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62% dos pontos de ônibus da Capital não têm abrigo

Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

Paradas lotadas e calçadas tomadas por pessoas que aguardam os ônibus. Pedestres que caminham por esses locais desviam de uma, duas, três pessoas que aguardam ali a condução para ir ou retornar. Essa é a realidade de alguns pontos do transporte coletivo na região central de Cuiabá. O espaço não comporta a quantidade de usuários e é alvo de reclamações da população.

 

Na avenida Isaac Póvoas, em frente à praça Rachid Jaudy, não importa o horário, durante a semana fica sempre lotado. Os ônibus param e muitas pessoas entram, mas outro tanto desce e mantém o alto fluxo. “Aqui só melhora nos fins de semana. Nos outros dias é assim como você está vendo, bem cheio”, diz a comerciante Suzinet Aparecida de Oliveira, 50, que diariamente vai ao ponto para pegar a condução e seguir para a região da rodoviária da Capital. Para a auxiliar de serviços gerais Vanusa Loureira da Silva, 43, o fim de tarde é ainda pior, por volta de 18h e 19h. “Fica mais cheio do que agora”, comenta enquanto desvia das outras pessoas. “Em dias de chuva é horrível, a gente tenta se proteger da chuva, mas acaba molhando do mesmo jeito”, reclama.

 

Mais adiante, em outro ponto da mesma avenida, o problema é semelhante. Apesar de ter duas coberturas, elas não conseguem abrigar os usuários dos ônibus que vão se espalhando pela calçada. “Às vezes chega até aqui onde eu fico”, conta o pipoqueiro Ruben Queiroz Inácio, 38, que trabalha próximo à estrutura.

 

Na rua 13 de Junho, segundo a população, a situação decorre de anos. A parada chegou a ser removida e direcionada para um outro ponto da avenida Getúlio Vargas. Porém, depois retornou ao ponto original. Há dois anos, a auxiliar de serviços gerais Joelma Célia Siqueira, 49, se desdobra para achar um espaço para esperar o ônibus. Já o padeiro e confeiteiro Nivaldo Ribeiro da Silva, 44, tem mais tempo de jornada. “Há 8 anos eu pego ônibus aqui e sempre foi cheio”, ressalta.

 

A vendedora Jackeline Arruda de Souza, 21, reclama ainda da dificuldade de achar um ponto com sombra para amenizar um pouco a espera. “Tem ponto que a gente fica no sol quente, é complicado”, diz a jovem.

 

Estação Bispo
A praça Bispo é um dos pontos com grande fluxo de passageiros do transporte coletivo. Na última terça-feira (17) foi inaugurada a Estação Bispo. A edificação é composta por dois módulos de 90 m2, é climatizada, com geração de energia solar, espaço para recarregar os celulares, rede wi-fi e assentos para acomodar os usuários enquanto esperam o seu coletivo, um tanto a mais de conforto em relação a outras paradas do transporte público na região. Um monitor mostra o quanto falta para a chegada dos ônibus. A prefeitura de Cuiabá estima que por ali circulem mais de 12 mil passageiros diariamente.

 

A nova estrutura divide a opinião da população. Alguns passageiros reconhecem que houve melhoria, mas para outros os problemas persistem. “Ficou muito bom, mas quando chover vai ficar apertado quando todos quiserem se proteger”, prevê Bárbara Sales. A dona de casa Anoenes Noise da Trindade, 28, destaca a informação sobre as linhas de ônibus como um dos pontos positivos. Porém, o horário de pico ainda poderá trazer transtornos por causa do fluxo.

 

“É uma estrutura boa, mas ficou pequena”, complementa a copeira Luzia Gonçalves de Lara, 58. O agente penitenciário Juliano José de Campos, 35, comenta que esperava um espaço maior. “Não vai comportar todos os passageiros”, acredita.

Do lado de fora da estação, a reclamação é quanto à calçada, que no dia da inauguração sofreu um afundamento do piso, oferecendo risco a pedestres e principalmente a cadeirantes.

 

Raio-x dos pontos
A Capital mato-grossense tem 2,1 mil pontos de parada de ônibus e 62% (1,3 mil) deles não têm abrigo, o que traz desconforto e insegurança principalmente à noite. A maioria está deteriorada ou a indicação da parada é feita apenas com um placa. Cerca de 400 deles estão em situação precária. Em novembro, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) lançou processo licitatório, na modalidade menor preço, para amenizar um pouco o problema. A estimativa é que os pontos precários sejam substituídos e 800 sejam cobertos. Outros 1,3 mil continuarão sem cobertura

 

O processo será dividido em dois lotes e o contrato terá duração de 12 meses. O certame prevê a contratação de empresa para fornecimento e implantação, retirada e manutenção de abrigos. A data de abertura dos envelopes para conhecer a empresas interessadas estava prevista para 5 de dezembro. Porém, o processo foi suspenso, adiando por mais um tempo a melhora na difícil situação dos usuários que diariamente enfrentam essa dura realidade.

 

Outro lado
A Semob espera que a partir da licitação do transporte coletivo e o início da operação das empresas, as viagens se tornem mais rápidas. Isso porque os ônibus circularão em sistema de rede, diminuindo os intervalados de tempo e, consequentemente, o número de usuários esperando pelo embarque. Com relação ao processo de melhorias da estrutura dos pontos de ônibus, a pasta explica que houve um equívoco de cálculo em uma das planilhas. Entretanto, o problema já foi resolvido e o processo retomado, conforme publicado no Diário Oficial de Contas, do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE), no dia 19 de dezembro. A abertura dos envelopes está marcada para 20 de janeiro de 2020.

 

A prefeitura informa que desde 2017, 250 pontos foram melhorados e o perspectiva é que a gestão seja finalizada com 1,2 mil substituições e reformas por toda a cidade. Com relação à Estação Bispo, a Semob destaca que o cálculo espacial levou em consideração o fluxo das linhas que são atendidas naquela parada e os módulos têm capacidade para abrigar até 400 pessoas. A secretaria acredita que a ocupação máxima dificilmente será registrada.

 

Sobre o afundamento na calçada, explicou que foi um incidente durante a montagem das tendas para a inauguração. Um caminhão precisou estacionar ali e causou o problema. Todavia, frisou que as providências necessárias já tinham sido tomadas e não há risco de afundamento em outros pontos.

 

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Fonte: Gazeta Digital

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