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Infelizmente o Brasil tem Neymar e não Lewis Hamilton

É triste quando a gente olha para o principal esporte do Brasil, o futebol, e percebe que não tem ninguém capaz de dizer coisas úteis para seus fãs e seguidores ou agir de maneira que inspire positivamente as pessoas. Os principais jogadores do país não falam nada a respeito de nada, não se comprometem com causa nenhuma, parecem que vivem num outro planeta. O que é triste, afinal são ídolos de milhões de pessoas, entre elas milhões de jovens e crianças.

 

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Bem, não é o caso de um outro ídolo, Lewis Hamilton, o hexacampeão mundial da Fórmula 1. Em entrevista coletiva nesta quarta (13) na capital paulista, onde está para o GP de São Paulo, que acontece no próximo domingo (16), o piloto mostra como seria bom se Neymar, maior jogador brasileiro na atualidade, fosse um pouquinho só mais parecido com o inglês, de quem diz ser amigo.

 

Neymar, como todo mundo está cansado de saber, se preocupa muito com suas festas, seus parceiros, seus carrões, em badalar, mas fecha os olhos para o que acontece no Brasil. A impressão que dá é que não está nem aí para nada. Agora, por exemplo, veja o que Hamilton disse sobre a construção de um novo autódromo no Brasil, algo especulado recentemente: “Temos um circuito histórico [Interlagos], então não precisamos cortar mais árvores. Esse dinheiro pode ser investido em outras coisas, já que temos muita pobreza no Brasil. Se for derrubar uma árvore, sou contra [a construção]. Vocês têm uma floresta fantástica que é importante para o controle climático. Adoro o Rio de Janeiro, mas não quero correr numa pista que arruinou uma área natural”. Agora diga, você já viu alguma vez Neymar ou qualquer outro jogador falar algo assim a respeito de qualquer coisa? Raro, para não dizer que não existe.

 

E veja só: isso não quer dizer que Hamilton não seja tão exibido e ostentador quanto Neymar. É, sim. Posa nas redes sociais com seus carrões e motos, sempre usa roupas de grifes famosas, vai a altas festas e usa relógios caríssimos. Mas Hamilton sabe que tem um papel social, que é capaz de influenciar pessoas, que muita gente se espelha no que ele faz e que pode usar isso tudo para o bem. Então, o piloto sabe como tem de se portar. O mesmo não acontece com os nossos ídolos futebolísticos.

 

E essa postura de Hamilton não é de hoje. Ele, por exemplo, entre outras ações, montou uma empresa de fast food vegano, incentiva as pessoas (especialmente negros) a se sentirem bem como são e é uma das principais vozes para tornar a Fórmula 1 mais limpa e sustentável, tudo com a intenção de fazer com que a categoria esportiva prejudique menos o meio-ambiente.

 

Além de Hamilton, há outros esportistas pelo mundo — seja na NBA, no próprio futebol (não brasileiro, claro) e em outras modalidades — que falam e agem de acordo com o que são e realizam feitos proporcionais à sua grandeza no esporte. Já no Brail a gente conta nos dedos de uma das mãos algum atleta famoso que vá pelo mesmo caminho.

 

Uma pena.


Fonte: Gazeta Digital

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