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50 inquéritos de clonagem são registrados em um mês

Marcelo Camargo/Agência Brasil/

Marcelo Camargo/Agência Brasil/

Gerência de Combate aos Crimes de Alta Tecnologia (Gecat) registra 50 inquéritos referentes à clonagem de contas do aplicativo de mensagens Whatsapp este ano. São relacionados a crimes cometidos não apenas em Mato Grosso. A maneira de agir é sempre parecida. Os criminosos usam o número para pedir dinheiro a familiares e amigos das vítimas. Geralmente, a ação é coordenada por um quadrilha, uma vez que a clonagem é feita em uma cidade, mas a conta para depósito e os saques são feitos em municípios distintos do país. A Gecat alerta sobre a importância de as vítimas registrarem o crime e elenca cuidados que usuários devem tomar para evitar golpes.

 

Segundo o delegado responsável pela Gecat, Eduardo Botelho, o número de ocorrências envolvendo a clonagem de números cadastrados na plataforma está aumentando de forma alarmante. Todos os dias, pelo menos dois registros do tipo são notificados na capital. “Digo esse número por alto, sem contar com as ocorrências do interior e fora as situações que não são levadas ao conhecimento da polícia”.

 

Botelho explica como os criminosos conseguem clonar a conta da vítima. Segundo ele, o golpista faz o cadastro do número de telefone do usuário em outro dispositivo e após esse processo, um SMS com o código de liberação de acesso é enviado ao celular da vítima. Pensando se tratar de uma atualização cadastral, a pessoa fornece o código ao golpista e em seguida sua conta de Whatsapp é bloqueada. “A maioria das vítimas informou que tinha anúncio na internet, como OLX, por exemplo. E os criminosos usam desse fator para conseguir o código, enviando a mensagem, alegando atualização de dados”.

 

Enquanto o golpista está de posse da conta da vítima consegue ter acesso a todos os contatos dela e com isso, inventa uma desculpa para pedir dinheiro a amigos e familiares. Constatada a clonagem, o proprietário da conta deve entrar em contato imediatamente com a operadora do chip, pedindo para bloquear a linha, para que ela seja recuperada posteriormente em um novo chip. “Assim, todos os dados saem do chip do criminoso e volta para o dono da conta. O usuário deve entrar em contato com o Whatsapp também e informar o ocorrido”.

 

O delegado frisa a importância de sempre acionar a polícia nesses casos, pois assim, mesmo que não recupere a quantia roubada no golpe é possível pedir acesso aos dados das pessoas que receberam o dinheiro junto às instituições financeiras, identificar e chegar aos envolvidos no crime.

 

Criminosos envolvidos em casos de clonagem respondem pelo crime de estelionato, que tem a pena máxima de 5 anos. Botelho reconhece que é difícil recuperar o dinheiro depositado, pois o crime é plurilocal. “Às vezes um depósito de R$ 5 mil é feito em uma conta de estado diferente de onde a vítima reside. E dessa conta, fazem transferências para outras contas diversas. Até pedirmos a quebra de sigilo bancário e conseguirmos, o dinheiro já pulverizou”, diz ao acrescentar que ainda assim, os suspeitos identificados respondem pelo crime.

 

Interior
Delegado Maurício Maciel Pereira Júnior, que atua em Vila Bela da Santíssima Trindade (a 521 km a oeste de Cuiabá) e Pontes e Lacerda (a 448 km a oeste da Capital), diz que recentemente a clonagem do aplicativo de mensagens “pipocou” em ambas as cidades. Diante da situação, ele tomou a iniciativa de emitir um alerta à população local, com cuidados a serem adotados para não cair no golpe aplicado via clonagem do Whatsapp. “Em Vila Bela, que é uma cidade relativamente pequena, em um dia chegamos a registrar 3 casos do tipo”.

 

Ele lembra que os índices de clonagem cresceram tanto que os criminosos chegaram a clonar contas dos celulares funcionais das delegacias e até mesmo de alguns policiais. “Tentaram aplicar o golpe até em mim, logo depois que emiti a nota de alerta. Mas, logo desconfiei e cortei o golpista”.

 

Dentre os cuidados, não enviar o código de ativação da conta para ninguém é considerado pelo delegado o principal. Além disso, recomenda-se sempre manter a segurança da conta de Whatsapp em duas etapas (código de ativação + senha).

“Desconfie se algum amigo ou familiar lhe pedir dinheiro pelo Whatsapp. Para tirar a dúvida, faça uma ligação convencional para a pessoa e confirme com quem está falando”.

 

Após produtores rurais de Porto dos Gaúchos (a 663 km a médio-norte de Cuiabá) terem as contas no aplicativo clonadas, investigadores da delegacia local fizeram alertas aos moradores. Em Rondonópolis, Lucas do Rio Verde e Várzea Grande também houve registros.

 

Vítimas
Deputado estadual Paulo Araújo foi uma das vítimas. Conta que apesar do susto, não chegou a registrar boletim de ocorrência ou acionar a operadora de celular. A primeira atitude tomada foi postar uma mensagem em suas redes sociais alertando amigos e familiares para não realizarem depósitos em nenhuma conta bancária, pois seu contato estava sendo usado por bandidos. “Assim que clonaram eu descobri, pois, estava conversando pessoalmente com o ex-deputado Wagner Ramos, e logo depois pediram dinheiro para ele, usando o meu número. O Wagner também foi vítima desse golpe”.

 

O parlamentar ficou sem acesso ao aplicativo por cerca de 30 minutos, tempo suficiente para que os golpistas pedissem dinheiro para quase toda sua agenda. “Falavam que eu estava em meio a uma urgência, que era para depositar o dinheiro em um conta de terceiro e que depois eu pagaria. Felizmente ninguém caiu no golpe”.

 

Araújo diz que reiniciou o aparelho e a plataforma voltou a funcionar normalmente. Reconhece que deveria ter procurado a polícia. “Pior que assim como eu, conheço outras pessoas que tiveram o número clonado e não registraram a ocorrência. Neste quesito eu pequei mesmo”.

 

Outras pessoas públicas locais, como a primeira dama Virgínia Mendes e a digital influencer Carla Bora, também tiveram a conta do aplicativo clonada. No país, a jornalista Renata Capucci, a apresentadora Xuxa Meneghel, a atriz Giovanna Ewbank, a cantora Preta Gil e o apresentador Celso Portiolli também foram vítimas do crime cibernético.

 

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Fonte: Gazeta Digital

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