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'De forma alguma é castigo' diz líder espírita sobre covid-19

Chico Ferreira

Chico Ferreira

Enquanto a ciência busca apontar uma solução para controlar a pandemia da covid-19 que assusta o mundo, a religião é uma das saídas para quem busca conforto e até mesmo respostas para os dias atuais – mais tudo isso depende da sua fé. Manter o equilíbrio, a cabeça no lugar, tem sido um desafio. 

 

Em entrevista ao #GD, o vice-presidente da Federação Espírita do Estado de Mato Grosso (FEEMT), Lacordaire Abrahão Faiad, que também é psicólogo e diretor de Seres Humanos do Instituto Brasileiro de Plenitude Humana (I.B.P.H.), explica que o momento pelo qual passamos pode ser uma consequência do nosso comportamento como sociedade.

 

Mas, que apesar de muito sofrimento, não é um castigo divino. O período serve para refletir, também para separar o 'joio do trigo' e de preparação para uma nova era. Fica então uma das inquietações de Lacordaire: como estamos como sociedade?

 

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#GD – Como o espiritismo pode nos ajudar a entender esse momento que estamos vivendo?

A doutrina espírita é ampla, é uma ciência que estuda natureza e origem. Acreditamos que há um pensamento superior que rege e equilibro. Então, no tocante da humanidade, qual é o ser mais perfeito? A resposta é Jesus.

 

É nosso modelo e guia, seja de ética ou de comportamento. Então, há uma razão para esse processo de pandemia, levando em consideração que evoluímos bastante, mas também não houve muita evolução, seja como terra, como sociedade. Eu não falo de pesquisas, por exemplo, falo de evolução mental.

 

Esse período pode ser uma consequência do nosso comportamento com a natureza, com a desigualdade social, com a falta de cuidado com o nosso corpo, com a nossa saúde. São vários fatores. Precisamos nos organizar e propor uma reflexão, o vírus está aí para todo mundo, ela é um efeito e não uma causa. Entende? Como estamos como sociedade? Governo é para o povo, e quem é o povo?

 

Divulgação/Governo do Uruguai

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#GD – Então, estamos vivendo um ‘castigo’, uma consequência dos nossos próprios atos?

Não, de forma alguma é um castigo. Deus não precisa disso. Ele é amor e equilíbrio. O pai quer o fim do pecado e não do pecador e isso vamos vivendo e mudando dentro do nosso comportamento, dentro do destino do espírito, na transição da reencarnação.

 

Vemos muito a luta por direitos, que vão se concretizar, seja pelo idoso, pela criança, pelo direito à saúde e educação. Tem muita gente que ainda é afetada também pelo abandono, pela indiferença, pela exclusão do convívio familiar.

 

Vírus está afetando pessoas de todas as classes sociais, e passamos do ‘ter humano’ para o ‘ser humano’, o dinheiro não está valendo. Como diz a bíblia, é a hora de separar o joio do trigo e temos visto isso em boas ações.

 

Jovens que se reuniram para ajudar idosos, que não podem sair de casa para fazer compras, por exemplo. Ou até mesmo idosos que desistiram de usar respiradores, para deixa-los para pacientes mais jovens. O mar está revolto, mas existe um administrador celestial, não esqueça.

 

#GD – E como vamos sair desse período?

Certamente melhores que antes. Como foi na Gripe Espanhola, em outras pandemias, não só em questões de evolução como seres humanos, mas também como sociedade, com o uso de tecnologias. Vamos passar a dar valor em profissões que antes passavam batidas, a ter outros olhos para a educação, saúde, saneamento.

 

Como eu disse, é uma nova era. Olha, as vezes dizem que estamos no mesmo barco, mas não estamos. Estamos todos na mesma turbulência, o que é diferente. As vezes você tem dinheiro, mas é consumido pelo desespero. Mas, você pode ser pobre e com muita fé, somos resultados do que pensamos.

 

Isso é o que alimenta nossa mente, que nos faz buscar por valores, pela ética e claro, a oração, que nos traz a sintonia e o equilíbrio com o universo.

 

Reprodução/Facebook

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#GD – Além de orações, como é que podemos manter esse equilíbrio e a saúde mental diante dos desafios atuais? Informações é esperança. É muito trabalho, mas cada um é responsável por si, certo? É uma questão de autoconhecimento, autodomínio, que gera a valorização e o respeito consigo mesmo.

 

Então, a leitura é uma saída. Ler algo que te faça bem ou até mesmo usar a tecnologia para alimentar a alma, seja assistindo uma palestra, por exemplo. Mas, não é sair da realidade, não é teoria.

 

É estimular o pensamento, cérebro, que vai atuar direto no organismo. Todo esse estímulo vai te dar prazer, alegria, fazendo com que você entenda na alma o sentido existencial, que é uma pessoa que se ama, que se cuida, que se valoriza e isso passa e se tornar um padrão mental. 


Fonte: Gazeta Digital

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