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Governador de Goiás defende lockdown de 14 dias e oferece polícia a prefeitos

Reprodução/Facebook

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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), afirmou nesta segunda-feira (29) que, se dependesse exclusivamente dele, todos os 246 municípios do Estado entrariam no sistema 14x14, com todas as atividades econômicas não essenciais paralisadas por duas semanas.

 

Ele prometeu um decreto estabelecendo quais as atividades que, de acordo com o governo, não podem funcionar a já a partir de amanhã (terça-feira, 30). "E depois, para os próximos 14 dias, vamos voltar a analisar o que pode ou não ser retomado", disse.

 

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"A responsabildiade é de todos nós. Cada prefeito e cada prefeita vai responder pelos casos de seus municípios", declarou na videoconferência que contou com profissionais de saúde, deputados federais goianos, representantes das cidades e de órgãos públicos.

 

Goiás tem hoje 21.984 casos, com 435 mortes registradas. Apesar de, na comparação com os outros Estados, os números serem mais baixos, a curva de novas infecções é a que mais cresce no país, enquanto os óbitos seguem estáveis.

 

Caiado disse que não se pode pensar em eleições nesse momento. "Ninguém pode pensar: 'Ah, não fica bem pra mim, o comerciante não vai gostar, eu vou perder voto'. Eu não transijo da minha posição. Fornecerei as minhas polícias a todos os prefeitos que querem que haja o comprimento do isolamento. Porta de supermercado não será mais o que é hoje, em que famílias vão inteiras para a frente da lojas."

 

"A tropa estará prestando atenção sem desguarnecer o combate à criminalidade", explicou o governador. "Mas a prefeitura local também tem papel importante ao retirar a autorização de empresas que não estejam cumprindo as normas necessárias. Esse estabelecimento não pode mais continuar aberto se não estiver nesse mesmo esforço do Estado", completou.

 

O nível de isolamento no Estado varia atualmente entre 33% e 37%.

 

O sistema 14x14 foi sugerido pouco antes da fala de Caiado pelo professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Thiago Rangel.

 

Segundo Rangel, professor do departamento de Ecologia da UFG, baseando-se em um detalhado estudo da instituição, fechar todas as atividades econômicas não essenciais por 14 dias e logo em seguida retomá-las por igual período até o fim do ano evitaria 8.360 mortes no Estado nos próximos três meses.

 

"Um fechamento desse tipo é mais eficiente em óbitos e para a economia. Fica 50% do tempo fechado, mas salva 61,5% das pessoas que poderiam ser salvas."

 

Monitoramento
Caiado disse concordar 100% com o estudo da UFG sobre as melhores ações necessárias, inclusive com relação ao rastreamento de infectados e das pessoas a sua volta.

 

O professor defende o isolamento imediato de todas as pessoas que adquirirem a covid-19 e de parentes e contatos que essa vítima tenha tido nos dias anteriores à infecção. "Assim, nós quebramos essa rede de contato que o vírus usa para se espalhar."

 

De acordo com eles, todos devem passar por uma quarentena de 10 dias. "Essa estratégia não demanada novos testes, mas se tiver testes, melhor ainda. O importante dela é que não é preciso colocar em quarentena a população inteira."

 

O secretário de Saúde do Estado, Ismael Alexandrino, admitiu que a situação de Goiás está a beira do colapso. E que faltam recursos.

 

"O estudo da UFG aponta a necessidade de 2 mil leitos disponíveis, mas isso é impossível." A expectativa de Alexandrino é fechar junho com 500 leitos.

 

O secretário destacou também outro ponto, que deve ser responsável por elevar o número de óbitos por causa da covid-19. "A capacitação dos profissionais de saúde é cada vez menor. Faltam pessoas. O MEC chegou a formar pessoas com seis meses antes da conclusão dos cursos. Essa qualidade certamente vai impactar na letalidade.

 

Testes
O governador de Goiás defendeu também que o dinheiro que os prefeitos receberam e vão receber do governo federal para o combate à pandemia seja utilizado principalmenta na testagem da população, de preferência em regiões com altos números de doentes.

 

"O que eu sugiro agora é um sistema de mutirão com todas as nossas forças convergindo para um único objetivo: não atingirimos o número de óbitos projetotado pela UFG. Eu concordo com o professor Thiago Rangel: 'Isso é imoral, desumano'. Eu não posso aceitar omissão de qualquer uma das autoridades nesse momento", afirmou Caiado.

 

Para o governador, o ideal seria a testagem, semanalmente, de todos os servidores e trabalhadores de empresas privadas que tenham que se deslocar para a função. "A melhor utilidade das verbas seria a contratação de exames mais conclusivos, como o PCR-RT."

 

O estudo da UFG apontou que, se nada for feito no Estado de Goiás para aumentar o isolamento e o monitoramento de casos, morrerão de covid 13.530 pessoas que poderiam ser salvas nos próximos três meses.

 

Idas e vindas
Não é a primeira vez que o governador goiano se mostra indignado com a covid-19. Em março, ele foi o primeiro chefe de Estado a decretar o fechamento de atividades não essenciais. Médico de formação, Caiado chegou a ser hostilizado nas ruas da capital, Goiânia, ao interromper uma manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro.

 

Caiado, aliado de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, chegou a romper com o presidente durante a pandemia por discordar da condução da crise por parte do governo federal.

 

No fim de março, declarou em entrevista coletiva que não aceitaria mais as decisões do presidente da República relacionadas ao combate do coronavírus. “As decisões de Goiás serão tomadas por mim e por decisões lavradas pela Organização Mundial da Saúde e pelo povo técnico do Ministério da Saúde [na época comandado por Luiz Henrique Mandetta, aliado de Caiado].”

 

Em maio, no entanto, voltou a trocar elogios com Bolsonaro, que afirmou na ocasião que Caiado e ele sempre foram amigos e continuarão amigos até morrer.


Fonte: Gazeta Digital

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