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Juiz manda corregedoria investigar Selma Arruda

Marcelo Camargo/ABr

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O juiz da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Jorge Tadeu, determinou que a Corregedoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) investigue a juíza aposentada - hoje senadora cassada - Selma Arruda por irregularidades nas investigações das operações Arqueiro e Ouro de Tolo, que culminaram na prisão da ex-primeira dama Roseli Barbosa.

 

A decisão tem por base o último depoimento do cabo Polícia Militar, Gerson Corrêa, que reafirmou os seus esclarecimentos dados nos processos da grampolândia pantaneira, de que teriam ocorrido irregularidades e utilização de interceptação telefônica ilegal, a ‘barriga de aluguel’, para prender Roseli Barbosa, esposa do ex-governador Silval Barbosa. No mesmo ato, o juiz também determina que a Corregedoria do Ministério Público apure os procedimentos dos promotores.

 

“Tendo este juízo tomado conhecimento formal das declarações da testemunha Gerson Corrêa que relatou possíveis irregularidades praticadas por promotores e juíza no âmbito das operações Arqueiro e Ouro de Tolo, determino a remessa do inteiro teor de tais declarações à Corregedoria do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Corregedoria-Geral de Justiça e ao relator do inquérito policial que apura eventuais delitos praticados por membros de ambos os poderes, para as providências que entenderem cabíveis”, diz trecho da decisão assinada nesta quarta-feira (19).

 

Com a decisão, os promotores de Justiça Marco Aurélio de Castro, Samuel Frungilo e Arnaldo Justino também deverão ser investigados pela Corregedoria do Ministério Público.

 

No entanto, o MP já havia arquivado uma investigação contra os 3, oferecendo apenas uma denúncia criminal contra Marco Aurélio por quebra de segredo de Justiça por divulgar áudios captados na Operação Arqueiro.

 

Selma Arruda era a juíza da época e foi responsável pelas decisões que prenderam Roseli e posteriormente Silval Barbosa em outra ação. Ela foi alvo de vários pedidos de suspeição, sob alegação de que estaria se promovendo com as investigações para interesses políticos.

 

Selma Arruda de fato deixou a magistratura em 2018 para se candidatar ao Senado, sendo eleita em 1º lugar. No entanto, foi cassada no ano passado por caixa 2 e abuso de poder econômico.

 

Depoimento
No último dia 13 de fevereiro Gerson foi arrolado como testemunha pelo MP. Porém, ele mirou o depoimento, justamente, no Ministério Público. Disse que o promotores do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) sabiam que a operação Ouro de Tolo, responsável por prender a ex -primeira-dama, contava com o esquema barriga de aluguel.

 

“Sem nenhuma dúvida houve barriga de aluguel nas operações Arqueiro e Ouro de Tolo”, lembrando que as ordens eram dos promotores que atuavam no Gaeco Marco Aurelio e Samuel Frungilo. Gerson voltou a falar da operação Ouro de Tolo, sobre o vazamento dos aúdios de Silval Barbosa e do desembargador Marcos Machado e da conversa de Silval e com o então vice-presidente Michel Temer (MDB).

 

Operações suspeitas

 

Operação Arqueiro
Deflagrada em abril de 2014 para desmantelar um esquema de fraude envolvendo 3 institutos e servidores da Setas, pasta que era comandada por Roseli.

 

Operação Ouro de Tolo
Continuidade da Arqueiro. Deflagrada em agosto de 2015, resultou na prisão de Roseli Barbosa que ganhou liberdade 6 dias depois por força de um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

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Fonte: Gazeta Digital

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