretário de Desenvolvimento Economico, Cesar Miranda.

 

O contrato com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) foi assinado no final do mês passado. O secretário tranquiliza, apontando que a crise política boliviana não afetará no fornecimento de gás.

 

“Temos um contrato firme de fornecimento, dentro das normas internacionais e, independente de quem for o mandatário do país, os contratos têm que ser cumpridos, obedecidos. Nós estamos acompanhando atentamente todas as notícias referentes à Bolívia, a essas mudanças na administração, mas acredito que não vamos ter nenhum tipo de paralisação no fornecimento de gás”, explica.

 

Não só com o governo mato-grossense, mas a YPFB boliviana também tem contratos com o governo federal e Argentina, que dá segurança para o cumprimento dos acordos. “Cláusulas internacionais regem esses contratos e eu acredito firmemente que eles serão cumpridos”, assegura o secretário.

 

Além disso, de acordo com o cientista político Alfredo da Mota Menezes, o gás é um dos recursos naturais mais fortes da Bolívia, então é pouco provável que o governo venha a quebrar com o contrato. Ainda mais se tratando de Mato Grosso, que é vizinho de fronteira.

 

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“Se ela tem um local pra mandar gás, que tem um gasoduto, que é Mato Grosso, um acordo assinado com Evo ou sem Evo, eu não vejo que se entrar outro grupo vai querer romper esse contrato. Vai mandar o gás pra onde? Vai mandar pro sudeste do Brasil? O sudeste do Brasil está se auto suprindo, pra mandar pra Argentina e a Argentina está se auto suprindo. Então não vejo que Mato Grosso vai perder isso não”, analisa.

 

Fora o gás, também há a ureia, fertilizante usado nas plantações de soja, cana de açúcar e alimentação do gado. “Eles precisam de dinheiro e também precisam vender ureia. Quem vai comprar ureia tão perto assim? Se ainda tem até hidrovia pra levar até Cáceres”, explica, apontando o município que fica na fronteira.

 

Em nível nacional - uma vez que a América do Sul vive uma onda de descontentamentos sociais, crises econômicas e polarizações – Alfredo se preocupa em como o Brasil irá se relacionar com os países vizinhos.

 

“Vamos pelo caso da Argentina: é o país que mais compra produto industrializado do Brasil, a Argentina é o terceiro mercado, só perde pra China e para os EUA. Se o governo brasileiro vai peitar a Argentina, o que vai acontecer? Não estou dizendo que do dia pra noite vai mudar de parceiro, mas a Argentina precisa do Brasil e o Brasil precisa da Argentina”, diz, citando as alfinetadas que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deu no presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández.

 

“Nós precisamos da América Latina, precisamos do mercado latino americano, é o único local que compra produto industrializado nosso”, considera Alfredo.


Fonte: Gazeta Digital

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