Gazeta Digital

Nilson Leitão usou propina para fazer turismo em Miami

Chico Ferreira

Chico Ferreira

(Atualizada às 16h20)O ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB) teria utilizado dinheiro de propina e caixa 2 para comprar dólares para fazer turismo em Miami, nos Estados Unidos.

 

A informação consta no inquérito da Polícia Federal que investiga Leitão por acusação de caixa 2, na Justiça Eleitoral, e que tem por base a delação do ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto.

 

De acordo com o delator, em 2014, quando viajou diversas vezes para São Paulo, onde trouxe ‘malas e envelopes’ de dinheiro da Galvão Engenharia para serem usados na campanha de reeleição do então deputado federal Nilson Leitão, Permínio teria usado parte do recurso para comprar dólares.

 

A primeira compra teria ocorrido no dia 19 de maio de 2014, no valor de R$ 13,7 mil no Banco do Brasil, mesmo banco que Permínio havia depositado R$ 98 mil em propina na própria conta.

 

Um dia depois foram comprados mais R$ 4,6 mil em dólares a pedido de Nilson Leitão, que es prestes a viajar para os Estados Unidos.

 

‘Que o declarante acompanhou Nilson Leitão e Glaucio (irmão de Nilson Leitão) na viagem até Miami nos Estados Unidos; Que a viagem tinha finalidade turística’, diz trecho da delação anexada no inquérito.

 

Permínio admitiu ter sido o operador financeiro Leitão durante o seu primeiro mandato na Câmara Federal até a sua reeleição.

 

Em um dos trechos, o delator diz se encontrou com o empresário Ubiratan Queiroz, a pedido do então deputado federal, em um hotel em São Paulo, quando o empresário lhe entregou ‘uma valise de tecido [bolsa], de cor preta, contendo R$ 150 mil, em notas de R$ 100’.

 

Após receber os recursos, Perminio os depositava em uma conta específica a mando de Leitão. Ex-secretário de Educação do governo Pedro Taques, Permínio Pinto centralizou o esquema de fraudes e recebimento de propinas de empresas envolvidas em obras de construção e reforma de escolas estaduais.

 

Senha da conta era compartilhada

Permínio explica ainda que essa conta, da qual ele e Nilson Leitão tinham a senha, era utilizada para efetuar vários pagamentos a mando do ex-deputado.

 

Já nas eleições de 2014, Permínio teria recebido vários valores a mando de Leitão para realizar pagamentos de campanha, chegando a utilizar a sua própria conta para depositar tais valores.

 

O inquérito que investiga Nilson Leitão se encontra na Polícia Federal. No final de março, o delegado responsável solicitou prazo de mais 90 dias para concluir o inquérito.


Outro lado
Nilson Leitão afirma que não tem conhecimento sobre este fato. E um outro inquérito que também investiga possível caixa 2 com base também na delação de Permínio Pinto, Leitão disse que não foi notificado. Ele também afirmou que as denúncias contidas na delação de Permínio Pinto já vêm sendo noticiadas, porém, nunca foi chamado pela justiça para se manifestar.

 

“[...] afirmo que minhas contas de 2014 foram declaradas e aprovadas, que estou em dia com a justiça eleitoral, tanto que todas minhas certidões estão aptas para registro de candidatura. Do mais, logo que for notificado terei o maior prazer em falar com você ou outro jornalista, pois sempre primei pela verdade”, disse em sua última nota encaminhada ao jornal A Gazeta.

 

Leia mais notícias sobre Política de MT na edição do Jornal A Gazeta


Fonte: Gazeta Digital

Visite o website: https://www.gazetadigital.com.br