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Menosprezo pela mulher motiva aumento do feminícidio

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Retrospectiva 2019

 

O feminicídio, mortes de mulheres motivadas por questões de gênero, ou seja, motivadas pela misoginia e menosprezo pela condição feminina, cresceram em 2019 em Mato Grosso. Dos 70 homicídios registrados com vítimas mulheres entre janeiro e setembro, 36 deles foram qualificados como feminicídios.

 

Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança (Sesp) apontam que em 9 meses do ano, 36 casos foram registrados, resultando em um crescimento de 5,8% se comparado com o mesmo período de 2018, quando foram registrados 34 casos.

 

Se enquadram como feminicídios, por exemplo, crimes resultantes de violência doméstica, praticado por algum familiar ou marido, namorado ou qualquer outra pessoa com quem a vítima tenha um tipo de laço afetivo. Há ainda o crime motivado pela discriminação de gênero, onde há, muitas vezes, violência sexual seguida da morte.

 

Queria dar um ‘susto’ 

Enfermeira Zuilda Correa Rodrigues, 43, foi um das vítimas de feminicídio em 2019. Ela foi morta em 27 de setembro, em Sinop (500 km ao Norte de Cuiabá), pelo marido, que ainda contou com a ajuda de um amigo para ocultar o corpo dela, que só foi encontrado 11 dias após o crime jogado em um poço.

 

Guilherme Arau?jo/SóNotícias

Caso Zuilda Rodrigues

Enfermeira Zuilda Correa Rodrigues foi assassinada pelo marido

Conforme as investigações, os suspeitos planejaram apenas "dar um susto" na enfermeira, mas as agressões saíram do controle e ela foi morta dentro do carro. O marido chegou a simular o desaparecimento dela, mas o crime logo foi desvendado. 

 

Confessou por mensagem

Em Várzea Grande, no dia 14 de setembro, a empresária Maria Lúcia Lustosa Sabino, 54, foi morta pelo namorado dentro de seu apartamento, em Várzea Grande. Ela foi encontrada morta pelo sobrinho, que sentiu falta da mulher.

 

O namorado foi flagrado saindo do apartamento na madrugada e ainda mandou mensagens para o patrão confessando o crime, ficou foragido, mas acabou sendo localizado e preso. 

 

 

Reprodução/Facebook

Maria Lucia Lustosa Sabino, empresária morta pelo namorado

Empresária Maria Lúcia Lustosa Sabino

Matou e tentou se matar

O último caso foi registrado no primeiro dia de dezembro, em Sinop (420 km ao Norte de Cuiabá. Doracy Ribeiro, 58, foi morta a facadas pelo marido após uma discussão.

 

Ela tinha ferimentos no pescoço e foi encontrada pelo vizinho. Conforme as informações da Polícia Civil, testemunhas ouviram a discussão e depois flagraram o suspeito tentando se enforcar em uma árvore, como impediram, ele fugiu.

 

Mas, em diligências, acabou sendo preso. O homem já respondia pela morte de outra mulher no estado do Tocantins e estava em Sinop desde 2017, onde foi preso pelo crime. Ele foi autuado por feminicídio.

 

Números podem ser maiores 

Em recente entrevista ao #GD, a defensora pública Rosana Leite, referência no combate à violência contra a mulher em Mato Grosso, afirma que os dados não representam o real número de feminicídios no estado.

 

Segundo ela, por ser uma lei nova, do ano de 2015, ainda não há preparo para diagnosticar no início da investigação se o crime é feminicídio ou não. “Muitas vezes, o que é tratado como homicídio pode ser sim caracterizado como um crime por questão de gênero”. 

João Vieira

Fotos / Defensoria / Denuncia / Defensora / Mulher

 Defensora pública Rosana Leite observa que a lei é nova 

Na visão da defensora, 90% dos casos de mortes de mulheres ocorrem pela questão de elas serem mulheres, seja dentro ou fora de casa. Vítimas de violência domésticas contam com total apoio dos órgãos de combate ao crime. 

 

As denúncias podem ser feitas para os números 180 e 100, em nível nacional, além do 197 e 181 da Polícia Civil de Mato Grosso.


Fonte: Gazeta Digital

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